NAB 2025: A produção ao vivo na nuvem já é realidade, um salto para o futuro da transmissão

Especialistas apontam que a produção de vídeos ao vivo baseada em nuvem oferece flexibilidade, economia e inovação, mesmo diante de desafios técnicos.

A produção ao vivo em nuvem deixou de ser apenas uma promessa e se consolidou como uma alternativa concreta para emissoras e criadores de conteúdo em todo o mundo, afirma Kevin Hilton, em TVTechnology afirmando que “A NAB Show 2025 ilustrou como a tecnologia “não é mais um experimento”.

Foto: Fernando Moura

Na matéria, o jornalista escreve que como afirmou Martin Jolicoeur, “não é mais correto assumir que uma produção baseada em nuvem é de menor qualidade”. A adoção desse modelo ganhou força com a pandemia, mas hoje já se comprova viável em termos técnicos e editoriais, inclusive para eventos ao vivo de alto padrão.

Uma das maiores vantagens da nuvem é sua capacidade de escalar operações com agilidade e eficiência. Steve Reynolds destacou que “essa explosão da produção na nuvem só teve lugar graças ao SMPTE‑2110”, padrão que tornou mais barato e eficiente o transporte de sinais IP em comparação ao SDI. Hoje, empresas produzem milhares de canais lineares via AWS, com equipes inteiras de edição, gráficos e cor trabalhando de forma remota, integrada e segura.

Outro ponto chave é a mudança do modelo financeiro. Ao migrar para a nuvem, muitas emissoras deixam de investir em equipamentos caros e físicos, substituindo o modelo de capital fixo (CapEx) por um modelo de custo operacional (OpEx). O resultado é uma operação mais enxuta e ágil. Segundo especialistas, essa transformação permite uma infraestrutura “centralizada, ágil e menos cara”, além de mais adaptável a mudanças de escala.

A produção baseada em nuvem também abre portas para a automação e para o uso de inteligência artificial. Sistemas como os da Pebble e da Teradek já oferecem ingestão, playout e distribuição automatizados. A IA, por sua vez, permite recursos como geração de legendas em tempo real, reconhecimento automático de objetos e enriquecimento de metadados, acelerando a produção e otimizando a distribuição de conteúdo.

Mesmo com avanços significativos, ainda existem obstáculos técnicos. A compressão de vídeo pode afetar a qualidade de imagem, e a latência é uma preocupação constante, especialmente em eventos esportivos e programas ao vivo. Ian Fletcher observou que “lidar com timing e latência é crítico”. Plataformas baseadas em microserviços, como a AMPP, vêm sendo desenvolvidas justamente para mitigar esses problemas e permitir maior estabilidade nos fluxos ao vivo.

Para muitas emissoras, o caminho mais sensato no curto prazo é o modelo híbrido, combinando nuvem pública com infraestrutura local. Essa abordagem oferece o melhor dos dois mundos: a escalabilidade e flexibilidade da nuvem, aliadas ao controle e à baixa latência dos sistemas internos. Como afirmou Jolicoeur, o segredo é “manter a mente aberta” e adotar soluções que combinem SDI, IP e nuvem, conforme as necessidades específicas de cada produção.

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