Software-defined broadcast redefine produção com agilidade e inteligência
SET Expo debate os impactos da infraestrutura definida por software e como ela prepara as emissoras para o futuro multiplataforma
No segundo dia do Congresso SET Expo, que está sendo realizado no Centro de Convenções do Distrito Anhembi (SP), o painel “Software-Defined Broadcast: Flexibilidade, Escalabilidade e Inteligência Operacional”, reuniu especialistas para debater como a transição para infraestruturas baseadas em software está reformulando o modo como o conteúdo audiovisual é produzido, distribuído e monetizado.
A mediação foi de Fabio Acquati, diretor de Tecnologia da NGN Telecom. O debate abordou temas como orquestração, automação, interoperabilidade, uso de IA e os impactos no modelo de negócio dos broadcasters.
Maurício Felix, diretor executivo de Tecnologia da Globo, abriu o painel conceituando o software-defined como a nova base operacional da indústria. “Isso significa que precisamos de mais agilidade, flexibilidade de formatos e funcionalidades, além de escalabilidade para nos adequarmos ao modelo de negócio com mais eficiência”, afirmou.
Segundo ele, apesar da ampla oferta de tecnologia, muitas operações ainda seguem um modelo manual. “Com o advento da inteligência artificial, estamos vendo novas possibilidades. O ideal é termos uma grade totalmente automatizada e programável em várias funções, otimizando os recursos humanos e tecnológicos”, completou Felix.
Ele também destacou a necessidade de pensar em uma produção multiplataforma, compatível com diferentes padrões de qualidade e formatos. “Estamos falando de 4K, 8K, múltiplos canais de áudio. Diversificar os formatos de entrega passa por entender bem os equipamentos e as soluções que executam funções específicas.”
Tim Banks, Chief Revenue Officer da Grass Valley, com mais de 25 anos de experiência na indústria de mídia, reforçou a importância da escalabilidade. “Precisamos ser ágeis. A forma como produzimos e distribuímos conteúdo precisa acompanhar a velocidade das mudanças no nosso negócio. Escala e flexibilidade são fundamentais para esse cenário.”
Steve Reynolds, CEO da Imagine Communications, também ressaltou que o comportamento do consumidor está no centro dessas transformações. “A indústria de mídia não é mais a mesma de dez anos atrás. Hoje, o conteúdo é consumido de forma fragmentada — via broadcast, streaming, on demand. Essa mudança impacta diretamente o modelo de negócios de empresas como a Globo.”
Reynolds explicou que esse novo cenário levou a Imagine a migrar de uma fornecedora de hardware para uma empresa de software. “Adotamos arquiteturas de desenvolvimento e implantação que proporcionam agilidade e flexibilidade. Também alteramos nosso modelo comercial: ainda vendemos licenças e appliances, mas a maior parte da receita já vem de software por assinatura ou como serviço (SaaS), alinhado ao sucesso dos nossos clientes.”
Os participantes concordaram que a adoção de modelos definidos por software é economicamente viável e sustentável no longo prazo — mas depende de uma mudança de mentalidade tanto dos fornecedores quanto dos broadcasters.
“Estamos no meio dessa jornada no Brasil. O modelo ideal é pagar pelo que se usa, mas, na prática, ainda existem custos fixos, como licenças embutidas. Os broadcasters precisam reavaliar o equilíbrio entre custo e benefício. Se não houver agilidade, os custos aumentam. É preciso investir nessa transformação”, concluiu Felix.