MWC26: Soluções brasileiras ganham escala apostando na compressão de dados
Empresas e startups brasileiras apresentam desenvolvimentos no estande Brasil IT+, pavilhão que reúne 28 firmas nacionais que realizam demonstraçoes de diferentes áreas, com destaque para a compressão de vídeo em 8K.
A Diagnext participa pela terceira vez no Mobile World Congress (MWC26), que se realiza em Barcelona de 2 a 5 de março, no estande das empresas nacionais, onde está apresentando a sua solução de compressão de vídeo. Em entrevista à reportagem da Revista da SET, Leonardo Melo, diretor executivo da empresa, disse que a Diagnext construiu a sua trajetória a partir da pesquisa aplicada em telecomunicações, e assim a empresa desenvolveu tecnologia própria ao longo dos anos. “Desenvolvemos protocolos de comunicação, equipamentos, sistemas e uma solução por inteiro. Juntou toda uma sabedoria dentro desse segmento.”
A telemedicina surgiu como desdobramento natural dessa expertise, especialmente para atuação em ambientes remotos. “Nós somos a única solução que opera a telemedicina no Amazonas há 14 anos (…), são 106 mil exames por ano que a gente faz no Amazonas.” A empresa já caminha para a sétima patente industrial e mantém parcerias tecnológicas com a Intel.
A partir de 2017, a Diagnext passou a aplicar seu conhecimento em compressão de dados para vídeo, áudio e documentos digitais. Com o avanço da inteligência artificial, os resultados se intensificaram. “Conseguimos fazer (…) 92% de compressão sem perdas visuais, até chegar a 99,9% de compressão em cima de vídeos médicos.”
O diferencial, segundo Leonardo, está na reconstrução completa do modelo tradicional que permite que a tecnologia atue tanto frame a frame quanto no vídeo completo e mantém o padrão de mercado. “Eu não mudo a extensão, então o cliente não é refém meu. O dado nunca é meu, o dado é do cliente final”,.
Explicando a operaçao, o executivo disse que uma empresa particular da Noruega os procurou porque fazem gravação do acervo digital de longa data, de longo período (mais de 100 anos), e precisavam pegar “um vídeo que ocupava oito rolos. Com a nossa tecnologia, o mesmo vídeo ficou em parte de um rolo, então assim, nós fomos parceiros naturais, o rolo de filme de cinema, aqueles de 32mm, diminuiu para menos de um”.
Outro ponto estratégico é evitar aprisionamento tecnológico do cliente. “Quando eu gravo um vídeo mp4, mais tradicional ou mkv, o sistema nosso responde mkv, mp4, eu não mudo a extensão, então o cliente não é refém meu.” Ele reforça: “O dado nunca é meu, o dado é do cliente final.”

Leonardo Melo, diretor executivo da Diagnext
Melo afirmou que a solução foi testada inclusive em acervos históricos. A empresa foi convidada pelo Institut Lumière, na França, para comprimir obras de Charlie Chaplin. “Mesmo com o diretor de cinema olhando, não perceberam a diferença.” Em outro caso, um arquivo de 52GB foi reduzido para 6GB sem perda perceptível.
Para Leonardo Melo, “o evento ampliou nosso relacionamento com players globais de telecomunicações e saúde digital”, consolidando parcerias na Europa e novos projetos em telemedicina para ambientes remotos.
Soluções brasileiras ganham escala global
A Anlix, desenvolvedora de soluções de software para gestão e automação de redes, reforça seu posicionamento global no evento. De acordo com Bruno Jorge, coordenador de marketing da empresa, “Participar como expositor em um dos principais encontros globais de telecomunicações e tecnologia móvel reforça o nosso posicionamento internacional e a relevância de nossa atuação no cenário global.” Ele acrescenta: “Em Barcelona, apresentaremos soluções que transformam dados operacionais em insights acionáveis, viabilizando redes cada vez mais autônomas, a gestão inteligente de dispositivos e a otimização da experiência do assinante, com foco no aumento da eficiência, na redução de custos e na elevação da qualidade dos serviços prestados por Provedores de Serviços de Internet (ISPs) e operadoras em todo o mundo.”
Já a Orange Testing, especializada em automação de testes no-code, estreia no MWC com foco em expansão internacional. Segundo Leopoldo Braga, diretor de Parcerias e Internacionalização, “Nossa expectativa é ampliar o networking com líderes globais de tecnologia, estabelecer parcerias estratégicas e gerar oportunidades concretas de negócios em um ambiente altamente qualificado e orientado à inovação.” Ele destaca ainda que “Nossa solução atende à demanda internacional por eficiência, redução de custos e aumento da qualidade das entregas digitais, permitindo que equipes escalem a cobertura de testes e reduzam riscos em ambientes críticos.” Atualmente, a empresa atua no Brasil, Estados Unidos e Europa, com presença na Irlanda e em Portugal.
Por Fernando Lopez Cisneros (Reportagem e Fotos) e Fernando Moura (Edição)