Painel no SET Expo 2025 debate limites e oportunidades de IA no audiovisual
Especialistas discutem aplicações reais da inteligência artificial na produção de conteúdo, destacando riscos, potencial criativo e o papel essencial da curadoria
O painel das 14h40 na sala 4 promoveu uma reflexão profunda sobre os impactos e possibilidades da inteligência artificial na produção audiovisual. Sob o título “Trabalhar com IA no Audiovisual: Inimiga, Assistente ou Coautora?”, o encontro reuniu especialistas que, longe de polarizar o debate, buscaram caminhos para uma convivência crítica, produtiva e ética com a tecnologia.
Fernando Castelani, Consulting Account Lead do Google Cloud, abriu a sessão apresentando os avanços dos modelos fundacionais desenvolvidos pela Alphabet – como os da DeepMind – e sua aplicação direta na indústria da mídia. “O objetivo não é substituir profissionais, mas democratizar a tecnologia. Com IA, produções de qualidade podem ser viáveis mesmo com recursos limitados”, destacou. Castelani apresentou cases de uso do modelo Veo 3, que gerou comerciais em múltiplos idiomas e com efeitos visuais e sonoros integrados – como exemplo, exibiu um filme publicitário produzido com IA para a NBA por menos de US$ 2 mil.
Castelani também ressaltou o diferencial da plataforma Vertex AI, que permite acesso a uma coleção de modelos em constante evolução. “Estamos falando de uma tecnologia que hoje permite criar vídeos com cenas que seriam inviáveis em estúdio, como bebês, animais e efeitos complexos”, disse.
Já o moderador Fernando Moreira, coordenador do Grupo de Trabalho sobre IA da SET, trouxe uma perspectiva prática e crítica, destacando ferramentas que vêm ajudando em tarefas como roteirização, edição e corte de vídeos com base em prompts e transcrições. “Melhorou muito, mas ainda não está bom”, afirmou. Para ele, o uso de IA no audiovisual ainda exige supervisão humana. “Mesmo com prompts bem feitos, ainda é difícil chegar à especificidade de cada emissora, de cada público. Mas é um apoio valioso”, completou.
Foram demonstradas ferramentas premiadas, como um plugin que transforma prompts em cortes automáticos compatíveis com softwares como Premiere e DaVinci Resolve — ideal para documentaristas. Também foram citadas soluções para análise de mercado e comportamento de audiência, como Glimpse, Vidooly, Vasuno e Google Trends com IA, ampliando a atuação da IA desde a pré-produção até a distribuição personalizada de conteúdo.
Mais do que deslumbramento tecnológico ou temor pela substituição humana, o painel reforçou a necessidade de curadoria crítica, formação em engenharia de prompts e uso ético da linguagem audiovisual. Como bem sintetizou Moreira: “A IA ainda não pensa. Mas você, sim”.