SET SUL debate rádio híbrido

Os painelistas debateram como o rádio evolui além do modelo tradicional, integrando plataformas digitais e rádio híbrido para ampliar alcance, diversificar formatos e fortalecer a relação com audiências cada vez mais conectadas.

O painel “Rádio: momento e desafios” foi moderado por Cauê Franzon, gerente Executivo de Tecnologia de TV e Rádio da RBSTV, e teve a participação de Alessandro Heck, presidente da AGERT; Carlos Fini, ex-presidente da SET; e Jacques Weissenberg, diretor de Tecnologia da SCC.

Franzon disse que o rádio é muito importante no Sul do país, “com uma capilaridade do meio na região”. Alessandro Heck, também operador de rádio, disse que “estamos num momento em que o dispositivo, o device, deixou de ser central. Assim, pensar em rádio híbrido se tornou mais normal”. Segundo ele, o desafio da nova concorrência é que “rádio é uma coisa que não diferencia online e offline” e que precisa estar no streaming e nas redes sociais “com uma intenção e uma coerência que fazem o rádio competir com os meios de comunicação digital”.

Por outro lado, disse que o rádio é um motor local. “Ele é reconhecido, ele traz confiabilidade, mas isso traz uma carga de obrigações, que é lutar contra as fake news”. Ainda referiu a entrada regulatória da ECA Digital e, há algum tempo, da LGPD, que a concorrência não tem.

Jacques Weissenberg, diretor de Tecnologia da SCC, falou da Gralha FM 88,9 e explicou que a rádio está no local mais frio do Sul. “Nossa dor era cobertura, com atendimento precário”. Por isso, para solucionar o problema, “entendemos que aumentar a cobertura não seria a solução”, como, por exemplo, SFN. “Entendemos, depois de trabalhar com áreas de sobreposição, chegamos à ideia de realizar a implantação de um sistema nativo de SFN para rádio” que “permitisse o buffer e assim atrasar”, permitindo utilizar links de 950 MHz analógicos já existentes para o TX principal.

Weissenberg explicou que foram usadas antenas com polarização vertical para garantir a recepção e aumentar o alcance. Ainda foi necessário calibrar e calcular o atraso técnico para aumentar a cobertura da rádio, com “aumento da área do mercado, o uso eficiente do espectro, energia e recursos, com possibilidade de uso direcionado de RDS e o uso de TA em área que necessita deste serviço”.

Fini trouxe uma visão para a evolução do rádio e disse que esta perspectiva tem a ver com o seu trabalho de pesquisa e artigos publicados na Revista da SET, onde falou sobre o futuro do rádio com uma visão que, de alguma forma, permite pensar no negócio. Assim, disse que “o rádio mantém uma relevância enorme, mas o modelo puramente contemporâneo já não é mais suficiente”, porque “o contemplativo deixou de ser relevante, já que os mais jovens querem interagir com a mídia”.

Ele refletiu que os usuários rejeitam a antena, “um lugar que deve ser repensado”, porque “hoje a tendência é a personalização”, que inclua “a interatividade”, porque a era do monólogo terminou. “A interação em tempo real, seja em ambientes conectados ou dispositivos móveis, é o que a audiência espera dos operadores de rádio”.

Assim, disse o ex-presidente da SET, “o dispositivo que eu escuto rádio em casa já não é o mesmo que usamos, porque ele vem mudando drasticamente”, e comentou que “em deslocamento, seja no veículo ou caminhando, porque o rádio acompanha o usuário o tempo todo, com situações diferentes, mas com uma grande mudança do dispositivo de recepção”. E disse que os carros “vêm com antena ruim, isso porque cada vez se entende mais a interação da antena mais adaptada ao 5G”. 

Finalmente, falou do rádio por meio de aplicativos, e que “os rádios nos apps permitem o que o FM analógico nunca permitiu”. Fechando, disse que “a audiência não é mais fixa, é móvel e está guiada por outro dispositivo, que é o celular”, pelo que é necessário pensar no user-centric, onde existe “identidade unificada, operação no dial” e “evitar soluções pulverizadas”.

O SET Sul 2026 tem como patrocinadores Ouro Speedcast, SES, Canon, Alliance, YouCast, Mediastream, Eutelsat, Media Portal e Taghos. Como patrocinadores Prata, Sony, SDB Multimedia, Broadmedia e Pinnacle; e, como patrocinadores Bronze, Showcase, Ablink, Teletronix, Lineup e Simba CDN, além do apoio institucional da Abert, Astral, Abratel e AERP.

Por Fernando Moura e Fernanda Vio