SET SUL debate soluções para novos modelos de negócio

Painel discutiu conectividade, novos modelos de negócio e aplicações híbridas para radiodifusão, telecomunicações e serviços digitais.

A palestra “Além da Órbita: como satélites estão redesenhando modelos de negócio e conectividade” explorou como os satélites impulsionam novos modelos de negócio, ampliando a conectividade, viabilizando distribuição eficiente e abrindo oportunidades em mercados remotos, com impacto direto na radiodifusão, telecomunicações e serviços digitais.

O debate esteve a cargo de Eduardo Padilha, gerente de Vendas da Speedcast; Ricardo Calderon, diretor de Vendas de Mídia para Brasil e Cone Sul da Eutelsat; e Marcelo Amoedo, diretor de Vendas Sênior da SES, e teve a moderação de Thobias Eduardo Johann, engenheiro de Transmissão da NSC TV.

Ricardo Calderon disse que hoje estamos frente a uma nova estrutura de cobertura e demonstrou como funciona a frota LEO de “contribuição de vídeo”, que permite chegar “onde a fibra não chega”. Segundo ele, “o satélite tem valor agregado com a OneWeb LEO” porque é uma solução de broadcast com “cobertura ao vivo”, com desempenho de qualidade broadcast, que tem baixa latência e throughput estável com “terminais portáteis e fáceis de implementar, com mobilidade confiável”, tudo porque “tem resiliência híbrida, com redundância e otimização de largura de banda e contribuição contínua graças ao OneWeb LEO e ao bonding celular”. O executivo explicou que isso acontece porque há uma arquitetura para contribuição via LEO com “transmissão de valor agregado”.

Marcelo Amoedo, diretor de Vendas Sênior da SES, falou da nova “SES, uma nova empresa”, após a fusão com a Intelsat. Por isso, disse, “somos a maior operadora do mundo”, com “serviços ao redor do mundo, com serviços gerenciados”. Ele falou dos serviços da empresa na América Latina e disse que chega a mais de 55 milhões de lares na região.

Falando de futuro, comentou sobre estruturas híbridas: “vamos ver soluções customizadas, personalizadas, com modelos de negócio especiais”, e se referiu ao caso do México com uma rede híbrida, que é a Dish México, onde “a SES passou a operar toda a plataforma de DTH e outros serviços, onde criamos uma plataforma de streaming para criar oportunidades e o Free-To-View com o uso do DVB-NIP, com uma implantação desafiadora, onde o conjunto da tecnologia e o modelo de negócio está fazendo a diferença”.

Ele explicou que se insere publicidade segmentada, “com set-top-box com memória, com uma caixa conectada que permite as métricas e publicidade personalizada”, e disse que a tecnologia do DVB-NIP, que “permite unificar o mundo broadcast e broadband”, e disse que a empresa quer trazer ao Brasil a experiência “para ajudar os broadcasters a fazer a distribuição de TV 3.0 ou fazer o push para micro-CDNs”. Finalmente, falou do projeto Meosphere, “onde a SES passa a ser fabricante de satélites de órbita média, com satélites que garantem banda”, e apresentou os terminais de alto desempenho de 50×50 cm ou de 25×25 cm “para o mercado corporativo”.

No fim, os palestrantes falaram que o satélite continua sendo relevante. “Na Europa temos um satélite que entrega DTH para mais de 160 milhões de pessoas”, e Amoedo reforçou: “hoje temos necessidades diferentes, há outras tecnologias que convivem. Com novos serviços como, por exemplo, produção remota ou todos os jogos da Conmebol”.

Finalmente, Padilha falou sobre o mercado de TVRO em banda Ku e disse que hoje “temos 18 milhões de lares com TVRO”, com um ritmo de crescimento estável, com “o Nordeste e o Norte com mais ativações que o Sudeste e o Sul”. Sobre a região Sudeste, disse que há mais de 1 milhão de receptores ativos e referiu que em Santa Catarina chega a 500 mil. Falando de aspectos comerciais, disse que em estados como, por exemplo, o Piauí, mais de 70% da população assiste por TVRO.

Em termos de TV 3.0, Padilha disse que o Fórum trabalha com a ideia de que o receptor possa receber o sinal de DTV+, e, para isso, falou do Core montado na Speedcast, que criou um laboratório de testes agnóstico para demonstrar segmentação geográfica, com a possibilidade de compartilhamento de sinal a partir da sede da empresa, que permite transmitir sinal com DASH entregue ao satélite após o encapsulamento.

Nesse aspecto, demonstrou os testes feitos no canal 8 de São Paulo, explicou o fluxograma dos sinais e fez um teste no SBT com um “transmissor Rohde & Schwarz” na sala da Seja Digital, na torre do SBT em São Paulo, com um Core que inclui SRT, satélite, Lan-2-Lan, UDO e MPEG-TS, e avançou que, junto ao GT da SET, estuda a possibilidade de ter a TV 2.5 no satélite, “que pode e vai atender melhor o usuário final”.

O SET Sul 2026 tem como patrocinadores Ouro Speedcast, SES, Canon, Alliance, YouCast, Mediastream, Eutelsat, Media Portal e Taghos. Como patrocinadores Prata, Sony, SDB Multimedia, Broadmedia e Pinnacle; e, como patrocinadores Bronze, Showcase, Ablink, Teletronix, Lineup e Simba CDN, além do apoio institucional da Abert, Astral, Abratel e AERP.

Por Fernando Moura e Fernanda Vio