Streaming Brasil mostra que estratégia de bundles está dando resultado

O mercado de streaming em expansão e transformação marca 9ª edição do Streaming Brasil. A deputada Jandira Feghali afirmou que espera que a Lei do Streaming seja sancionada até o fim de 2025.

A 9ª edição do Streaming Brasil, realizada em São Paulo nesta segunda-feira, 14 de abril, reuniu os principais nomes da indústria audiovisual, operadores de telecomunicações, ISPs e plataformas OTT para discutir os rumos e desafios do setor no país. As estratégias de rentabilização, adição de valor ao usuário e diferenciação competitiva, com foco em tecnologias, estratégias de marketing e definição de mercados alvo foram temas centrais.

A conferência de abertura ministrada por Henrique Rodrigues, gerente para Brasil da BB Media, trouxe dados importantes: o Brasil conta atualmente com 606 plataformas de streaming, das quais 28 surgiram apenas em 2024. Henrique Rodrigues, gerente da BB Media, destacou que, em média, cada domicílio brasileiro assina sete serviços. Apesar do crescimento, o setor ainda convive com entraves como a pirataria, que afeta principalmente conteúdos esportivos ao vivo, com 30% de penetração nos lares.

Um dos temas centrais do evento foi a integração dos serviços de streaming com a oferta de conectividade. Representantes da Claro, Vero, Paramount, Zapping e Alloha Fibra destacaram a importância dos chamados superbundles – pacotes que reúnem múltiplos serviços em uma só interface. Ricardo Falcão, da Claro, explicou a transição da operadora para o modelo via streaming, integrando plataformas como Netflix, Globoplay e Apple TV em um sistema unificado. A Zapping, por sua vez, aposta em uma experiência de usuário humanizada e com foco no público B2B, oferecendo canais ao vivo e streaming em um só pacote.

O papel das TVs conectadas também ganhou destaque, especialmente com os dados apresentados por Ricardo Prado, da Samsung TV. Com mais de 20 milhões de aparelhos conectados no Brasil, o consumo de streaming representa 75% das 1,8 bilhões de horas assistidas, sendo que o modelo AVOD (vídeo sob demanda com publicidade) ganha espaço entre os consumidores. Prado também chamou atenção para o crescimento do mercado FAST (Free Ad-Supported Streaming Television), com conteúdos gratuitos e apoiados por anúncios, e a predominância do consumo de notícias, esportes e filmes dublados.

Já no painel sobre novos modelos de distribuição, executivos de Roku, Globo, Claro, SKY e Paramount discutiram estratégias para ampliar a visibilidade dos conteúdos. Adriana Naves, da Roku, destacou o potencial do mercado brasileiro, que já supera em engajamento países como o Canadá. A Globo revelou um crescimento de 42% em 2024, impulsionado por parcerias com marketplaces e operadoras. O consenso entre os participantes é que os modelos agregadores se consolidam como tendência, ao facilitarem a experiência do usuário e reduzirem a taxa de cancelamento.

A monetização dos serviços foi outro tema debatido. Em um painel majoritariamente feminino, executivas da Globoplay, CurtaOn, Abott’s e AlmapBBDO apresentaram diferentes caminhos para gerar receita, como publicidade segmentada, canais FAST e modelos híbridos. Yassue Inoki, da Abott’s, enfatizou o papel da inteligência artificial na gestão de inventário publicitário e na criação de novos formatos. Julia Rueff, da Globoplay, reforçou o diferencial de nascença híbrida da plataforma, que combina conteúdos ao vivo com SVOD, alcançando mais de 25 milhões de usuários mensais.

Por fim, a regulamentação do setor também foi pauta. A deputada Jandira Feghali defendeu um marco regulatório que contemple todas as partes do ecossistema do streaming, incluindo cotas de conteúdo, tributação proporcional e penalidades claras. A proposta busca viabilizar a regulação do vídeo sob demanda (VOD) ainda este ano, garantindo maior equilíbrio entre as grandes plataformas e a produção nacional. A expectativa é que as discussões avancem com diálogo entre governo, empresas e sociedade civil para fomentar uma indústria audiovisual sustentável e plural no Brasil.

Por Fernando Moura, em São Paulo