SET SUL: Keynote analisa integração entre DTV+ e IA na transformação da TV aberta
Carolina Duca destaca a convergência entre broadcast, broadband e inteligência artificial como base para novos modelos de negócio e experiências interativas na TV 3.0.
O SET SUL 2026, que se realizou em Florianópolis (SC), culminou com um keynote de Carolina Duca, diretora de Infraestrutura e Telecom da Globo que analisou os avanços do DTV+ e como ele pode melhorar com a integração de ferramentas de inteligência artificial (IA). No keynote “A transformação da TV aberta em uma plataforma inteligente”, Carolina afirmou que a IA é uma ferramenta “que causa disrupção” e está fazendo repensar como “estamos fazendo nosso trabalho”.

A executiva da Globo disse que “a TV aberta é um conteúdo que está em transformação”, e reforçou que “o broadcast é maravilhoso porque não tenho de pensar em quantidade, na CDN falamos de robustecer cada vez que entra um usuário”. Nesse contexto, “a TV 3.0 é o melhor dos mundos do broadcast e do broadband”, onde “a habilidade de criar novos features é muito rápida”.
Carolina ilustrou a evolução das plataformas de streaming, que surgiu em 2007, com “a Netflix na sua fundação, em 2007-12, depois entra a personalização (2013-2017), segue com a conveniência (2018-21) e agora estamos entrando no ecossistema da Live (2022-presente), que é o grande diferencial do momento, e é possível pelo legado de construção de plataforma”.
Em contrapartida, nas ondas de evolução da TV aberta, talvez cheguemos ao último ponto, se “a consideramos a TV aberta como uma plataforma, a plataforma DTV+ que é composta por camadas, diferenciando-se das plataformas tradicionais”.
Pontuando as principais características e diferenças da plataforma DTV+, Carolina disse em Florianópolis que o canal passa a ser um aplicativo, o conteúdo uma experiência. “Passamos de unidirecional para bidirecional”, onde temos uma plataforma “as a service, com software centric, microsserviços, infraestrutura agnóstica, orquestração e seguridade no desenho”.
Falando de IA, disse que ajuda no dia a dia. “Na produção de conteúdo é hoje, mas para mudar o modelo de negócio precisamos de dados, sem dados não é possível, e hoje não trabalhamos dados em arquiteturas fragmentadas. Para ter dados, há que ter uma infraestrutura centralizada”.

A executiva disse que a plataforma é composta basicamente por três camadas: uma de infraestrutura, que tem uma nuvem pública e privada; uma camada de broadcast; e uma camada de serviços em cima dessa infraestrutura ( playout, e-commerce, advertising.), que funcionam porque a camada de orquestração “gera a experiência do usuário, e onde as aplicações possam beber desses dados”.
Carolina Duca explicou ainda como funciona uma CDN e como é distribuída a capacidade de máquina para os usuários acessarem o conteúdo, o que está sendo replicado na TV 3.0, “entregando à casa afiliada uma capacidade de máquina que é descentralizada, mas que seja integrada”.
Futuro da TV 3.0
Disse ainda que, para o lançamento comercial durante a Copa, o Core da Globo não usará nuvem pública, e sim nuvem privada, “mas está fazendo vários testes com nuvem pública”. Duca mostrou imagens da antena de São Paulo, na frequência dos 300 MHz, que foi instalada na semana passada, e que “já temos autorização de pôr no ar”. Deve entrar no ar “já amanhã, quinta-feira, 21 de maio”.
Ao se referir à IA, disse que esta tecnologia fará sentido se juntarmos a plataforma de DTV+ com a IA. “IA é uma ferramenta, senão se repensa o processo. Ele faz sentido” porque “a plataforma DTV+ é composta de camadas de infraestrutura, serviços e orquestração que habilitam a rede afiliada na criação de valor para o modelo de negócio”.
Ela também falou sobre recepção de sinal MIMO e algumas outras modalidades de envio de sinal em 4K, e mostrou a modulação da Lighthouse que foi escolhida para o lançamento com MIMO no Rio de Janeiro, com “melhoras de cobertura”.

Ganhos pontuais
Para ela, a experiência do usuário pode melhorar com IA. Na gestão da infraestrutura, a orquestração inteligente do Core para broadcast as a service.
A executiva da Globo fechou falando que o principal ganho será “com uma gestão de dados muito forte”. “Precisamos ter engenheiros de dados. Precisamos ter dados. Eu não tenho observabilidade, eu tenho um milhão de sistemas porque não tenho uma base de dados. Estamos criando algo do zero, onde, se não levarmos isso como uma premissa, não vamos ter resultados”.
Experiências e interações
Duca mostrou ainda exemplos de interatividade utilizados pela Globo que podem ser usados durante a Copa e disse que haverá “interatividades específicas ao conteúdo” e outras que perdurarão no tempo, com destaque para a possibilidade de ter na mesma tela a imagem ao vivo (broadcast) e os melhores momentos (broadband).
Carolina fechou dizendo que a orquestração de dados será fundamental para o sucesso da TV 3.0, mas para isso é preciso ter acesso aos dados. Explicou que a Globo trabalha na gestão das experiências na estrutura “com quatro tipos de interatividades”: as “persistentes, que não se limitam ao slot do programa atual; as contextuais, que são relacionadas ao slot do programa atual; os alertas, que são notificações; e o controle de exibição automatizado em sincronia com o que está no ar”.
O SET Sul 2026 teve como patrocinadores Ouro Speedcast, SES, Canon, Alliance, YouCast, Mediastream, Eutelsat, Media Portal e Taghos. Como patrocinadores Prata, Sony, SDB Multimedia, Broadmedia e Pinnacle; e, como patrocinadores Bronze, Showcase, Ablink, Teletronix, Lineup e Simba CDN, além do apoio institucional da Abert, Astral, Abratel e AERP.
Por Fernando Moura e Fernanda Vio