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Serviços de transmissão a longa distância além do satélite

Como parte do convênio de cooperação entre a Revista da SET e a UNESP para produção de conteúdo jornalístico, aluna da maior universidade do Estado de São Paulo participa do SET EXPO e elabora matéria onde analisa os líderes do mercado  de satélite e a expansão de soluções de transmissão.

A edição 2019 do maior evento da indústria audiovisual da América Latina, que aconteceu em São Paulo, trouxe uma questão importante para o o setor, a posição do satélite no mercado diante de outros serviços de transmissão que vêm surgindo, como o serviço de 5G, por exemplo. Alguns dos principais representantes deste mercado discutiram a importância do serviço e como as suas empresas estão reformulando soluções para atender aos diferentes públicos, as suas novas necessidades e buscando a competitividade em um mercado que se expande.

Gustavo Franken afirmou que a LiveU “fez uma ruptura, pois, possibilitou que eventos e corporações pudessem transmitir com alta qualidade, sem utilizar tanto os satélites”

Com a expansão da telefonia móvel, as operadoras de satélites começaram a dividir espaço de mercado com novas soluções de transmissão. A VIACast, por exemplo, apresentou na feira seu novo conceito de mini unidade móvel que utiliza um amplificador de internet de operadora que consegue ter até seis conexões simultâneas (chips de celular) somadas e acopladas a um carro, tudo em busca de uma maior portabilidade. “A internet hoje conecta o mundo inteiro, é uma infraestrutura disponível que está aí para ser utilizada e é de baixíssimo custo. Então com a solução conseguimos fazer uma coisa que demanda custo e infraestrutura, com um gasto muito mais baixo, porque usamos uma infraestrutura que já existe. Não precisa usar um link dedicado, uma fibra ponto a ponto para fazer o que fazemos”, explicou André Almeida, engenheiro de produção da VIACast.
Gustavo Franken, diretor da UCAN, confirmou essa tendência ao falar sobre a criação do mochilink LiveU, que trouxe um novo conceito ao mercado. “A sua criação foi uma ruptura, pois, até aquele momento, os satélites eram os grandes modais de transmissão, custo elevadíssimo. Por meio da LiveU, com a utilização de 3G, 4G ou internet geral, conseguimos fazer o custo de transmissão cair de uma forma muito agressiva. Então a solução proporcionou que muitas televisões, corporações e eventos pudessem transmitir com alta qualidade, sem precisar utilizar tanto os satélites”, concluiu.

Tecnologias híbridas
Entretanto e, apesar das novidades que surgem sustentadas por serviços de IP, o satélite é um mercado, que se esta reposicionando, e não deixará de existir. É uma questão de não abandonar os serviços satelitais, mas de atuar em parceria, criar soluções híbridas e que se complementam, afirmaram a reportagem os executivos consultados.
De fato, foi o que afirmou Jurandir Pitsch, vice-presidente de Vendas e Desenvolvimento de Mercado para a América e o Caribe da SES Vídeo, “A empresa trouxe aqui para feira o novo posicionamento da SES no mercado internacional, que é voltado para soluções híbridas. Hoje, a maioria dos nossos clientes utilizam as soluções da empresa para a comunicação por satélite, para fazer a contribuição ou a distribuição dos seus sinais de vídeo, mas a maioria dos nossos clientes têm ou também necessitam soluções para a parte terrestre nos seus serviços de OTT, de playout etc. A empresa decidiu, há uns três anos, a nível internacional, tentar ofertar o máximo possível de serviços para o cliente, mesmo que esse serviço não fosse só satélite”.
De fato, segundo percebeu a reportagem esta é uma maneira de fidelizar os clientes, mas também pode fortalecer parcerias para que todos os serviços possam ser ofertados. “Nós somos uma empresa global de provimento de capacidade de satélite e temos quatro unidades em termos de comercialização e suporte ao cliente, nas Américas, Europa, África e Ásia. Fibra não é o nosso negócio, não temos aqui”, relata Estevão Ghizoni, diretor geral de Vendas das Américas da ABS Satéllite. “Em modelos de serviços, aqui no Brasil, nosso interesse, por enquanto, é trabalhar com nossos parceiros. Mesmo Europa e Ásia, onde temos isso, é sempre junto com parceiros. Não queremos competir com os nossos clientes, queremos trabalhar juntos, trazer valor adicionado e cooperar”, completou.
Soluções
Algumas das soluções encontradas para atender o mercado broadcasting estiverem presentes no SET EXPO este ano. “Trouxemos a nossa solução de OTT, por exemplo, que é uma solução não satelital, e sim terrestre. A maioria dos nossos clientes precisa de uma solução híbrida, eles querem estar nos dois meios, querem ser multiplataforma. Também apresentamos a nossa solução de VOD, de video-on-demand satelital, uma solução que não precisa de internet, onde o cliente pode receber filmes e séries em sua casa, mesmo que não tenha acesso a internet, o que nós chamamos aqui de VOD everywhere, porque, em qualquer lugar, ele pode ter um serviço parecido com as plataformas VOD tradicionais”, disse Jurandir da SES Vídeo.
A InternetSAT também esteve presente com sua unidade móvel de conectividade (UMC-SAT) para o mercado de broadcasting “Trouxemos uma UMC, uma unidade móvel de comunicação de baixo custo, onde podemos usar um uplink para substituição de custo de Banda C, que é muito caro hoje. Então esta é uma alternativa onde o cliente consegue fazer uplinks com custo 5 vezes menor do que na Banda C”, explicou Paulo Boffe, executivo da InternetSAT. “Nós temos, também, um backbone em fita uma alternativa ou uma redundância para o satélite. Temos por uma questão de necessidade do cliente”, completou.

Satélite mantém sua importância

Durante a programação do Congresso, se realizou o painel “O futuro da TV, do OTT e do Streaming via Satélite na Era da Nuvem, da IA e do 5G”. A discussão, que contou com a participação dos principais players das operadoras de satélite, mostrou como eles estão movimentando-se para trazer aos serviços uma pluralidade de ofertas, no sentido de não se extinguir, mas sim de manter-se fortes diante do cenário atual. George Bem, CEO da InternetSAT, disse que “o satélite é o meio básico hoje de comunicação para localidades remotas”. E, segundo ele, devido à capacidade altíssima do satélite, o uso dele não se dispensaria, mas, sim, estaria compondo mais tecnologias híbridas.
No painel, George Bem afirmou que o InternetSAT Broadcasting é acessível a qualquer emissora de televisão, produtoras e organizadores de eventos que queiram ter uma “SNG de baixo custo, além de um kit móvel que possa ser transportado inclusive no avião ou acoplado no seu mochilink atual para fazer um evento, pois confiar somente na rede de celular que é variável e não é garantido que funcionará a 100% do tempo, a internetSAT Broadcasting trará a confiabilidade e banda 99.99% disponível e dedicada durante a transmissão”.
No estande, Paulo Boffe, reforçou à reportagem que “o satélite é uma alternativa à mobilidade, porque hoje temos eventos  que têm uma grande massa de pessoas utilizando o 3G, 4G, que seria uma alternativa para uplink, mas, em grande volume de pes
soas aglomeradas em um único local, acarreta saturação das antenas de 3G e 4G, e as empresas que precisam de transmissão
e desejam fazer o uplink ficam sem banda. Então,  se ela tiver uma banda dedicada para fazer fora da  internet, fora do 3G, 4G, o cliente consegue fazer o uplink e realizar uma boa transmissão. Essa é a alternativa, por isso focamos neste lado”.
A tecnologia de telefonia móvel 3G, 4G se tornaram importantes. Os clientes querem estar conectados, mas as empresas sabem que, em alguns lugares remotos, o satélite é uma melhor forma de conexão, ainda mais se for considerada a realidade brasileira que mostra que mais de 190 cidades do Norte e do Nordeste, por exemplo, passam por uma deficiência de infraestrutura nesse sentido, segundo dados do IBGE. “O cliente está em um navio de cruzeiro com a sua família, quer assistir vídeo, a sua operadora dentro do navio é o satélite. Se o usuário está em uma ilha, por exemplo, Fernando de Noronha, em um resort, a fibra não vai chegar. Ela pode chegar? Pode, mas é muito caro, inviável. O sistema wireless que o satélite permite vai ser, sempre, relevante em muitos destes ambientes”, completou o executivo da SES.
Empresas voltadas para sistemas de distribuição além do satélite entendem que há um caminho de alternativas e cooperação. “A VIACast é mais voltada para internet, utilizar IP. O satélite é mais o nosso parceiro, não trabalhamos com a tecnologia do satélite em si, mas conseguimos implementála nos nossos produtos”, disse o executivo da VIACast. “O satélite é usado quando não conseguimos ter nenhum tipo de sinal de operadora. Então se tenho uma limitação de infraestrutura da operadora, aí só o satélite que vai atender. É a alternativa”, finalizou.

Por Fernanda Fernandes com orientação do Prof. Dr. Francisco Machado Filho (UNESP) e Prof. Dr. Fernando C. Moura (Revista da SET). A aluna participou do Congresso SET EXPO e do SET EXPO 2019 como parte
do convênio Unesp/Revista da SET. Edição do texto: Fernando C. Moura