MWC26: Plano nacional de conectividade para escolas rurais e remotas no Brasil

A SES e a IUH! apresentaram, nesta terça-feira (3/3), o desenvolvimento de conectividade em escolas de áreas rurais de difícil acesso no Brasil que utiliza uma solução combinada de satélites de baixa órbita, fibra, 5G e FWA para conectar mais de 6 mil estabelecimentos educativos. 

Na foto Ricardo La Guardia, VP de vendas para América Latina da SES, com o CEO e fundador da IUH!, Laerte Magalhães

Durante o MWC 2026, que se realiza de 2 a 5 de março, na Fira Gran Via, em Barcelona, a SES e a IUH! apresentaram os resultados do maior programa de conectividade já implementado em escolas rurais e áreas remotas do Brasil — um território onde, historicamente, os operadores tradicionais não conseguem atuar devido a desafios de logística, infraestrutura e acesso.

Na palestra “IUH!, conectando o inconectável: lições dos territórios mais complexos do Brasil”, o CEO e fundador da IUH!, Laerte Magalhães, destacou que o projeto marca a passagem “da teoria à grande escala de execução em um país que é um continente”. Hoje, segundo ele, mais de 5.000 pontos estão conectados, principalmente em escolas, graças a um modelo de distribuição tecnológica nacional que combina múltiplas soluções — fibra, redes móveis, FWA e satélites — incluindo de forma decisiva a frota de satélites LEO (Low Earth Orbit) que operam em órbita terrestre baixa, entre 350 km e 2.000 km de altitude, da SES.

Magalhães enfatizou que o foco do projeto nunca foi a tecnologia pela tecnologia, mas sim atender a demanda real: “Nós procuramos onde a escola está e, a partir disso, buscamos a melhor tecnologia”.

O executivo da IUH! explicou que o Brasil apresenta dimensões que tornam inviável depender de uma única infraestrutura. Exemplos citados incluem: O estado do Amazonas, comparável à área da França, Alemanha e Espanha somadas. Minas Gerais, maior do que o Reino Unido. Mais de 5.000 municípios, dos quais pelo menos 1.000 não possuem fibra óptica. Por isso, o programa integra fibra, 5G, FWA, satélites GEO e, principalmente, satélites LEO da SES, que entregam alta velocidade e baixa latência, fundamentais para uso pedagógico. Segundo Magalhães: “Mais do que conectar, é conectar com qualidade — para que a educação consiga usar a tecnologia de forma real”.

Impacto em escala nacional

Com o uso combinado das tecnologias, explicou Magalhães, o programa já entrega “conexão estável com alta velocidade e baixa latência”, a mais de 300 mil estudantes em mais de 6000 estabelecimentos educativos em 932 municípios de 23 estados brasileiros. Dessas, 1.500 escolas estáo conectadas por tecnologia LEO, somando a outras 700 conectadas por soluções satelitais complementares.

Operação em regiões extremas

Segundo Ricardo La Guardia, VP de Vendas da SES para a América Latina, o diferencial foi a possibilidade de instalar terminais compactos, robustos e fáceis de transportar, preparados para áreas remotas da Amazônia, muitas vezes acessíveis apenas por barco. “Isso foi possível com a instalação de terminais ágeis e compactos em áreas de difícil acesso”, explicou e reforcou que com a IUH, em locais onde a logística é complexa e o suporte técnico não pode depender de visitas físicas, a tecnologia da SES permite monitoramento remoto, menor manutenção e maior confiabilidade — fatores essenciais para podes ganhar escala.
Magalhães destacou um caso emblemático: a conexão de escolas ribeirinhas em Santarém (PA), onde as instalações exigem horas de navegação e onde muitas comunidades sequer possuem energia elétrica. Mesmo assim, o terminal LEO permitiu que estudantes tivessem acesso, pela primeira vez, à internet de alta velocidade.

Estratégia nacional e uso de recursos do 5G

O programa faz parte do “Aprender Conectado”, coordenado pela Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (EACE) éniciativa financiada com recursos obrigatórios do leilão de espectro 5G — quase US$ 1 bilhão destinados à conectividade de 40 mil escolas. Magalhães destacou:“Se nós conseguimos conectar as 40 mil escolas mais difíceis do Brasil, nós podemos conectar tudo”, e finalizou dizendo que isso é foi possível com “a integração de estratégias, o uso eficiente de recursos e múltiplas tecnologias. Se conectamos o Brasil, podemos conectar o mundo”.

Por Fernando Lopez Cisneros (Reportagem e Fotos) e Fernando Moura (Edição de texto e vídeo)