SVG Europe: Tecnologia norueguesa transforma câmeras em software
Evento, que teve participação e apoio institucional da SET, reuniu recentemente grandes nomes da indústria esportiva na capital da Catalunha para discutir inovações em produção remota, inteligência artificial, e novas formas de engajar o público com narrativas mais imersivas. Uma das inovações demonstradas foi o da uma startup norueguesa que “transforma câmeras em software” reinventando as transmissões esportivas
A startup norueguesa, Muybrige, apresentou na última quinta-feira, 13 de junho, na sede da MediaPro em Barcelona, Espanha, uma solução que muda o conceito atual de transmissões esportivas já que em vez de câmeras físicas volumosas nos estádios, o sistema usa múltiplos sensores de imagem ultracompactos combinados via software para criar câmeras virtuais controláveis em tempo real. “O resultado são ângulos de câmera inéditos e movimentos dinâmicos, sem nenhuma parte mecânica em movimento”, disse o CEO e fundador Håkon Espeland no SVG Sports Production Summit.
Com esta tecnologia, explicou Espeland é possível simular movimentos de câmera semelhantes aos de um drone ou de uma câmera sobre trilhos (rail-cam), porém de forma totalmente virtual. “Por não depender de equipamento pesado, a solução tem aparato mínimo e pode se posicionar muito perto da ação sem interferir nos atletas. O público em casa recebe uma experiência imersiva, percebendo de perto a velocidade, a intensidade e a habilidade dos atletas em ângulos antes impossíveis na transmissão convencional”.
Parceria e expansão da tecnologia
Lançada inicialmente no tênis em parceria com a Hawk-Eye Innovations (empresa do grupo Sony) sob o nome Hawk Vision, a plataforma está pronta para qualquer esporte. A empresa norueguesa vislumbra aplicações em basquete, hóquei, futebol, boxe etc. – “a única limitação é a imaginação dos produtores”, disse Espeland, e reforçou que com aparato mínimo e cobertura total das jogadas, “a abordagem promete revolucionar as transmissões esportivas, integrando-se à infraestrutura de broadcast existente (inclusive em produções remotas) como uma câmera convencional”.

Na hora da análise o CEO da MuyBrige disse que comparada com câmeras tradicionais e drones, as câmeras especiais (em trilhos, cabos aéreos ou drones) ajudam a contar histórias visuais, mas são limitadas pela física e por normas de segurança – não podem chegar muito perto dos atletas. Já a solução virtual da empresa “não sofre essas restrições: sem partes móveis, realiza movimentos de câmera sem atrapalhar o jogo e é praticamente invisível. Dentro de uma arena, o sistema pode até substituir drones em tomadas próximas, eliminando riscos e obstáculos”.
O executivo disse, ainda, que para imagens aéreas que cobrem, por exemplo, um estádio inteiro, drones reais ainda são necessários. Contudo, para acompanhar de perto a ação, a câmera virtual cumpre o papel sem precisar de nenhum equipamento voador.
Implementação e próximos passos
Espeland comentou que a solução é oferecida em modelo de assinatura proporcional à área coberta. Sensores são instalados ao longo da área de jogo e conectados à rede de câmeras existente; o restante fica a cargo do software. Os operadores utilizam os controles habituais – a plataforma se integra aos controladores padrão de estúdio, operando como uma câmera comum. Já testada em torneios de tênis, a tecnologia agora segue para demonstrações nos Esyas Unidos em esportes como futebol e beisebol, além da presença prevista no US Open. Ainda em 2025, há interesse em aplicá-la em corridas de Fórmula 1, lutas de boxe e demais eventos. A adoção dependerá de os diretores de transmissão abraçarem esses novos ângulos virtuais para envolver o público como nunca.
Por Fernando Lopez Cisneros em Barcelona, Espanha e Fernando Moura, em São Paulo