ISE 2026: Ebantic e Fujifilm apresentam ProArchive para preservação digital
Lançado mundialmente em Barcelona, o ProArchive combina a robustez do LTO da Fujifilm com uma camada de software desenvolvida pela Ebantic, oferecendo preservação segura, local e escalável para fotos, vídeos e acervos digitais de longo prazo.

O ISE 2026 foi uma edição especial para a empresa catalã, Ebantic, já que realizou o lançamento mundial do ProArchive, uma solução desenvolvida em parceria com a Fujifilm que combina hardware de armazenamento LTO (Linear Tape-Open) e uma plataforma de gestão desenvolvida pela equipe de Carles Rams, CEO da empresa.
O executivo explicou à reportagem da Revista da SET que o ponto de partida do projeto está na própria estratégia da Fujifilm que “fabrica as fitas LTO e queria oferecer esse armazenamento como serviço, instalando um robô de fitas em um data center local em Barcelona. Eles buscavam uma empresa especializada em software para desenvolver a camada de software de gestão — praticamente um Media Asset Management (MAN) especializado — e chegamos a um acordo de parceria”, conta Rams.
Com capacidade que chega a 30 TB por unidade na geração LTO‑10, o sistema armazena a alta resolução inteiramente em fita, enquanto o software da Ebantic gera versões em baixa para indexação, visualização via navegador e recuperação rápida. “O usuário final pode subir fotografias, vídeos ou qualquer objeto digital. Criamos os proxies e armazenamos os originais nas cintas LTO, preservados em um data center local”, explica.
A solução chega apoiada na filosofia de que preservar não é apenas guardar. “Preservar conteúdos já não é só de armazenar. É garantir acesso, segurança e futuro aos arquivos audiovisuais”, afirma Rams. Segundo ele, o sistema foi pensado para permanecer vivo por décadas, adaptável à evolução das gerações LTO e às necessidades de cada cliente.
Para organizar, descrever e localizar os objetos digitais, o ProArchive utiliza tanto a metadata embutida nos arquivos quanto novos metadados gerados por inteligência artificial. “Extrair dados técnicos como câmera, obturador, diafragma ou geolocalização é automático. Além disso, aplicamos IA para descrever as cenas e permitir buscas mais precisas. Não faz sentido usar reconhecimento facial em acervos generalistas, mas a descrição de imagem sim”, explica. O backend se apoia no framework próprio da Ebantic, adaptado às necessidades da Fujifilm, incluindo módulos de transferência, transcodificação e gestão dos proxies — um DAB moderno sobre infraestrutura física de longa vida.
Embora o lançamento tenha acontecido na ISE 2026, o sistema ainda está na fase inicial. “É o lançamento, não temos clientes ainda. Mas há um ponto importante: é também uma mudança de modelo da Fujifilm. Eles sempre foram uma empresa de hardware e agora estão dando um passo para serviços. Isso, para nós, é um dos aspectos mais destacáveis”, avalia.
Durante os quatro dias de feira, o ProArchive atraiu profissionais de perfis variados — desde curadores digitais até integradores de broadcast. “A edição deste ano teve algo especial. A acolhida do ProArchive foi excelente e cada conversa no estande trouxe valor. Poder trocar ideias sobre o futuro da preservação nos ajuda a afinar uma solução feita para durar”, afirma Rams.
Questionado sobre limites da solução, o CEO foi categórico: não há restrições quanto ao tipo de arquivo. “Não está limitado, pode armazenar qualquer objeto digital, documentos, vídeos, audiovisual ou não audiovisual. O LTO já é usado há muitos anos por bancos e instituições que precisam de armazenamento seguro. Não inventamos nada — é a versão número 10 de uma tecnologia que evolui a cada dois anos”.
Por Fernando Lopez Cisneros em Barcelona (Reportagem e fotos) e Fernando Carlos Moura, em São Paulo (Edição).