Pós-NAB: Broadcast conectado e modelos híbridos marcam debate

Painel discute os desafios da infraestrutura conectada, da distribuição de sinais e dos modelos de negócio da TV 3.0, reunindo representantes da Harmonic, SES e Eutelsat.

O primeiro painel da tarde do Pós-NAB analisou as “Atualidades no broadcast e a infraestrutura conectada”, debatendo a distribuição de sinal na radiodifusão e temas centrais como infraestrutura, conectividade satelital, eficiência e oportunidades para os radiodifusores.

O painel foi moderado por Tomaso D’Angelo Wantuil Papi, gerente de Engenharia e Tecnologia da Record Brasília, e contou com a participação de Eliésio Silva Júnior, diretor de Vendas Brasil – Video Solutions da Harmonic; Marcelo Amoedo, diretor de Vendas Sênior da SES; e Ricardo Calderon, diretor de Vendas de Mídia para o Brasil e Cone Sul da Eutelsat.

Na abertura, Papi afirmou que “cada vez mais a TV está conectada, interligada, para ter um avanço tecnológico”, o que altera todo o ecossistema do setor. No início do painel, Silva destacou que a TV 3.0 “faz uma união entre dois mundos que estavam separados, o broadcast e broadband”, ressaltando que “temos imersão de vídeo e de som, com destaque para a recepção indoor”.

Eliésio Silva reforçou que a competição passou a atingir múltiplos segmentos e que a tecnologia “integra desde a sua origem, o sinal, saindo de uma visão linear para o DASH, onde passamos a uma esteira de múltiplas possibilidades mais cercanas ao OTT que a televisão”. Segundo ele, é fundamental pensar em soluções híbridas que “permitam trabalhar e permear o ecossistema como um todo”.

Nesse contexto, explicou que “passamos de um ponto a múltiplos pontos, para um ponto a múltiplos pontos com distribuição linear. Agora debatemos na NAB, como fazemos modelos de negócios para a nova televisão”. Ao final, destacou a necessidade de definir um caminho de “monetização com targeted ads, e inventário de CTVs” para competir com as principais plataformas globais de streaming.

Por outro lado, Silva apontou a importância da “cross technology”, que permita avançar em um processo que, por algum tempo, será híbrido, com a convivência entre a TV 2.5 e a TV 3.0. Nesse cenário, apresentou o conceito de um novo ecossistema e de um novo centro exibidor, com orquestração e novos modelos de monetização, em uma “solução em construção” que “será personalizada e dependerá das empresas”. De acordo com o modelo de negócios ou porte de cada operador, a arquitetura será customizada, tendo como eixo o MIMO, com melhorias na recepção, mobilidade e eficiência espectral, entre outros aspectos. Ao final de sua alocução, afirmou que, na DTV+, a solução completa de SDI para um modulador e transmissor deve ser “transparente”.

Na sequência, Marcelo Amoedo, da SES, explicou que a multinacional trabalha em uma solução híbrida via satélite para distribuição de sinal, capaz de transportar conteúdo linear e sob demanda para plataformas de Pay TV, OVP e FTV. “Desenvolvemos um ecossistema conjunto que é SES 360, com o qual passamos a operar toda a operação de DTH e agora assumimos a plataforma de streaming em OVP, e finalmente fizemos um projeto de free-to-view, e se criou com DVB-NIP para integrar as valências do broadcast e o broadband”. O modelo integra uplink, satélite e DTH para dispositivos multitelas, e, segundo o executivo, “queremos trazer esse modelo para o Brasil que permite monetizar em conjunto entre a SES e o cliente”.

Amoedo explicou ainda que o DVB-NIP nativo permite que o broadcast passe a transportar serviços IP além da arquitetura baseada em Transport Stream, opere como uma rede de distribuição IP multicast em larga escala e realize a integração nativa com o ecossistema IP (OTT, CDN e cloud). “Com este ecossistema conseguimos fazer inserção direta de anúncios com segmentação”, recurso que, segundo ele, “foi demonstrado na entrada do SET:30 em Las Vegas, o que nos permitiu mostrar as caixas de recepção de DVB-NIP que está pronto”. O executivo reforçou que a SES quer “trabalhar pensando em um ecossistema de TV 3.0 integrado”.

Encerrando o painel, Ricardo Calderon explicou o que a Eutelsat apresentou na NAB e detalhou como funciona a contribuição de vídeo com a OneWeb LEO, já considerada uma realidade. O executivo apresentou terminais portáteis e de fácil implementação, com mobilidade confiável. Segundo ele, a solução oferece “resiliência híbrida e alcance global, com cobertura em qualquer lugar”, além de agregar valor ao permitir cobertura ao vivo em prazos apertados e em condições desafiadoras de conectividade, com resiliência e baixa latência, utilizando a cobertura global da OneWeb.

Calderon finalizou afirmando que o serviço já está disponível no Brasil e que é possível realizar testes da aplicação e da plataforma de entrega de vídeo. Falando de TV 3.0, ele disse que o satélite “pode ser usado para alimentar a distribuição de TV 3.0, até pode ser temporário na distribuição”, e disse que para a entrega direta ao consumidor, “ainda temos de esperar”, e falou que ainda existe “a possibilidade de usar Banda Ku para baixar o custo da CDN”. 

O SET Pós-NAB teve o patrocínio ouro da SES; como patrocinadores prata, Atlantis, EiTV, Eutelsat, Google, Harmonic e Mediastream; patrocinadores bronze, Ideal Antenas e Showcase; e o apoio da ABERT, AWS e Lineup. Apoio institucional da Astral e da Abratel.

Por Fernando Moura, em São Paulo