TV por assinatura: Globo inicia operação na nuvem

Como em outros momentos, MediaTech inicia movimento pioneiro no mercado brasileiro, e começou a distribuir os canais Modo Viagem, Canal Brasil e Futura em ambiente próprio da Globo na nuvem. Até o fim deste ano, serão 18 canais operando neste formato.

Raymundo Barros, diretor de Estratégia e Tecnologia da Globo / Foto: Fernando Moura

O primeiro canal a migrar foi o Modo Viagem, em abril. Em maio, Canal Brasil e Futura também passarão a ser operados da nuvem, e, até o fim do ano, a empresa prevê a migração de outros 13 canais da TV por assinatura – uma jornada de cloudification que seguirá de forma contínua e com um crescimento exponencial até 2025. Segundo afirma a Globo em comunicado, “a jornada de cloudification da Globo teve início em abril de 2021, quando a empresa fechou um acordo importante com o Google Cloud. Desde então, a parceria estratégica vem evoluindo de forma contínua” .

Feito isso, explica a empresa, “no período em que completa dois anos desde o início do seu processo de migração para a nuvem, em uma parceria de co-inovação com o Google Cloud, a Globo dá mais um passo importante na sua jornada de cloudification, utilizando essa infraestrutura na operação dos seus canais da TV por assinatura. Agora, todo o playout (sistemas de automação, de exibição e de comunicação visual) de canais Globo por assinatura passará a ocorrer de forma independente da central técnica, instalada no Rio de Janeiro”.

As vantagens de ter as operações de tecnologia rodando na nuvem são muitas. Quatro palavras sintetizam as principais: eficiência, agilidade, escalabilidade e inovação. “Cloud computing está intimamente associada a ganho de eficiência. Podemos lançar, com agilidade, canais temáticos, sazonais ou por demanda, impactando diretamente a experiência do usuário, que acessa conteúdos cada vez mais segmentados e inovadores. Operar na nuvem também nos permite abrir mão de uma arquitetura pesada de TI – que é sempre dispendiosa e demanda investimentos complementares em elétrica e refrigeração – e, ao mesmo tempo, aumentar a flexibilidade e escalabilidade”, avalia Raymundo Barros, diretor de Estratégia e Tecnologia da Globo.

No fim de 2022, a Globo lançou seus dois primeiros canais Fast (Free Ad Supported Streaming Television), ambos com operação na nuvem, o Receitas e o ge. Agora, começa a migrar etapas relevantes dos processos de distribuição dos seus canais pagos para a nuvem. Foram cerca de dez meses de desenvolvimento, sendo dois deles marcados pela operação em paralelo (utilização tanto da infraestrutura física quanto da nuvem). “O playout consiste no sequenciamento de mídia – cada conteúdo que compõe a grade de programação –, que, por sua vez, conta com um sistema de automação para a leitura dos metadados e uma camada de grafismos. Agora, todo esse processo ocorre via Google Cloud, prescindindo dos servidores, da infraestrutura de matriz e dos demais elementos físicos”, informa Gilberto Castanõn, diretor de Distribuição de Conteúdo da Globo.

A jornada que possibilitou a criação desse ambiente próprio na nuvem, com disponibilidade e confiabilidade elevadas – uma conquista inédita no mercado de broadcast brasileiro –, iniciou-se ainda em abril de 2021. Nessa ocasião, foi firmada a parceria estratégica com o Google Cloud, que tem, dentre seus objetivos, otimizar a infraestrutura de tecnologia da Globo e gerar novas oportunidades de negócios por meio de uma plataforma escalável. “Estamos ajudando empresas de mídia e entretenimento de todo o mundo a transformar as experiências da audiência por meio da inovação na produção, na distribuição, no engajamento do cliente e na monetização de conteúdo. Nosso objetivo com a Globo é apoiá-los na intensificação do uso de soluções de gerenciamento de dados, inteligência artificial e machine learning, bem como usufruir da nossa infraestrutura global, escalável e segura para oferecer o suporte necessário à evolução tecnológica da empresa”, destaca Milena Leal, diretora de Negócios do Google Cloud no Brasil.

Segundo a empresa a jornada de cloudification vai muito além do playout dos canais Fast e da TV por assinatura. Todas as plataformas e produtos digitais – incluindo os portais (Globo.com, g1, ge e gshow), Globoplay, cobertura das eleições e votação do Big Brother Brasil 23 – já foram migrados para a nuvem. Com relação ao BBB, pela primeira vez na história do programa, a infraestrutura e a segurança das plataformas digitais da Globo ficaram 100% na nuvem, com capacidade, elasticidade e confiabilidade para absorver a audiência massiva que, ao fim da exibição ao vivo da TV Globo, migra, no mesmo minuto, para o Globoplay. Além disso, a infraestrutura de nuvem vem sendo usada para a finalização de diversos eventos esportivos e de música, para processos de pós-produção e criação gráfica, e para o armazenamento de acervo, entre outros projetos.

Por Fernando Moura, em São Paulo