MWC26: Salto quántico e gêmeos virtuais em Barcelona
Do avanço acelerado da computação quântica ao uso de gêmeos virtuais em robótica, o MWC26 evidencia a convergência entre IA, simulação e máquinas autônomas rumo a uma nova era de aplicações industriais e científicas.
A IBM demonstra no MWC Barcelona 2026, que se realiza de 2 a 5 de março, na Fira Gran Via na capital catalã, o IBM Quantum System Two, o principal computador quântico modular e de escala utilitária da IBM, projetado para executar vários processadores IBM Heron e servir como base para futuros esforços em computação quântica.

IBM Quantum System Two, o principal computador quântico modular e de escala utilitária
Ray Shieh, líder de desenvolvimento de negócios Q-safe da IBM detalhou à reportagem da Revista da SET como a tecnologia quântica está evoluindo de promessa distante para realidade comercial. Segundo ele, a empresa avança rapidamente em direção à vantagem quântica. “Até 2026, planejamos ser ‘quantum advantaged’, e hoje trabalhamos com 133 qubits. A ideia geral seria aumentar qubits, mas estamos indo na direção contrária: diminuir a quantidade e melhorar a qualidade”, explicou. Shieh afirma que o objetivo principal é conectar múltiplos dispositivos quânticos para que atuem de forma coordenada, criando um sistema capaz de corrigir seus próprios erros e operar com mais estabilidade. “Se pudermos conectar todos eles, teremos um sistema que identifica seus próprios erros. É uma forma de manter e gerenciar melhor a performance.” Ele lembra que há apenas dois anos a previsão da indústria era de que a computação quântica chegaria comercialmente apenas em 2035. “No ano passado falamos em 2030. E este ano dissemos: é agora”, afirmou o executivo, destacando que a tecnologia já é usada por mais de 600 clientes no mundo.
O executivo da IBM citou como exemplos de aplicações o desenvolvimento de novos medicamentos, com simulações químicas avançadas, e a criação de novos materiais industriais por empresas como BMW e Boeing. Nessas aplicações, o computador quântico simula centenas de combinações de ligas e compostos para que os engenheiros escolham as mais promissoras antes de iniciar testes físicos. Apesar disso, o fator humano permanece indispensável. “Depois de todos os cálculos, ainda existe o elemento humano. É preciso testar no mundo real. O que fazemos é aumentar as chances de acerto e reduzir erros.”

Ray Shieh, líder de desenvolvimento de negócios Q-safe da IBM
Ele explica que, ao contrário de computadores tradicionais, que testam uma rota por vez, o processador quântico calcula todas as possibilidades simultaneamente. “Um computador tradicional testa um caminho, falha, tenta outro. O quântico mapeia todas as rotas ao mesmo tempo e entrega a melhor.”
Robôs com Inteligência Artificial
As experiências imersivas de realidade virtual, avatares, robôs autônomos, computação espacial e objetos conectados combinados com IA são cada vez mais comuns nestes eventos. Mas ainda surprendem. No estande da Dassault Systèmes demonstraçoes da combinação de IA com gêmeos virtuais que podem levar produtos, operações e modelos de negócios do estágio piloto para a escala real.
A empresa apresentou uma integração entre sua plataforma 3DExperience e o robô humanoide THEMIS Gen2.5, da Westwood Robotics, revelando como é possível projetar, simular e validar comportamentos robóticos complexos em um ambiente totalmente digital. Essa abordagem permite testar movimentos, interações e cenários de risco antes de qualquer operação real, reduzindo custos e aumentando a segurança. A demonstração ilustra o potencial dos “virtual twins” alimentados por IA para acelerar ciclos de desenvolvimento e aprimorar a eficiência de soluções robóticas destinadas à indústria.
O THEMIS Gen2.5 se destaca como um humanoide voltado para aplicações concretas, como logística, fábricas e ambientes perigosos. Diferentemente de robôs que “travam” entre ações, o modelo da Westwood consegue caminhar e manipular objetos de maneira simultânea e contínua, graças ao sistema operacional AOS e aos atuadores Mountain Bear, que oferecem maior torque e melhor dissipação térmica. Essa combinação garante movimentos mais naturais e rápidos, aproximando o comportamento do robô ao de um operador humano, mas com maior precisão e previsibilidade.

Robô humanoide THEMIS Gen2.5
A demonstração reforça a tendência de convergência entre IA, robótica avançada e simulações hiper-realistas, indicando que o futuro da automação passará necessariamente por plataformas digitais capazes de treinar e validar máquinas antes de sua implementação física. No MWC26, a Dassault Systèmes mostrou que a próxima geração de robôs industriais não será apenas construída — será primeiro simulada, otimizada e validada no mundo virtual, garantindo mais segurança, redução de custos e desempenho superior quando finalmente entrar em operação no mundo real.
Por Fernando Lopez Cisneros (Reportagem e Fotos) e Fernando Moura (Edição)