SET Sul: Líderes debatem inovação, IA e os desafios do futuro do setor

Executivos do setor debatem inovação, Inteligência Artificial, TV 3.0 e os desafios da radiodifusão diante das plataformas digitais e da fragmentação da audiência.

Líderes do setor discutem tendências, desafios e oportunidades que moldam o futuro da radiodifusão, trazendo perspectivas estratégicas sobre inovação, sustentabilidade e evolução do mercado em um cenário tecnológico em rápida transformação. O encontro teve a moderação de Carlos Fini, ex-presidente da SET, e a participação de Rodrigo Martinez, VP da Rede CNT; Lorena Peter, diretora Comercial da NSC Comunicação; Roberto Dimas Amaral, VP Executivo do Grupo SCC; e Gilberto Kleinübing, diretor de Mercado do Grupo ND.

O painel avançou para pontos importantes da indústria e destacou a Inteligência Artificial (IA). Nesse campo, Roberto Dimas Amaral disse que “a tecnologia vem para entregar mais. A TV 3.0 e os ganhos que a TV 2.0 trouxe, estamos subutilizando a 2.5, onde poderíamos fazer coisas que não estamos operando”. Ele disse que os desafios são grandes, mas o maior são as plataformas sem regulação, o que faz com que “a competência é com as plataformas que não são reguladas”. A TV e o rádio cresceram muito, e “a sobrevida é com a somatória das ações 360. Hoje trabalhamos com uma entrega de comunicação. Só com isso sobrevivemos”.

Por sua vez, Lorena Peter disse que as corporações precisam estar em todas as plataformas. “O mercado atual é desafiador, porque, a partir do momento em que a TV perde a centralidade, temos plataformas que competem para ganhar a atenção. O que nós devemos fazer é entregar relevância, entregar atratividade”. O que nos desafia é a concorrência desleal pelas assimetrias, porque “a concorrência está com as big techs. Hoje também temos a oportunidade de incrementar soluções que nos permitam monetizar, com uma cauda longa de CNPJs capturados pela nova indústria”.

Martinez disse que pensa no futuro e afirmou que o ponto “passa pelas emissoras começarem a pensar como empresas de tecnologia. E assegurou que a radiodifusão deve ir para a tecnologia. “Temos de manter o nosso telespectador, evoluir para pensar de uma maneira 360o.

Por outro lado, Gilberto Kleinübing, diretor de Mercado do Grupo ND, disse que no mercado mudaram algumas coisas, uma das principais é a fragmentação e a segmentação de audiência, o que faz com que “as empresas de mídia estejam mudando”. Segundo ele, é necessário ter profissionais nas empresas que possam “navegar nas diferentes plataformas”. 

E refletiu que o problema da radiodifusão é a falta de métricas próprias, como têm as plataformas. Referindo-se à utilização de IA, disse que “temos de usar a tecnologia para que o ser humano chegue ao cliente e orquestre o trabalho de mídia de acordo com a sua necessidade e trabalhe o conceito de marca, que nenhum meio faz melhor que a televisão”.

Amaral disse que a TV 3.0 é uma obrigação para atualizar tecnologicamente, mas não será o diferencial. “O que fará a diferença será a Inteligência Artificial, o que poderá ajudar a baixar custos e permitirá, por exemplo, produzir um reality show local, com custos baixos. A IA será a TV 4.0″.

Lorena disse que, para impulsionar resultados, “temos de ter tecnologia”, porque ela é “condição de atualização”, mas sem “romantismo de imaginar que teremos uma solução mágica”. Falando da TV 3.0, comentou que é “um processo moroso, temos um longo caminho pela frente. Até lá precisamos manter as empresas saudáveis e comprometidas com a performance dos nossos clientes, temos um círculo virtuoso”.

Rodrigo Martinez, VP da Rede CNT, valorizou o momento. “Estamos vivos, com maiores audiências. Cedo ou tarde acordamos para ser empresas de tecnologia, cada um do jeito que acredita. Cada um à sua maneira. E na TV 3.0 vamos unir tecnologias para lutar contra as big techs“. Kleinübing fechou dizendo que a tecnologia “é uma aliada, por isso, a IA com monitoramento será muito útil”.

O SET Sul 2026 tem como patrocinadores Ouro Speedcast, SES, Canon, Alliance, YouCast, Mediastream, Eutelsat, Media Portal e Taghos. Como patrocinadores Prata, Sony, SDB Multimedia, Broadmedia e Pinnacle; e, como patrocinadores Bronze, Showcase, Ablink, Teletronix, Lineup e Simba CDN, além do apoio institucional da Abert, Astral, Abratel e AERP.

Por Fernando Moura e Fernanda Vio