SVG 2026 em Barcelona analisa novos modelos de produção

Debates no SVG Europe Innovation Summit destacam pressão econômica, segmentação por níveis de produção e adoção de workflows remotos, cloud e automação.

A reportagem da Revista da SET acompanhou, em Barcelona, mais uma edição do SVG Europe Innovation Summit, onde especialistas analisaram mudanças nos modelos de produção aplicados ao broadcast esportivo. Entre os principais pontos discutidos esteve o crescimento contínuo do volume de conteúdo ao vivo, especialmente no esporte, em contraste com orçamentos que não acompanham esse ritmo. Segundo o CTO da Grupo Media Pro, Emili Planas, “esse é hoje o principal desafio da indústria”, ao exigir que emissoras e produtoras ampliem a quantidade de eventos e horas produzidas com praticamente o mesmo nível de investimento.

Esse cenário tem levado as empresas a reduzir o custo por hora de produção e a adotar abordagens mais flexíveis. O palestrante destacou que, com a evolução tecnológica, tornou-se possível realizar transmissões com custos significativamente menores, incluindo produções realizadas com smartphones e softwares acessíveis. Isso criou uma diferenciação clara entre produções premium, voltadas para grandes eventos, e produções básicas orientadas a volume e distribuição digital.

A ampliação das possibilidades tecnológicas também foi apontada como fator central na transformação do setor. O uso de arquiteturas baseadas em IP, SDI e SMPTE 2110, além de recursos como compressão sem perdas, SDR, HDR e UHD, trouxe maior flexibilidade operacional, mas aumentou a complexidade das decisões técnicas. Nesse contexto, “não existe mais um único modelo de produção”, exigindo que cada projeto seja estruturado a partir de variáveis como orçamento, qualidade desejada e infraestrutura disponível.

A análise apresentada indicou que o modelo tradicional de produção deve permanecer em grandes eventos, mas tende a representar uma parcela reduzida do mercado. A estimativa apresentada aponta que cerca de 20% das produções continuarão utilizando estruturas clássicas de alto investimento, enquanto os demais 80% deverão migrar para formatos mais flexíveis, com uso de workflows remotos, automação e soluções baseadas em software. O foco passa a incluir eficiência, escalabilidade e sustentabilidade financeira.

A flexibilidade foi destacada como elemento central para o futuro da produção. O modelo proposto considera diferentes níveis operacionais conforme o orçamento disponível, variando entre produções realizadas com smartphones, workflows híbridos e estruturas premium. Segundo o palestrante, o objetivo passa a ser “encontrar o melhor equilíbrio entre custo, qualidade e escala”, ajustando recursos técnicos e operacionais a cada projeto.

Pela sua parte, Zlatan Gavran, CCO da Broadcasting Solutions, disse que a segmentação da produção esportiva em diferentes categorias, organizadas em níveis como Tier 1, Tier 2 e Tier 3, têm movimentado a indústria. O debate indicou que essas categorias continuarão coexistindo, com grandes eventos mantendo estruturas de alto investimento, enquanto produções intermediárias e de menor escala ganham relevância a partir de modelos mais leves, remotos e automatizados.

Outro dos painéis debate IA na produção com Jens Cornelius Knudsen (DMC Production da Noruega). Ian Wray (Spiideo), e Dave Greene (Studio Automated)

A discussão também abordou o crescimento do volume global de conteúdo digital e seu impacto na indústria audiovisual. Foi destacado que plataformas como o YouTube recebem milhares de horas de vídeo a cada hora, alterando a lógica de produção e distribuição. Nesse cenário, emissoras tradicionais passam a operar em um ambiente de escala massiva, no qual diferentes níveis de qualidade e formatos de produção atendem a públicos e plataformas distintas. Parte desse crescimento é impulsionada por criadores independentes, streamers e produtores móveis.

Finalmente, Matt Ivey, diretor da TVU Networks, reforçou a consolidação de um modelo híbrido de produção, combinando caminhões de transmissão tradicionais, produção remota, workflows em nuvem e soluções baseadas em software. Os participantes destacaram que “não existe mais o conceito de ‘one size fits all’”, sendo necessário avaliar variáveis como tipo de evento, escala da produção, equipe disponível e infraestrutura de conectividade. Nesse contexto, a inteligência artificial foi apontada como ferramenta para automação de funções operacionais, incluindo controle de câmera, ajustes de cor e operações multicâmera, além de apoiar a produção remota em um cenário de escassez de profissionais especializados.

Por Fernando Lopez Cisneros em Barcelona e Fernando Moura, em São Paulo