ISE 2026: Nanocosmos estreia com plataforma de streaming em tempo real baseada em MOQ

Empresa alemã apresenta em Barcelona uma arquitetura de baixa latência voltada ao mercado AV profissional, com foco em interatividade, estabilidade global e novas ferramentas de processamento de vídeo em nuvem.

A Nanocosmos, empresa desenvolvedora de solucoes de streaming de vídeo de baixa latência, participou pela primeira vez da ISE 2026, realizada de 3 a 6 de fevereiro, no Fira Barcelona Gran Via, Espanha. A companhia apresenta ao mercado AV profissional sua nova geração de plataforma para streaming interativo em tempo real, agora baseada em Media Over QUIC (MOQ) — protocolo emergente que promete transformar fluxos audiovisuais ao oferecer resiliência, estabilidade global e precisão temporal mesmo em redes adversas.

Em entrevista à Revista da SET, Oliver Lietz, CEO da Nanocosmos, disse que a adoção do MOQ torna possível entregar vídeo ao vivo interativo em grande escala, suportando casos de uso como webinars corporativos de alto volume, assembleias, operações de segurança pública, aplicações de missão crítica, além de formatos de entretenimento gamificado e experiências de engajamento em tempo real. “O MOQ melhora a estabilidade e a confiabilidade em escala global, mesmo em condições de rede precárias, e fornece uma base consistente para interações em tempo real”.

Além da camada de transporte avançada, explicou Lietz, a Nanocosmos apresenta novas funcionalidades integradas diretamente à plataforma, incluindo transcrição e tradução ao vivo baseadas em legendas em tempo real, ferramentas de processamento de vídeo em nuvem como chroma key ao vivo, e recursos de repetição (DVR) e gravação integrada. O objetivo é permitir que integradores ampliem acessibilidade e alcance multilíngue sem gerar workflows adicionais ou acréscimo de latência, mantendo um pipeline unificado desde a ingestão até a entrega final.

Lietz destacou que a Nanocosmos construiu toda a base tecnológica internamente — da engenharia do player à CDN global, passando pelo protocolo proprietário de baixa latência que agora evolui para o ecossistema MOQ. “Criamos a tecnologia desde o início: o software, a CDN, o player e as ferramentas analíticas. Nosso sistema mantém latência abaixo de um segundo e funciona em qualquer navegador, independentemente da condição de rede”, explica. Ele ressalta que a plataforma foi projetada para fluxos interativos, não para transmissões massivas típicas do broadcast tradicional. “Não é uma solução para milhões de espectadores acompanharem um grande evento esportivo. Nosso foco é quando a interatividade determina o valor da aplicação: leilões, apostas esportivas, treinamentos, marketplaces, participação cidadão ou operações críticas. É nesses casos que o tempo real faz diferença”.

O ingest do vídeo pode ser feito com codificadores padrão, via RTMP ou SRT, e a entrega é realizada por um player universal no navegador. Para dispositivos e navegadores ainda não compatíveis com MOQ, a plataforma mantém automaticamente tecnologias anteriores, como WebSocket e HLS otimizados, garantindo interoperabilidade sem esforço adicional para o usuário.

Em relação ao mercado broadcast, Lietz vê complementaridade, não substituição. “O broadcast e o streaming interativo podem se fortalecer mutuamente. Nosso papel é levar qualidade de broadcast para cenários de streaming onde cada segundo importa — seja para monetização, segurança, tomada de decisão ou engajamento em tempo real.” Ele observa que emissoras podem se beneficiar da plataforma quando buscam criar comunidades, aplicações de nicho ou extensões interativas de conteúdo, e não necessariamente para transmissões massivas.

Embora a empresa opere globalmente, Lietz destaca que o Brasil desempenha um papel estratégico para a Nanocosmos, tanto pela presença crescente de clientes quanto pela necessidade de fluxos interativos transcontinentais entre Europa e América do Sul. Questionado especificamente sobre o uso da plataforma por broadcasters brasileiros — por exemplo, na transmissão de grandes eventos esportivos como futebol ou Olimpíadas — o CEO afirma que nas fronteiras de aplicaçãonão se trata de substituir satélite, cabo ou redes de contribuição de alta capacidade, que já entregam com eficiência conteúdo massivo para milhões de espectadores. “Nossa plataforma não foi feita para audiências de massa relaxarem e assistirem a um grande evento esportivo”, afirma. O valor para radiodifusores surge em modelos paralelos de engajamento: comunidades segmentadas, experiências premium, ambientes de comercialização, fan engagement ou aplicações gamificadas como apostas esportivas em tempo real, destinadas não a milhões, mas a públicos específicos de algumas dezenas ou centenas de milhares de usuários. “Quando você quer construir uma comunidade, monetizar uma base menor ou criar uma experiência interativa em tempo real, é aí que entramos. Esse tipo de conteúdo precisa de latência subsegundo — e isso o broadcast tradicional não entrega”, explica Lietz.

Por Fernando Lopez Cisneros em Barcelona (Reportagem e fotos) e Fernando Carlos Moura, em São Paulo (Edição).