SET SUL analisa uso da IA na cadeia de conteúdo
Como a inteligência artificial transforma a criação, produção e distribuição de conteúdo, agilizando workflows, ampliando produtividade, personalização e alcance, ao mesmo tempo em que redefine processos, equipes e modelos de negócio analisados na capital catarinense.
Penúltimo painel do SET Regional realizado em Florianópolis, foi moderado por Caio Klein, diretor-Geral da TVE RS; Marco Lopes, CEO da Mediastream Brasil; Tom Jones, business Development Manager na YOUCAST; Fredy Litowsky, diretor da Alliance; e Fábio Damásio, diretor Comercial da Taghos Tecnologia.
O painel “IA na cadeia de conteúdo: produtividade, escala e novas formas de distribuição” começou com a reflexão de Caio Klein sobre o uso da Inteligência Artificial (IA) e como ela atravessa a indústria. O primeiro a falar foi Marco Lopes, que disse que, pensando na NAB 2026, ficou claro que a segmentação da indústria deixou de existir, “porque as soluções devem estar conectadas, o que traz uma profunda transformação para a indústria. O desafio é transformar a camada de inteligência de dados que também distribui conteúdos e modelos de negócios”.
Nesse âmbito, Lopes disse que, com uma mídia em forte transformação, é necessário ser multiplataforma, e destacou “o vídeo vertical nos mercados de OTT e broadcast” com “microsséries coreanas com um modelo de venda diferente porque é tokenização e vendido em pílulas com, por exemplo, inventário integrado e personalização em escala”, um desafio que também “teremos na TV 3.0, junto ao desafio da atenção”. Por isso, há que deixar de ser uma plataforma de distribuição para ganhar escala, para o que a “IA precisa entrar em ação e assumir um papel central focada na otimização. A IA é ferramenta”, onde deixa de ser uma ferramenta isolada para “uma IA que opera, que executa, onde os processos manuais ganharam eficiência passando para smart workflows, onde a IA executa os processos”.
Ele ainda falou da plataforma MoAI, um orquestrador criado pela empresa que pode ser utilizado como gerador de melhores momentos, cortes, vídeos verticais, entre outros serviços, além do MCP Servidor, um smartflow onde o cliente “constrói os processos que você quer automatizar”.
Tom Jones Moreira explicou em Florianóplis como usar a IA e o playout em nuvem na cadeia de conteúdo e se referiu a um artigo publicado na edição especial da NAB. Ele falou de microsserviços “mais resilientes que os físicos”, dando operação facilitada. Por outro lado, ele falou de “insights ocultos” e de como passar do linear para o modular estando na nuvem, “experimentando de uma forma fácil e barata”. Ele disse que, “no mundo da IA, temos de pensar na qualidade dos dados que vou entregar”, pelo que é necessário construir inventário de dados com uma curadoria de dados. Por isso, mais que usar a IA, o que define é a curadoria.
Finalmente, falou da “publicidade programática como ferramenta de sobrevivência regional”, gerando integrações que façam com que o conteúdo esteja ao mesmo tempo na TV aberta e nas redes sociais.
Referindo-se à TV 3.0, “a TV híbrida, preciso entender dentro do mundo híbrido, procurar soluções híbridas, muitas vezes fragmentadas, que vão entregar o que o cliente precisa”. E falou do modelo Human-in-the-loop, isto “é o homem alicerçado pela IA, mas curada pelo ser humano”.
A seguir, Fredy Litowsky, da Alliance, disse que os fabricantes criaram times de pesquisa em inovações com foco na IA generativa e de análise de imagens via IA. A partir daí, foram desenvolvidas algumas aplicações como o xtramotion.
O executivo disse que primeiro foi feito com “câmeras que produziam varreduras triplas de imagem, mas eram muito caras. Com a IA, se geram artificialmente os quadros adicionais necessários, simulando uma camera triple scan, porém à partir de uma câmera normal, baixando o preço e podendo aplicar em produção ao vivo. “É uma quebra de paradigma de custo, com aplicação à qualquer câmera, inclusive clips de arquivo”.
Ainda descreveu aplicações de zoom digital inteligente para “close” virtual, “usando a IA para recompor a imagem com interpolação para fazer close em clips cuja captação original era num plano aberto”, e do efeito cinemático realizado também com IA.
O último a falar na capital catarinense foi Fábio Damásio, diretor Comercial da Taghos Tecnologia, e lembrou de que quando estava na universidade teve uma disciplina sobre IA, o que demonstra que não é um tema novo. “Nem tudo o que tem IA é bom, temos de ter um cuidado, para não virar um commodity”. Reforçando, disse que na Taghos se resolveu não deixar um prompt para o cliente final. Assim, “nós aplicamos e deixamos automatizado para que o cliente use”.
Damásio explicou que a empresa fez uma dublagem e legendagem de uma série chinesa e os cortes de conteúdo vertical para fazer uma multidistribuição em forma de distribuição rápida. Ele se referiu à proteção de conteúdo e explicou que a empresa trabalha com o YouTube para “evitar a pirataria dentro da própria plataforma, o que foi possível porque o brasileiro é muito criativo para gerar pirataria e isso nos ajudou a criar ferramentas para combater”.
O executivo disse que as tecnologias de IA para TV 3.0 estão no mercado. “O que cabe é saber o que vai utilizar. Há dois anos colocamos no campeonato paranaense a possibilidade de apostar durante os jogos e não funcionou como se previa. No Paulistão colocamos no YouTube, em um jogo do Corinthians, demos a possibilidade de vender a camisa e não deu certo como esperado”. E fechou dizendo que é preciso entender “o que o cliente final vai usar”, porque “conseguimos pegar a roda, mas não inovar”.
O SET Sul 2026 tem como patrocinadores Ouro Speedcast, SES, Canon, Alliance, YouCast, Mediastream, Eutelsat, Media Portal e Taghos. Como patrocinadores Prata, Sony, SDB Multimedia, Broadmedia e Pinnacle; e, como patrocinadores Bronze, Showcase, Ablink, Teletronix, Lineup e Simba CDN, além do apoio institucional da Abert, Astral, Abratel e AERP.
Por Fernando Moura e Fernanda Vio





