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Futurecom 2018: Experiências imersivas, 5G para transmissões 8K e AI

Reportagem Especial

Claro e Huawei lançam aplicação de streaming de vídeo 8K  por 5G com conteúdos da Globo que ainda explicou que o VR  é fundamental para engajar o público e monetizar conteúdos e como trabalha o Globoplay, principal OTT brasileira

por Fernando Moura, em São Paulo

A 20ª edição do evento mais influente nas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) da América Latina se realizou no São Paulo Expo reunindo mais de 29 mil profissionais e acadêmicos que colocaram em discussão as questões que possibilitarão o avanço das comunicações, além de expor todas as soluções mais avançadas em tecnologia.
Na palestra, “Muito além do Entretenimento: A Diversidade de Aplicações de Realidade Virtual Aumentada”, realizada no Futurecom 2018, Marcelo Zuffo (USP) afirmou que a Realidade Virtual (VR) é um dos desafios da engenharia do século XXI porque ela é a “interação com uma realidade digital criada para melhorar as situações”.
Raymundo Barros, CTO do Grupo Globo, explicou o que a empresa começou a trabalhar em realidade aumentada (VRA) e publicidade na década de 1990, quando trackeava a câmera e se inseria publicidade “permitindo que as pessoas tivessem em casa uma experiência pioneira de realidade virtual. A jornada evoluiu das inserções de elementos 2D nas áreas esportivas para passar a incluir elementos gráficos virtuais que são utilizados em captações enriquecendo a experiência”.
O executivo disse que para engajar o público, um dos principais objetivos da utilização da tecnologia, “nós faltava interação natural com os elementos gráficos limitando as experiências dos apresentadores e do público. Na Copa da Rússia trabalhamos a Realidade Aumentada com um device de mixer que permitia interagir com um estúdio de render capture com ícones virtuais e holográficas sincronizadas com as câmeras, e assim ter uma interação muito natural com os elementos”. Para Barros, este foi o início de uma nova forma de interação, porque “hoje as experiências são limitadas ao ambiente do estúdio, mas as nossas áreas de tecnologia da Globo trabalham para que a experiência chegue a casa das pessoas enriquecendo a experiência”.

Segundo Barros, a experiência tem como objetivo o engajamento da audiência. “O consumidor demanda uma experiência mais imersiva”, além do alcance da audiência. Por outro lado, argumentou o executivo, “há uma oportunidade de comercialização” com o branding content com ações de merchandising, ou “eventualmente a interação com avatares pode ser um forma muito interessante de monetização”.

8K transmitido por 5G
Soluções para tornar as empresas eficientes e competitivas também foram apresentadas neste Futurecom 2018 como a chegada do 5G que será “fundamental” para impulsionar tecnologias inovadoras como blockchain, inteligência artificial, machine learning, IoT e realidade aumentada. Um exemplo disso foi o lançamento da tecnologia da Huawei e da Claro que permite a transmissão de vídeos 8K por streaming em uma rede experimental 5G com 100 MHz na faixa de 3,5 GHz.
Segundo informou a Claro na feira, os testes começaram a ser desenvolvidos em julho deste ano, atingindo baixa latência (1ms) a uma velocidade de 3,2 Gbps. Mas ainda esta em testes, e ainda precisa ser testada juntamente com serviços de TV satélite na Banda C (TVRO).
Luiz Fernando Bourdot, diretor de Evolução Tecnológica de Rede da Claro, afirmou à reportagem a Revista da SET que o desenvolvimento foi pensado a futuro. “Trabalhamos com o conceito de demanda de rede e de trafego” que considera basicamente “ter uma banda maior, com menor latência e que permita a comunicação massiva de conteúdos”.
De todas as formas, Bourdot sabe e tem consciência de que a tecnologia para o 5G está pronta, mas precisa de regulamentação, por isso, disse, “não sabemos quando ela virá. O ponto é que devemos estar preparados para a sua chegada. Este é um salto importantíssimo, não só em termos tecnológicos, mas também e modelo de negocio. Para transmitirmos 8K precisamos pelo menos uma rede que suporte 1 Gigabits/seg”.
Para o executivo, um ponto clave será como a Anatel regulará o serviço e como será feito para “evitar interferências”, porque segundo ele, “hoje o maior gargalo está na interferência que pode ser provocada com a convivência com outros sistemas para assim evitar interferência que possa evitar o serviço de TV por satélite que utiliza a banda que seria destinada ao 5G”.

Teresa Penna (Globoplay) afirmou que a empresa tem um algoritmo de aquisição que trabalha alimentado por dados de costume dos usuários que não são assinantes pagos, que entre outras coisas, “oferece pacotes de assinatura para quem está vendo trechos de novelas, com o gancho da possibilidade de ver capítulos na íntegra. Este tipo de ação garante um aumento até 20% em novos usuários”

Serviço OTT
O Globoplay ganhou um novo lugar na Globo e aos poucos se transformou em uma ferramenta de negocio muito importante do grupo. No Futerecom, Teresa Penna (Globoplay) afirmou que a experiência logada do serviço é fundamental para a empresa. “Necessitamos saber utilizar esse mundo dos dados a nosso favor”, para isso, mudamos alguns procedimentos. “trabalhamos com um time de desenvolvedores totalmente independentes, ou seja, aquela coisa de aprovações não existe mais. Agora baseamos tudo em dados, se o UX (User Experience) é bom porque o botão é mais acessado, serve porque o que queremos é trazer coisas que tragam assinantes”.
Tudo, disse Teresa porque com o primeiro Globoplay “tínhamos um clouster como um produto híbrido. Agora estamos transformando o produto em um serviço mais robusto, queremos ter uma imensa quantidade de produtos nacionais e internacionais, por isso, precisamos saber o que consume nosso espectador. Fizemos uma ação para pegar a base de pessoas que se logaram para votar no BBB, fizemos uma intervenção com essas pessoas e conseguimos aumentar 20% as assinaturas do GloboPlay”.
A executiva afirmou que os dados falam, “mudamos a leitura e hoje são os dados que nos vão falar. Para produzir UX em nossos usuários precisamos engaja-los. Produzimos algoritmos de recomendação que nos permitem ser muito assertivos. Temos algoritmos de aquisição e de recomendação. Existe valor quando se utilizam os dados. Precisamos dar reversão porque sabemos, por exemplo, porque o assinante saiu. Usamos os algoritmos para fazer voltar os assinantes. Não fazemos ofertas de valor. Não damos desconto, o que fazemos é mostrar a experiência em base ao consumo. A experiência é gerir o nosso portfolio com conteúdos que fortalecem a nossa marca (branding content)”.
Teresa confessou que para o Globoplay, o algoritmo é mais que dados, porque com ele se “privilegia o diferente, a descoberta”. Nesse caminho de mudança estratégica do serviço, a Globo pensa em parcerias com as operadoras, porque desde a perspectiva da executiva, são fundamentais para “aumentar a capilaridade e a performance, e com isso, a experiência nativa que é muito melhor com parcerias, porque elas evitam a experiência responsiva do HTML”.

Com a Anny, robô humanoide desenvolvida pela Realbotix, a empresa demonstrou como a Inteligência Artificial (IA) pode ser utilizada para auxiliar em diversas áreas

Inteligência Artificial
Um dos tópicos principais do Futurecom foi a inteligência artificial (AI) e as suas implicações em termos de desenvolvimento tecnológico e como este pode ser utilizado nas diferentes arestas das telecomunicações.
Na exposição, destaque para Anny, primeira robô humanóide hiper realista com inteligência artificial disponível para venda no mercado global. Fluente em inglês estava aprendendo o português durante a feira, e os seus desenvolvedores afirmaram que em 2019, chegará ao “mercado brasileiro para ajudar empresas a modernizarem seus negócios”, afirmou à reportagem da Revista da SET, Allysson Silva, da Realbotix, empresa responsável pela venda do robô.
“NextOS, em Curitiba, desenvolveu o software. A parte mecânica e de robótica foi desenvolvida pela Realbotix e a Daxtron, empresas norte-americanas. O principal objetivo da Anny é mostrar que pode existir interação com robôs dotados de AI, e que estes dispositivos estão preparados para aprender e melhor os seus conhecimentos”, disse o executivo.
O principal objetivo de Anny é realizar atendimentos presenciais ao consumidor, pode atuar em diversos setores. “Estamos avançando rapidamente na fala dos robôs, para que possam desenvolver uma conversa mais fluida e contínua. A tendência é que as próximas unidades da Anny possam reconhecer as pessoas e objetivos, além de falar português. Passamos por uma grande revolução da inteligência artificial e da comunicação e acredito que, num futuro próximo, possamos treinar robôs para fazer o bem e resgatar o que há de melhor na essência do ser humano”, frisou o diretor de inteligência artificial da Realbotix, Guile Lindroth.

Futurecom
Em 2018, o Congresso Internacional abordou três grandes blocos de temas – New Market Environment, Hyper Connectivity e Disruptive Technologies com painéis de debates e keynotes que discutiram as principais das TIC e do ecossistema corporativo que envolvem a transformação digital em vários segmentos
Durante o evento, mais de 300 marcas expuseram as suas novidades e mostraram o que há de mais inovador e disruptivo neste mercado. Na ocasião, foram proporcionadas inúmeras oportunidades de geração de negócios, conteúdo e conhecimento, uma vez que o congresso reuniu grandes nomes do setor, como presidentes das operadoras e principais players do mercado.