Tela Brasil: streaming público estreia com mais de 550 obras

Serviço público gratuito integra acervo histórico e contemporâneo, recursos de acessibilidade e autenticação pelo Gov.br. plataforma estreia com 555 obras audiovisuais nacionais, abrangendo produções realizadas entre 1910 e 2025. 

O governo federal lançou oficialmente, no sábado 30 de maio, a plataforma Tela Brasil, serviço público e gratuito de streaming dedicado à difusão de obras audiovisuais brasileiras. Coordenada pelo Ministério da Cultura (MinC) e desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a iniciativa disponibiliza conteúdos sob demanda por meio de autenticação integrada ao sistema Gov.br.

Lançamento do Tela Brasil, na Cidade das Artes, com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A plataforma estreia com 555 obras audiovisuais nacionais, abrangendo produções realizadas entre 1910 e 2025. O catálogo reúne 267 curtas-metragens, 139 longas-metragens, 85 médias-metragens ou telefilmes e 64 obras seriadas. Entre os títulos disponíveis estão produções que marcaram diferentes períodos da cinematografia brasileira, além de 19 obras que representaram o país na disputa pelo Oscar ao longo da história.

O acervo inicial foi estruturado a partir de conteúdos financiados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e de obras preservadas por instituições vinculadas ao Sistema MinC, incluindo a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Fundação Nacional de Artes (Funarte) e a Fundação Cultural Palmares. A curadoria contempla diferentes segmentos da produção nacional, com categorias voltadas à infância, juventude, artes, brasilidade e diversidade cultural.

Entre os destaques estão coleções dedicadas ao cinema negro, ao cinema indígena e a produções dirigidas por mulheres. O catálogo também reúne obras relacionadas a temas como sustentabilidade e justiça climática. A categoria Africanidades, por exemplo, concentra conteúdos voltados às trajetórias, memórias e experiências da população negra brasileira.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva fala durante o lançamento da plataforma Tela Brasil /Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Do ponto de vista tecnológico, o projeto recebeu investimento de R$ 9 milhões entre 2024 e 2025, destinados ao licenciamento de conteúdos, ao desenvolvimento de infraestrutura própria e à implementação de recursos de acessibilidade. Segundo o governo, a plataforma foi construída com tecnologia brasileira e incorpora soluções voltadas à preservação, gestão de acervo digital e distribuição de conteúdos audiovisuais.

A acessibilidade foi definida como um dos pilares da iniciativa. Todos os títulos selecionados por edital público contam com audiodescrição, legendagem descritiva e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras). Durante o lançamento, a professora Luciana Peixoto Santa Rita, integrante do projeto pela UFAL, destacou que o desenvolvimento envolveu pesquisas relacionadas à acessibilidade, preservação audiovisual, memória e aspectos regulatórios associados à disponibilização dos conteúdos.

A operação inicial da Tela Brasil ocorre por meio de navegadores web, com suporte para transmissão a televisores conectados. O acesso é realizado por login único do Gov.br e oferece dois modelos de utilização. O Perfil Cidadão permite acesso individual e gratuito ao catálogo, enquanto o Perfil Direcionado foi concebido para exibições coletivas e não comerciais em ambientes como escolas, bibliotecas, museus, cineclubes e pontos de cultura. Aplicativos para dispositivos Android e iOS têm lançamento previsto para os próximos 30 dias.

Durante o evento de lançamento, realizado na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, também foi firmado um Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério da Cultura e a TV Brasil, emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). O acordo prevê ações voltadas à ampliação da circulação de conteúdos audiovisuais brasileiros e à integração de políticas públicas para o setor, reforçando a utilização de plataformas digitais como instrumentos de distribuição e acesso ao patrimônio audiovisual nacional.

No lançamento do streaming, na Cidade das Artes, na zona Oeste do Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que a plataforma é uma ferramenta de soberania cultural para que os brasileiros conheçam a si mesmos.

“[A Tela Brasil} vai contribuir para a elevação da compreensão de um país chamado Brasil. Por que nós somos assim? Por que nós fazemos assim?” O presidente também criticou o excesso de conteúdos estrangeiros nas telas do país, que ele considera de baixa qualidade. “A quantidade de enlatados de má qualidade que a gente é obrigado a assistir toda noite, porque não tem outra coisa para a gente ver. O que não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira”, lamentou Lula.

Por Fernando Moura com Agência Brasil

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