Transformação digital: IA, LED e automação redefinem o audiovisual

Especialistas discutem no SET Expo como a produção virtual está evoluindo com tecnologias acessíveis, cenários digitais e novos paradigmas de mercado

O painel Produção Virtual: Hoje e Amanhã — Entre a Realidade, a Imaginação e o Futuro com a IA, realizado no segundo dia do SET Expo, reuniu especialistas para debater os avanços tecnológicos que estão redefinindo o audiovisual. A mediação foi de André Dias Arnaut, coordenador do Grupo de Trabalho de Produção Virtual da SET e CEO da Legado Tecnologia.

Na abertura, Arnaut destacou o momento decisivo que vive a produção virtual. “Estamos em um período épico para quem produz mídia. Há uma necessidade crescente de gerar conteúdo para múltiplos canais, em um mercado competitivo e com muitos players. Hoje, o consumidor espera experiências visuais ricas, como o uso de painéis de LED no filme The Mandalorian”, afirmou.

Richard Albanesi, CEO da The LED, destacou como a integração entre tecnologia, dados e criatividade pode reduzir custos, otimizar cronogramas e expandir possibilidades narrativas. Segundo ele, apesar de o uso de painéis de LED ainda ser restrito nas emissoras brasileiras, há um enorme potencial para aplicação em cenários virtuais e produções cinematográficas. “Não adianta só ter o LED. É preciso ter conteúdo atrativo e cenografia compatível com o ambiente. Temos visto muitas ativações com LED em eventos, mas pouco ainda no cinema”, observou.

Questionado sobre como ganhar escala com LED e inteligência artificial, Albanesi reforçou que é a combinação de fatores — como tecnologia, conteúdo e planejamento — que determina a efetividade dessas soluções.

Tecnologia acessível para pequenas e médias produções

Em sua palestra, Renato Goya, engenheiro de pré-vendas da Panasonic Brasil, mostrou como a produção virtual tem ganhado espaço com soluções tecnológicas mais acessíveis. Ele destacou os avanços das câmeras PTZ da Panasonic, com inteligência artificial embarcada, movimentos mais naturais, maior qualidade de vídeo e novos recursos como correção de distorções de imagem e redução de vibração.

Goya também apresentou um caso de uso de realidade aumentada com o protocolo Free-D, que permite maior velocidade no compartilhamento de dados e integração entre equipamentos. “O Free-D é interessante porque possibilita a expansão de dados para diferentes IPs, o que aumenta o realismo e a flexibilidade das produções”, afirmou.

Henrique Andrade, instrutor autorizado de Unreal Engine e sócio da Beginplay, abordou o impacto da inteligência artificial na produção virtual e no mercado de trabalho. “A IA já afeta praticamente todos os postos de trabalho. Estimativas indicam que 25% das emissoras já utilizam alguma forma de IA. E, nos próximos dez anos, muitas pessoas poderão ter dificuldade para acompanhar o ritmo da evolução tecnológica”, alertou.

Henrique também demonstrou como a IA pode contribuir com a criação de conteúdo. “Hoje, você pode gerar ideias com ferramentas como o Chat GPT, e a partir dessas sugestões, desenvolver personagens, cenários e efeitos visuais que alimentam a produção virtual”, disse.

Encerrando o painel, Tor Rolf Johansen, especialista em cinematografia da Blackmagic Design em Los Angeles e ex-produtor independente com clientes como The Beverly Hilton Hotel e Pinkberry, compartilhou experiências criativas com baixo orçamento.

Johansen mostrou projetos-piloto feitos em sua garagem, usando sua plataforma Dina Dolly e técnicas de iluminação inovadoras. “Não havia pressão, era um ajudando o outro, sem orçamento, só tentando capturar o que fosse possível. Tentamos fazer três tomadas e conseguimos nove. Foi a primeira vez que usei a parede como fonte de luz, e o domo circular acima do astronauta era apenas para fins de iluminação, já que só iria enquadrar aquela parte”, relatou.