MWC26: DTV+ em destaque na capital catalã
No maior evento global de conectividade, a Rohde & Schwarz falou com a reportagem da Revista da SET do DTV+ e os seus desenvolvimentos no Brasil. Ainda destaque para testes de redes 6G e integração entre múltiplas faixas de frequência com 4×4 MIMO.

O MWC Barcelona 2026, maior evento global de conectividade, volta a transformar a Fira Gran Via no centro das decisões que desenham o futuro da tecnologia móvel e da economia digital que se realiza de 2 e 5 de março, é palco para a Rohde & Schwarz apresentar avanços na preparação para o 6G, para a DTV+ No Brasil e até tenta cravar o cronograma para o novo padrão brasileiro.
No estande da empresa alemã demonstrações-chave para a jornada rumo ao 6G, como a agregação de portadoras entre FR1 (~2,5 GHz) e FR3 (~7 GHz) com 4×4 MIMO e modulações de alta ordem, além de reforçar sua aposta em plataformas de teste prontas para Wi‑Fi 7/8 e NTN. Em entrevista à Revista da SET, Graziano Casale, diretor de vendas técnicas para distribuição broadcast da companhia, detalhou o avanço do DTV+ no Brasil e um cronograma que mira ter sinal no ar durante a Copa de 2026. “o DTV+ representa, para nós, um grande marco. Podemos dizer que estamos realmente fazendo história”.
Segundo Casale, a companhia abraçou desafios técnicos como ampliar a faixa de amplificadores para VHF alto (até ~300 MHz) e a implementação de MIMO em transmissão, que demanda alinhamento de fase entre dois transmissores combinados em uma antena — além de recursos como LDM (Layer Division Multiplexing) e TXID. Casale disse que o Brasil trouxe muitos desafios técnicos interessantes. “O primeiro que tivemos de enfrentar na camada física foi a largura de banda. O padrão olha o espectro de VHF, mas fora da faixa típica de banda larga, chegando até 300 MHz. Então, tivemos que estender a faixa dos nossos amplificadores para suportar essa banda”.

Graziano Casale, diretor de vendas técnicas para distribuição broadcast da Rohde & Schawrz, detalhou o avanço do DTV+ no Brasil e afirmou que: “o DTV+ representa, para nós, um grande marco. Podemos dizer que estamos realmente fazendo história”
O executivo explicou à reportagem que “o segundo desafio foi o MIMO, que significa múltipla entrada e múltipla saída — exigindo alinhamento de fase entre dois transmissores, dobrando a potência de saída. Ou seja, você tem dois amplificadores, dois transmissores, um sistema completo que precisa funcionar como se fosse um único sinal indo para uma antena que, depois, se divide de novo”. E reforça, “depois vem o LDM — multiplexação por divisão de camadas — e o TXID. Eles querem fazer tudo isso pela primeira vez, combinado, dentro do novo padrão, com a Copa do Mundo se aproximando. São muitos requisitos novos”.
DTV+ no Brasil: marcos técnicos e cronograma para a Copa
“O DTV+ é um novo padrão de TV digital que desafia os limites da evolução. É fantástico que, em 2026, a radiodifusão siga inovando”, disse Graziano Casale, e reforça que o cronograma, o executivo afirma que a empresa cumpre as etapas de teste de aceitação com clientes e logística de envio/instalação: “Estamos em testes de aceitação com os clientes, validando a solução na fábrica. O plano é despachar os transmissores e finalizar a instalação em maio, com folga, para que, em junho, quando a Copa começar, o sinal esteja no ar,”
Recepção: set-top box e conectividade embutida
Como o novo padrão adota uma camada física distinta, não há retrocompatibilidade com receptores anteriores. Na prática, o mesmo televisor pode ser mantido, mas requer um set-top box compatível com o novo padrão — ou novas TVs quando chegarem ao mercado. Casale disde que “o televisor pode ser o mesmo, mas requer um decoder capaz de receber o novo sinal e decodificar áudio e vídeo. Em troca, o usuário ganha interatividade: 4K, conteúdo interativo, publicidade segmentada e maior throughput por canal.”
Para segundas telas (smartphones/tablets), Casale cita alternativas transitórias: “Dado o cronograma e a singularidade de frequências, é improvável que haja suporte nativo de início. Mas isso pode ser contornado com gateways/repetidores — por exemplo, um dispositivo que recebe DTV+ e distribui via Wi‑Fi dentro de casa — ou dongles para early adopters.”
Excitadores e MIMO
Um ponto alto, segundo Casale, foi a decisão de migrar o Exciter para rádio definido por software (SDR), eliminando dependências de FPGA e acelerando a evolução de features. “A decisão de desenvolver o Exciter como software-defined radio foi, de longe, acertada. Cada nova funcionalidade em padrões expansíveis passou a ser código, o que nos permitiu chegar no prazo com MIMO, TXID e LDM para o Brasil”, explica Casale. Ele destaca também o sinal de negócio vindo do mercado brasileiro: “O Brasil trouxe um modelo de negócios claro — visão, plano e execução. Isso nos deu confiança para investir e apoiar o ecossistema. Até aqui, a história tem sido um grande sucesso.”
Plataforma FR3
Por outro lado, na capital catalã a Rohde & Schwarz apresenta uma prova de conceito ao vivo de agregação de portadoras entre as faixas FR1 e FR3, ambas operando com 4×4 MIMO e modulação de alta ordem (até 4096QAM). A demo, realizada em parceria com a Qualcomm Technologies, utilizou a plataforma CMX500 expandida pelo novo módulo RFU18, que estende a cobertura até 18 GHz, abrindo um caminho direto e economicamente eficiente para a validação de dispositivos rumo ao 6G.
O FR3 (7,125 a 24,25 GHz) tem sido tratado pela indústria como um “ponto doce” para equilibrar alcance, capacidade e eficiência, viabilizando aplicações como realidade estendida, veículos autônomos conectados e automação industrial — tanto em redes terrestres quanto não terrestres (NTN). Assim, em demonstração conjunta com a Qualcomm Technologies que marca um novo passo rumo ao 6G. As empresas mostraram ao vivo a agregação de portadora entre as faixas FR1, em torno de 2,5 GHz, e FR3, por volta de 7 GHz, ambas operando com 4×4 MIMO e modulações de alta ordem. A demonstração utiliza o CMX500, plataforma de teste da Rohde & Schwarz, agora expandida pelo novo módulo RFU18, que amplia a cobertura até 18 GHz e oferece um caminho direto e econômico para que o mercado avance na validação de dispositivos 6G. O FR3, que cobre a faixa de 7,125 a 24,25 GHz, vem sendo tratado pela indústria como “ponto doce” para equilibrar alcance, capacidade e eficiência, atendendo aplicações como realidade estendida, veículos autônomos conectados e automação industrial de nova geração, tanto em redes terrestres quanto em redes não terrestres.
Com suporte a taxas de até 20 Gbps, 4096QAM e até 16 portas de antena para multiplexação espacial, o CMX500 se consolida como uma plataforma preparada para todas as tecnologias em evolução, incluindo LTE, NR em SA e NSA, NTN, Direct-to-Cell, Wi‑Fi 7 e Wi‑Fi 8. Para Casale, o CMX500 se vai consolidar como uma plataforma preparada para tecnologias em evolução, com taxas de até 20 Gbps, 4096QAM e até 16 portas de antena para multiplexação espacial. O suporte abrange LTE, 5G NR (SA/NSA), NTN, Direct-to-Cell, Wi‑Fi 7 e Wi‑Fi 8 — o que o posiciona como uma base única para validações de dispositivos móveis e convergentes.
5G Broadcast, DVB e o futuro híbrido
Sem “tamanho único” em radiodifusão, o executivo prevê convivência de múltiplos padrões por mercado/estratégia — de DTV+ no Brasil a ATSC 3.0 nos EUA, passando por 5G Broadcast na Europa para atingir novas audiências móveis com baixa barreira de entrada (mesmo chipset/modem/antena em smartphones). “O futuro se parecerá com uma combinação híbrida de múltiplas tecnologias. Resiliência e coberturas amplas favorecem broadcast (DTV+ ou 5G Broadcast). Altíssimas taxas em curtas distâncias favorecem Wi‑Fi 7. Uma não vai matar a outra”, finaliza Graziano Casale
Por Fernando Lopez Cisneros (Reportagem e Fotos) e Fernando Moura (Edição)