SVG Europe em Barcelona destaca tecnologia, emoção e produção remota
Evento, que teve participação e apoio institucional da SET, reuniu grandes nomes da indústria esportiva na capital da Catalunha para discutir inovações em produção remota, inteligência artificial, e novas formas de engajar o público com narrativas mais imersivas.

Sotris Salamouris, CTO da OBS, conversou com Ken Kerschbaumer, codiretor executivo de serviços editoriais da SVG
Em um ambiente altamente profissional e bem estruturado, o evento SVG Europe, realizado nesta quinta-feira (12/06) em Barcelona, Espanha, reuniu representantes de peso da indústria de transmissão esportiva. Desde o início, ficou claro que a produção remota, em suas múltiplas formas, já é a realidade dominante no setor. “Desde o primeiro painel, com o CTO da OBS, ficou evidente que a produção remota é o jeito que hoje se produz”, relatou um dos participantes.
Na sede da MediaPro na capital da Catalunha, o uso de virtual fly cases e eventos virtuais foi amplamente debatido, assim como os desafios técnicos que esses modelos ainda apresentam. No entanto, o consenso entre os palestrantes foi que esses desafios não são barreiras intransponíveis, mas sim parte do processo de transformação. “Cada uma dessas formas de produção remota tem uma particularidade que hoje a tecnologia favorece implementar”, apontou outro especialista.
Um dos temas centrais foi a busca por novas formas de contar histórias e gerar emoção no esporte.
Sotris Salamouris, CTO da OBS (Olympic Broadcasting Services), conversou com Ken Kerschbaumer, codiretor executivo de serviços editoriais da SVG, e analisou a inovação na produção de transmissões de anfitriões dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.
Da conversa ficou claro que o foco não está apenas nos avanços técnicos, mas em como esses avanços podem intensificar a conexão emocional com o espectador. “Eles se preocupam em apresentar tudo que é interessante para trazer emoções, tanto na alegria quanto na tristeza do evento”, destacou um analista presente.
A imersão e personalização da experiência do público também surgiram como tendências claras. A ideia é que o espectador possa montar sua própria narrativa, escolhendo os elementos que deseja acompanhar. “A tendência é fazer o esporte imersivo, do jeito que a pessoa quiser ver, para que possa desfrutar mais do evento”, comentou um dos painelistas.
Sobre inteligência artificial, o debate foi mais comedido. Apesar do avanço da tecnologia, alguns ainda demonstram resistência. “A MotoGP, por exemplo, ainda não acredita que a IA consiga definir os melhores momentos como um ser humano faria”, observou um participante. Ainda assim, há otimismo. “Com o uso de LLMs dedicados e RAG, vamos conseguir fazer highlights tão bons quanto um ser humano — e bem mais rápidos”, afirmou um especialista.
Outro tema discutido foi a latência em transmissões, especialmente em produções que utilizam nuvem. Painelistas com experiência em cloud e produção híbrida destacaram que, embora existam aplicações viáveis na nuvem, nem todos os formatos esportivos são compatíveis com essa abordagem. “Claro que existem aplicações de esporte que você pode usar na nuvem, mas não muitas delas”, pontuou um debatedor.
A programação incluiu painéis técnicos, estudos de caso e discussões práticas. Houve espaço para trocas sobre os desafios operacionais, soluções emergentes e o futuro da produção esportiva, com um consenso claro: a indústria está em transformação, e os profissionais precisam estar abertos à inovação contínua. “O evento foi bem apresentado e é realmente um evento que vale a pena”, resumiu um dos participantes.
O SVG Europe reafirmou seu papel como fórum de excelência para discussões sobre o futuro da transmissão e produção esportiva, colocando a tecnologia a serviço da emoção, da narrativa e da experiência do fã.
Por Fernando Lopez Cisneros em Barcelona (Fotos e informe) e Fernando Moura, em São Paulo (Edição)


