SVG 2026: Produção remota e IA transformam cobertura da Fórmula 1
Revista da SET acompanha em Barcelona inovações em produção esportiva e estratégias de engajamento na Fórmula 1. Painel sobre a evolução da produção e distribuição de conteúdo da categoria, com foco em tecnologias, produção remota e personalização da experiência do público.

A Revista da SET realizou pelo segundo ano consecutivo a cobertura, em Barcelona, Espanha, do SVG Europe Innovation Summit 2026, evento que reúniu especialistas da indústria para discutir avanços em produção esportiva. A programação destaca o uso de fluxos de trabalho definidos por software e baseados em nuvem, produção remota e centralizada, além da incorporação de inteligência artificial, automação e tecnologias de captura imersiva, como drones FPV e produção volumétrica.
Durante a sessão “Enjoy the ride: The inside track on Sky Sports’ enhanced coverage of F1 for 2026 and beyond”, Dean Locke, F1, Director of Broadcast, Media and Digital, e Phil Marshall, Sky Sports, Director of Production, abordaram a evolução da cobertura. Segundo os palestrantes, a operação atual incorpora novos ângulos de visualização, maior uso de dados em narrativa e elementos gráficos imersivos, além de desafios adicionais decorrentes de mudanças nos regulamentos técnicos das equipes e dos veículos.
No contexto dessas transformações, a Fórmula 1 foi apresentada como um dos principais casos de evolução na produção e distribuição de conteúdo esportivo. Segundo os executivos participantes, a categoria ampliou sua audiência global e passou a atrair um público mais jovem e diverso. Dados apresentados indicam que 43% dos fãs têm menos de 35 anos e 42% do público é feminino, refletindo mudanças no perfil de consumo e no alcance das plataformas.
O crescimento da Fórmula 1 ocorre de forma integrada entre televisão, plataformas digitais, redes sociais e eventos presenciais. Circuitos como Melbourne, Austin e Silverstone passaram a receber centenas de milhares de espectadores por fim de semana, consolidando o evento como uma experiência que se estende além das corridas. A cobertura atual considera não apenas a transmissão da prova, mas um ecossistema contínuo de conteúdo.
Os executivos destacaram que a produção não se restringe ao momento da corrida. Há geração constante de conteúdo antes, durante e depois dos eventos, incluindo entrevistas, bastidores, análises técnicas, cobertura de fan zones e conteúdos para redes sociais. Esse modelo amplia o engajamento ao transformar a competição em uma narrativa contínua.
A parceria de longo prazo entre Fórmula 1 e Sky Sports foi apresentada como elemento estrutural desse processo. O lançamento de um canal dedicado em 2012 e a renovação dos direitos no Reino Unido até 2034 permitem o desenvolvimento de formatos de transmissão baseados em múltiplas plataformas, ampliação de recursos gráficos e novos modelos de storytelling.
Outro ponto destacado foi o acesso ampliado a pilotos, engenheiros e equipes. Entrevistas realizadas minutos antes da largada, uso de rádios de equipe em tempo real e presença editorial no paddock contribuem para aproximar o público dos bastidores da competição, integrando informação técnica e narrativa.
A produção remota foi apontada como uma das principais mudanças estruturais. Grande parte das operações ocorre no Media and Technology Centre, em Biggin Hill, no Reino Unido, enquanto os circuitos operam como pontos de captura de áudio, vídeo e dados. O modelo reduz deslocamentos e infraestrutura in loco, com impacto direto na eficiência operacional e na redução de emissões, estimada em cerca de 25% em relação a 2018 no que se refere a viagens.
No campo tecnológico, foram destacadas iniciativas como o uso de drones capazes de acompanhar veículos em alta velocidade, câmeras 360° instaladas nos carros, aprimoramentos em sistemas de replay, legendagem automática dos rádios por meio de inteligência artificial e expansão do uso de dados em tempo real. A integração desses recursos sustenta a próxima fase da cobertura, orientada pela personalização da experiência do espectador, com múltiplos feeds, seleção de ângulos e acesso a análises baseadas em telemetria.
Por Fernando Lopez Cisneros em Barcelona e Fernando Moura, em São Paulo