Como a estratégia de Cloudification vem mudando os processos de produção de conteúdo

Fabio Ferraz, head de Projetos de Soluções de Mídias da Globo | Foto: Linkedin
As soluções em nuvem tiveram sua adoção acelerada devido à pandemia do novo coronavírus.
A partir do momento em que foi necessário isolamento social e, consequentemente, adotar o home office, foi necessário criar e encontrar soluções que permitissem a produção e distribuição do conteúdo, além da integração entre diversos setores das empresas.
Para atender a essa demanda, estratégias em nuvem tiveram a preferência do setor de mídia e entretenimento. Tendo isso em vista, o SET eXPerience Academy criou a trilha Cloudification – Media Supply Chain para abordar as bases desta inovação.
“A inovação dos processos da cadeia de produção do conteúdo baseados em uma estratégia cloudification, vem permitindo mudar radicalmente o formato e os processos de toda esteira de produção como nunca se pensou antes”, afirmaram Fabio Ferraz, head de Projetos de Soluções de Mídias da Globo, e Carlos Cesar Abrahão, head de Suporte de Soluções de Mídia da Globo, ambos curadores da trilha.
Confira entrevista completa a seguir:
SET: O que é cloudification?
Fabio Ferraz e Carlos Abrahão: Cloudification não se trata de uma tendência tecnológica, mas sim de uma estratégia de inovação de processos baseados em uma infraestrutura na nuvem.
Uma estratégia Cloudification vai muito além de uma simples visão da infraestrutura ou de produtos estabelecidos no Market Place dos Cloud Providers. Trata-se de um conceito em que se propõe encurtar distâncias, elaborar formas mais versáteis e escaláveis em uso, com liberdades de acesso, derrubando fronteiras… tudo isto de forma ágil gerando eficiência ao negócio, sem lockin e/ou exclusividade a uma Nuvem quando na modelagem da arquitetura e de um novo negócio.
SET: Qual o objetivo da trilha e qual a relevância dela neste momento?
FF e CA: A proposta dessa Trilha é discutir como o cenário atual (consumo, economia, pandemia, etc.) vem transformando e acelerando o roadmap da evolução tecnológica para a cadeia de valor do Conteúdo e da Industria, gerando novas oportunidades para revisão e otimização de processos, ganhos em eficiência e criação de novos negócios.
Além disso, sabemos que toda a indústria tradicional de mídia, ou os chamados adaptativos digitais, tem atualmente como principal desafio buscar, através da Tecnologia, modelos operacionais que viabilizem a redução dos custos de produção, (custos fixos para custos variáveis e escaláveis), permitindo assim que tal saving operacional financie a jornada da transformação digital.

Carlos Cesar Abrahão, head de Suporte de Soluções de Mídia da Globo
SET: Como a Cloudification – Media Supply Chain se relaciona com o cenário de desenvolvimento tecnológico, produção de conteúdo e hábitos de consumo?
FF e CA: A inovação dos processos da cadeia de produção do conteúdo baseados em uma estratégia cloudification, vem permitindo mudar radicalmente o formato e os processos de toda esteira de produção como nunca se pensou antes. Podemos usar como exemplo a comparação entre um modelo tradicional de cobertura de uma partida de futebol no Maracanã, onde se há a necessidade de alocação de uma Unidade Móvel tripulada na Vênue e um outro time alocado na emissora para produção e transmissão do evento. Hoje, como o advento da cloud, já é possível produzir essa mesma partida substituindo a UM por um rack de 20U na Vênue, e todo time, que antes deveria ficar em um controle na emissora produzindo a partida, em qualquer lugar, desde um open space (área corporativa comum) até mesmo podendo estar em casa. Tal flexibilidade, além da redução significativa dos custos fixos, traz ainda a oportunidade de se escalar novos modelos de cobertura de eventos para novas janelas.
SET: Como a cloudification impacta as empresas que atuam na produção e distribuição de conteúdo e nas empresas e a formação de profissionais que atuam no setor?
FF e CA: A distribuição do conteúdo como parte final da cadeia de produção também se beneficia, e muito, da cloudificação. Por exemplo, se os meus processos de produção do conteúdo estão na nuvem e eu tenho estabelecido as minhas rotas de entrada e saída de sinais para esse mesmo ambiente, modelos tradicionais de contratação de sinais entregues até então via segmento espacial poderão agora acessar a infraestrutura do meu Cloud Provider entregado o sinal no meu sistema sem maiores complicações, e por um custo bem mais interessante, por internet ou link de dados de mercado.
Quanto a formação dos profissionais envolvidos, podemos dizer que estamos chegando agora em um elevado nível de maturidade quanto a fusão no passado das equipes de Engenharia de TV com a TI, tornando agora esse ambiente de colaboração cada vez mais multidisciplinar, aliás como devemos evoluir sempre, acompanhando a tecnologia.
SET: Por que as pessoas devem assistir aos vídeos desta trilha?
FF e CA: Uma excelente oportunidade para conhecer e trocar experiências em um momento tão disruptivo para a transformação da Indústria de mídia.