Panorama Executivo traz destaques da NAB Show 2026 e apostas para as próximas edições

Executivos avaliam destaques da NAB Show 2026, apontam a consolidação da TV 3.0, o avanço prático da inteligência artificial e reforçam o networking como diferencial estratégico do evento.

O painel de encerramento do SET:30 de 2026 reuniu executivos de diferentes segmentos da indústria de telecomunicações para compartilhar seus destaques e pontos de vista sobre as principais atrações da NAB Show. A IA foi consenso nas oportunidades, junto com a satisfação de finalmente poder ver a TV 3.0 funcionando. Já a representatividade do mobile frente às tecnologias mais atualizadas dividiu opiniões entre os participantes, e network continua sendo o principal diferencial de eventos como esse. 

Rodrigo Martinez, VP da Rede CNT, exaltou a importância do espaço que a TV 3.0 teve durante o evento, e destacou o avanço do protagonismo brasileiro na radiodifusão. “Já participei de tantas edições anteriores, nas quais diversas tecnologias prometiam entrega e simplesmente sumiram do mercado, como a TV 3D. Ver a consolidação do tema da TV 3.0 e partir para encontrar o next gen dentro dessa tecnologia são incentivos fundamentais para, quem não acreditava, passar a acreditar no nosso setor”, declarou. 

A gerente sênior do regulatório de tecnologia da Globo, Ana Eliza Faria e Silva, disse estar otimista com a IA, uma vez que durante o evento foi possível conferir agentes inteligentes executando tarefas concretas, resolvendo problemas reais de negócio e dando conta da fragmentação do ambiente digital. “Isso fica evidente no pavilhão de IA, com propostas de integração e soluções que respondem diretamente a esse cenário. Essa evolução veio para reduzir a diferença que existia entre nativos digitais e outros perfis, já que hoje contamos com ferramentas que entregam agilidade e capacidade de lidar com grandes volumes de dados”. 

O ex-presidente da SET e moderador do painel, Fernando Bittencourt, aproveitou para complementar a executiva e declarou que a IA não deve mais figurar como protagonista da próxima edição, pois “vai estar diluída em outras soluções, como acontece com a maior parte das tecnologias”, afirmou. Sua opinião é corroborada por todos os participantes. 

Thiago Perrella, diretor de engenharia e tecnologia para a Rádio Televisão Bandeirantes e José Marcelo Amaral, diretor de Engenharia e Operações na Record TV, que destacou a importância das abordagens que pretendiam ter conteúdo que virasse dados e maximizar resultados em novos conteúdos. “Enxergo como modelo prático para conseguir praticar a TV 3.0. com exatidão”, declarou.

Na opinião dos participantes, O DTV+ também surge como uma resposta a esse contexto, tentando encontrar relevância em um ambiente cada vez mais fragmentado, diferente do modelo centralizado de comunicação que tínhamos antes. Amaral trouxe o contraponto a partir da visão da indústria de software, e citou referências de como o telespectador poderia ser mais ativo com a tecnologia. “No estande ATSC foi abordado como trazer de volta as pessoas que perdemos para o digital, ou que não têm o hábito de assistir. São ideias de programas interativos, shopping tv e revitalização de acervo e arquivo morto”, citou. Isso, explica, resolve parte dessa equação e aproxima o telespectador no sentido de cauda longa.

No caso da Copa do Mundo, por exemplo, o debate mostra uma mudança importante: antes, a cobertura esportiva era essencialmente linear, mas, para a geração Z, o jogo é apenas parte da experiência. Há uma demanda por conhecer os atletas, acessar bastidores e consumir esse conteúdo dentro da jornada. “Isso aponta para um novo modelo de cobertura, que vai além do evento em si e amplia o papel das emissoras”, pontuou Ana Eliza.

Os participantes do evento também foram convidados a contribuir e destacaram o rádio híbrido como tendo o seu momento. Carlos Fini, também ex-presidente da SET, compartilhou ter sentido falta de assuntos específicos para o mobile, “que parece estar avaliando e esperando algo enquanto Telecom está avançando com o 5G. Esse timing é importante e me frustrou ao perceber que ainda não houve avanço no tema”, afirmou.

A executiva da Globo ponderou sobre a questão e comentou que as discussões não estão paralisadas, mas  estão sendo tratadas como parte da Release 19. “O problema dele é não conseguir ofertar para a base celulares e dispositivos que comportem as tecnologias que estão sendo incluídas no broadcast, frustrando mercado e consumidor”, afirmou. 

Os participantes acreditam que o setor vai se mover quando houver articulação conjunta. “Essas conversas têm que acontecer em eventos como este, por meio de networking, para transformar essa demanda numa feature a ser incorporada no próximo iPhone, por exemplo”, complementou Ana Eliza. 

Thiago Perrella, da Band, afirmou ter identificado que o setor de Telecom ainda perde para o digital, e que seria interessante encontrar soluções com AI para quando a  programação passar a ter componentes não lineares. “Espero encontrar um sistema que possa sugerir e definir como um conteúdo pode ser incrementado, seja com  compra na TV, áudio imersivo e chat. Facilitaria bastante a iniciativa que vamos precisar colocar na DTV +”, refletiu.