Mesmo com aceleração regulatória, o NextGen corre contra o tempo
Enquanto emissoras norte-americanas constroem o futuro da TV aberta, a audiência linear cai, fabricantes capturam a ideia de “TV grátis” e até os dólares políticos podem migrar. O ATSC 3.0 conseguirá escalar antes que o mercado mude?
Matéria da TVNewsCheck afirma que o ATSC 3.0 é uma das atualizações tecnológicas mais ambiciosas e promissoras que a indústria de radiodifusão já tentou. Sua capacidade de entregar vídeo em ultra-HD, publicidade direcionada, serviços de dados e alertas de emergência resilientes representa exatamente o tipo de salto adiante de que as emissoras locais precisam. Em uma notícia encorajadora, a FCC votou para acelerar a transição, eliminando certos requisitos de simulcasting e dando às emissoras mais flexibilidade de prazos.

Foto: Fernando Moura
Mas o relógio soa mais alto do que nunca, e a janela para a adoção do ATSC 3.0 pelo consumidor colide com a deterioração contínua da base de audiência linear que ele foi criado para atender. Quanto mais tempo levar para o público entender e adotar o NextGen TV, menor será a audiência disponível quando finalmente puder fazê-lo.
Segundo Adam Wiener, “o ATSC 3.0 nunca foi pensado como uma mera atualização de formato; foi concebido como uma plataforma de inovação — aquela que torna a radiodifusão competitiva com os modelos digitais e de streaming. Sua espinha dorsal em IP permite publicidade de precisão, vendas programáticas e interação, trazendo finalmente a televisão local para o mesmo mercado orientado por dados do OTT”.
Ainda assim, explica Wiener, enquanto engenheiros ativam mercados e a FCC acelera a transição, os consumidores se movem na direção oposta. De acordo com a pesquisa 2025 Medill Local News Initiative da Northwestern University, os smartphones superaram a TV como dispositivo preferido para consumo de notícias, com 67% dos adultos usando celulares e apenas 53% usando televisão. Entre adultos com menos de 30 anos, apenas 32% acompanham notícias locais diariamente em qualquer plataforma ou dispositivo, com a maioria recorrendo a redes sociais e fontes digitais.
Isso, disse, “não é surpreendente, já que venho dizendo há anos que as pessoas “crescem” para se tornarem consumidoras de notícias locais. No entanto, com comportamentos sendo moldados mais cedo, quando a Geração Z tiver esse “salto de crescimento”, ela esperará notícias locais antes de tudo por meio de seus dispositivos e plataformas preferidos. Esses hábitos fundamentais serão difíceis de quebrar — ainda mais para a Geração Alpha (nascidos entre 2010 e 2024) e posteriores”.
Wiener explica que isto significa que as emissoras estão preparando uma experiência de nova geração para um público que talvez nunca conecte uma antena. Mesmo que o hardware de ATSC 3.0 fosse gratuito, a educação do consumidor necessária para explicar, instalar e ativá-lo pode levar anos — tempo que o modelo linear talvez não tenha.
O mito do “grátis”
A “TV aberta e gratuita” continua sendo um pilar da proposta de valor da radiodifusão. Mas “grátis” também precisa significar “fácil”. Hoje, não significa. Os fabricantes de televisores frequentemente escondem as entradas de antena atrás de diversas camadas de menus enquanto promovem suas próprias telas iniciais FAST — ambientes projetados para monetizar a visualização por meio de publicidade, e não de sintonizadores. Essas plataformas FAST integradas, de Samsung TV Plus ao Roku Channel e outras, já se posicionam como a alternativa sem atrito à radiodifusão local.
Para o público, o discurso é convincente: “Você não precisa de antena — sua TV já tem canais grátis — incluindo notícias locais 24/7!” Enquanto isso, a FanDuel Network anunciou na semana passada que jogos selecionados da NBA e da NHL estarão disponíveis gratuitamente em várias plataformas FAST de destaque. A parte mais alarmante é que essas transmissões não serão bloqueadas em mercados onde os jogos também estão acessíveis via OTA. Isso representa uma mudança enorme na distribuição de esportes. Para as emissoras, é uma ilusão perigosa. Quanto mais consumidores associarem “TV grátis” aos canais FAST, mais difícil será atraí-los de volta ao ecossistema OTA do NextGen.
Alguns grupos de emissoras podem encontrar uma oportunidade de curto prazo nessa migração ao negociar acordos de divisão de receita ou inventário com fabricantes para preservar suas marcas dentro desses ambientes FAST. Mas cada passo que o consumidor dá para longe dos sintonizadores encurta a pista para a adoção efetiva do ATSC 3.0.
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