ABERT lança estudo sobre Rádio 3.0

Análise reúne dados nacionais e internacionais e aponta integração entre radiodifusão e tecnologias digitais como eixo de expansão do rádio e destaca papel estratégico do meio para o mercado publicitário.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) apresentou o estudo “Rádio 3.0: relevância e força estratégica para o mercado publicitário”, que reúne dados nacionais e internacionais para analisar o posicionamento do rádio no ecossistema de mídia. A iniciativa consolida informações provenientes de fontes primárias, institutos de pesquisa e entidades setoriais para demonstrar a permanência do meio como plataforma de alcance massivo e relevância para anunciantes e marcas.

O estudo introduz o conceito de Rádio 3.0, caracterizado pela integração entre a radiodifusão tradicional e as tecnologias digitais. A proposta considera a combinação de atributos como alcance, proximidade com a audiência, interatividade e uso de dados como elementos centrais para a evolução do meio no ambiente multiplataforma.

Segundo Cristiano Flôres, presidente executivo da ABERT, “Lançamos hoje o principal estudo setorial reunindo pesquisas, dados, tendências, caminhos e oportunidades sobre o rádio”. O executivo destaca que a abordagem do Rádio 3.0 reflete transformações já em curso no setor, com a ampliação da presença digital e novas formas de distribuição e consumo de conteúdo.

Flôres também ressalta que o modelo proposto não se limita a acompanhar mudanças tecnológicas, mas busca posicionar o rádio como agente ativo no desenvolvimento do mercado de áudio. “O estudo traz um novo conceito, de Rádio 3.0, que propõe justamente essa integração que o meio já entrega entre o melhor da radiodifusão e o potencial das tecnologias digitais, combinando alcance, proximidade, interatividade e inteligência de dados”.

A análise indica que características como credibilidade, capilaridade e produção de conteúdo local continuam sendo fatores estruturais para o desempenho do rádio, especialmente em sua articulação com plataformas digitais. Nesse contexto, o estudo posiciona o meio como componente relevante para estratégias publicitárias baseadas em múltiplos canais e formatos de distribuição.

Ao abordar perspectivas de mercado, o executivo observa a possibilidade de ampliação do papel do rádio na cadeia de valor da publicidade. “Mais do que acompanhar mudanças, o rádio brasileiro tem todas as condições de liderar essa nova etapa do mercado de áudio. Temos credibilidade, capilaridade, conteúdo local e uma relação única com a audiência que nos permitirá avançar de forma estratégica, inovadora e sustentável junto ao mercado publicitário”.

O levantamento também reconhece a contribuição de profissionais e instâncias institucionais da ABERT na elaboração do estudo, incluindo equipes técnicas e grupos de trabalho vinculados à entidade. A publicação integra um conjunto de iniciativas voltadas à análise de tendências e ao desenvolvimento do setor de radiodifusão.

De acordo com a ABERT, novos desdobramentos relacionados ao estudo serão apresentados futuramente, ampliando o escopo das discussões sobre o posicionamento do rádio no ecossistema de mídia e suas implicações para o mercado publicitário.

Destaques do estúdio

1. Alcance massivo e presença multicanal
O rádio mantém alcance elevado no Brasil (79% da população nas principais regiões metropolitanas) e presença global consistente, sendo um meio com penetração superior à maioria das plataformas digitais. Além disso, o conceito de Rádio 3.0 amplia esse alcance com distribuição em múltiplos ambientes — FM, streaming, aplicativos, redes sociais e podcasts — consolidando o áudio como eixo central do ecossistema.

2. Credibilidade e relação de confiança com a audiência
O estudo destaca o rádio como o meio mais confiável do Brasil, com 81% de credibilidade, além de baixíssima associação a fake news. Essa confiança é reforçada pela figura do locutor, percebido como influenciador por grande parte da audiência, transferindo credibilidade diretamente para marcas e anunciantes.

3. Alta eficácia publicitária e retorno sobre investimento
O rádio apresenta um dos maiores índices de ROI entre os meios, ocupando a segunda posição global, com forte capacidade de conversão: 43% dos ouvintes já compraram ou pesquisaram produtos após ouvir anúncios. O meio também registra altos níveis de atenção publicitária, indicando eficiência real para campanhas de marketing.

4. Integração digital e evolução para o modelo Rádio 3.0
O relatório evidencia a transformação do rádio em um ecossistema multiplataforma, combinando broadcast e digital sem substituição, mas com complementaridade. O digital amplia o alcance das emissoras, adicionando audiência relevante e fortalecendo o posicionamento do rádio como hub de conteúdo de áudio no ambiente conectado.

Por Fernando Moura, em São Paulo