TV 3.0 desafia o audiovisual a se mostrar para a indústria como complementar ao digital

Com a TV 3.0 no ar, o mercado audiovisual transmídia vêm se adaptando para manter qualidade de som e imagem, enquanto encontra maneiras de adicionar oportunidade de engajamento e novas fontes de receitas. “A forma de se fazer audiovisual deixa de ser linear, com fronteiras de produção bem definidas. Então as empresas precisam considerar essas mudanças para se manterem relevantes e competitivas”, explicou Igor Macaubas, coordenador do GT de Streaming da SET, e diretor de produto, engenharia e produtos digitais da Globo. 

Macaubas moderou o painel “Monetização transmídia: conectando conteúdo, plataformas e novos modelos de negócio”, que contou com a participação dos executivos Marco Lopes, CEO da Mediastream Brasil, e Marcel Corrado, gerente de parcerias estratégicas para mídia e entretenimento do Google. 

Para Corrado, a complexidade do desafio se dá quando entendemos o conceito de transmídia além do multiplataforma, e enxergamos uma visão de complementaridade, onde cada player tem seu papel: “Não estamos falando de canibalização nem substituição de players, mas sim de falar uma só linguagem e lógica para atribuir e mensurar os dados de maneira consistente”, disse.

Lopes complementou que além das entregas de playback de qualidade, distribuição em escala, boa latência de sinal, web search e interação, a jornada do consumidor também tem papel importante, pois está está fragmentada. “Antes as pessoas consumiam conteúdo no jornal, rádio ou TV. Agora estamos sendo bombardeados com informações até mesmo no elevador. Nós (empresas e setores de radiodifusão) vamos ter que construir essas soluções juntos, senão não vamos encontrar monetização”, detalhou.

Os executivos apontam que o modelo de capitalização híbrido, entre conteúdo e plataforma, deverá ser mantido, mas é preciso pensar também nos detalhes que completam a jornada do consumidor. “O consumidor vai exigir ambientes imersivos, oportunidade de compra e novidades com mais frequência. Então um modelo de conteúdo premium pode funcionar melhor no começo e depois migrar para o advertising. Temos que aproveitar o que já está funcionando para não deixar o dinheiro na mesa”, explicou.

Questionados a respeito de qual frente deverá liderar essas definições, os convidados divergiram e explicaram suas opiniões. “A minha sensação é de que a demanda está puxando essas mudanças e a indústria pode não estar preparada para entregar, por isso vamos ter que nos organizar melhor como setor”, avaliou Lopes.

Já o representante da Google disse que a oportunidade vem do outro lado, uma vez que o aumento de criadores de conteúdo faz com que muitas oportunidades não sejam absorvidas de imediato. “A verdade é que os anunciantes e criadores ainda demandam instruções e acompanhamento para entender como aproveitar tudo o que essas plataformas já oferecem e estão disponíveis, deixando muitas soluções subutilizadas por falta de conhecimento”. afirmou. 

Já no “ao vivo”, o ponto mais sensível é oferecer oportunidades para os anunciantes sem interromper a transmissão. “É neste momento que o consumidor muda de canal, então porque não aproveitar para entregar as informações que ele procura e ainda uma oportunidade de adquirir o produto ou serviço após a transmissão?”, indagou Corrado

Do ponto de vista do executivo da Mediastream Brasil, o setor ainda precisa se aprofundar  no digital programático, tanto para auxiliar a destravar conteúdo quanto na montagem linear. O executivo da Google também aposta no aprofundamento do digital, e adiciona a capacitação profissional como requisito em qualquer emissora, seja por meio de parceiros ou quadro de executivos. “Onde há desafio, há possibilidade e precisamos capturar essa brecha. Só assim vamos ter uma indústria forte que vai conseguir quebrar o discurso de que o broadcast é sempre atacado pelo digital. A TV 3.0 e entender que estamos com uma porta aberta para fundir os dois mundos”, finalizou.