SET SUL debate o estado da arte da radiodifusão
O painel reuniu em Porto Alegre (RS) executivos para debater tendências e perspectivas estratégicas sobre o futuro da radiodifusão. A discussão focou em inovação, modelos de negócios, oportunidades, sustentabilidade e novos caminhos para o setor.
O primeiro painel da tarde do SET SUL, que se realiza em Porto Alegre, capital gaúcha, teve a participação de Daniel Abravanel, Diretor de Rede e Relações institucionais do SBT; Alexandre Gadret, Presidente da Rede Pampa de Comunicação; Marco Gomes, Diretor de Entretenimento e Canais do Grupo RBS; Lisiane Russo, Diretora Geral do Grupo Bandeirantes RS; Gustavo Fraga Brandão Paulus, Diretor Executivo da RECORD Guaiba.
A moderação foi da Subchefe de Comunicação da Casa Civil do Rio Grande do Sul, Zete Padilha. Zete disse no inicio que o setor passa por uma grande transformação e disse que os desafios são muitos para o setor de radiodifusão. Abravanel comentou que a maior desafio é a utilização da inteligência Artificial, junto com a modernização da TV com a chegada da TV 3.0, e nesse contexto “produzir conteúdo para as diferentes plataformas”, entendendo que “a TV tem de se reinventar e continuar a ser importante para o setor”.
Pelo seu lado, Alexandre Gadret, da Rede Pampa, falou que “o desafio passa pela competitividade comercial não só na atenção no dia das pessoas, mas sim na sustentabilidade econômica do negócio, porque nosso mercado está disperso, diluído. A briga é com as outras redes, as big techs, e até os próprios influenciadores, o que mostra uma inquietude do setor. Temos de oferecer um serviço nas mais diversas frentes, com uma entrega comercial que é fundamental para podermos continuar, porque temos novos entrantes que geraram um desequilíbrio no mercado”.
Marco Gomes, Diretor de Entretenimento e Canais do Grupo RBS, disse que os desafios passam pela área financeira, pensando na curva de sustentabilidade, “com uma migração do Capex para o Opex aumentando a despesa operacional”. Em termos de clientes, “passamos a um cliente que quer performance, com mídia segmentada, de one-stop-shop, um único canal que resolva a jornada”. Ele ainda falou de que o público mudou, “vivemos como a economia da atenção”.
Gomes disse que é preciso fazer mais com menos, mas “dar qualidade ao público”, com inovação nos processos. Ainda falou da inteligência artificial e destacou “a assimetria regulatória” que faz com que “concorramos com as big techs, gerando um desequilíbrio”.
Pela sua parte, Lisiane Russo, Diretora Geral do Grupo Bandeirantes RS, disse que os desafios são vários, “mas o que mais chama atenção é o distanciamento do que se exige dos veículos de massa do que se pede do digital. Mesmo no digital, as emissoras têm outras regras. A concorrência é desleal, por isso a única forma de concorrer é unir-se”, já que “concorremos com uma verba publicitária dividida com margens menores”.
Lisiane disse que o investimento em tecnologia, a regulamentação, e um desafio importante, que é “lidar com novos profissionais. A Band fica dentro de uma universidade, hoje o jornalista deve ser multiplataforma, e é difícil achar esse profissional. Hoje quem entra no mercado deve ser multi-funções, porque o olhinho não brilha mais como antes”.
“Na Record tentamos trazer o conceito de equilíbrio”, disse Gustavo Fraga Brandão Paulus, Diretor Executivo da Record Guaiba, e repensar as medições de audiências. Ele comentou que “estamos caminhando de novo a um modelo de extremo desequilíbrio”, porque “precisamos voltar a investir para convertermos em emissoras de TV 3.0”. Para Paulus, o equilíbrio deve prevalecer, em um mundo onde “nas emissoras informamos bem, nas redes, não acontece o mesmo”, já que não há regulação.
Inteligência Artificial, mercado e confiabilidade
Abravanel disse que a utilização da inteligência artificial é um problema sério, e citou um fato acontecido no ano passado com o Ratinho, e disse que muitas vezes as deepfakes geram perda de credibilidade. Mas comentou que “o SBT se preocupa e está em todas as plataformas, com presença em todas as telas”. Por isso, “fizemos uma junção da TV e nas redes sociais, criando conteúdo inovador para tentar conquistar um público novo que venha das redes para a TV e vice-versa”.
Por outro lado, o presidente da Rede Pampa de Comunicação disse que, no que pese os problemas, “o negócio deve ser observado de forma ampla” e deixou claro que “a competência para atingir os públicos não nos falta, a diferença é que alguns aproveitam os algoritmos em detrimento da qualidade do conteúdo. Nós, nas emissoras, temos uma competência enorme para produzir conteúdo, o que nós dá uma vantagem competitiva enorme, mas deve ter equilíbrio para que não fique todo o ônus para as emissoras e o bônus para as big techs”.
Lisiane Russo ressaltou a “credibilidade comercial e jornalística” dos meios de comunicação, e destacou o rádio como prioritário em momentos de crise, como as enchentes do estado ocorridas em 2024. Tema que o executivo da Record reforçou e disse que a publicidade deve ser colocada nos meios de comunicação que tem nome, “tem marca, tem histórico”. Sendo que a credibilidade “é um valor comum”, disse Gomes, e para isso “se manter vivo, os grupos de comunicação devem se manter presentes, não apenas reativamente, porque a tecnologia não é um fim, mas sim o setor que viabiliza que nossas marcas se mantenham presentes, por isso, o pessoal de tecnologia têm de se interiorizar na empresa como um todo”. E ele ressaltou que a IA “pode ser usada para otimizar processos” e assim, “fazer mais com nosso parque tecnológico”, viabilizando “a nossa missão, de uma forma sustentável”.
O SET SUL teve o patrocínio Ouro da Alliance, Canon, CIS Group, Convergint, Eutelsat, Mediastream, SES, Sony e Speedcast; e o apoio de EiTV, NeoID, SM Facilities, Teletronix, Pinnacle/Blackmagic Desing. Ainda, o apoio institucional da Abert, Abratel, Acaert, Aerp, Agert, Astral e o Grupo RBS.
Por Fernando Moura e Tito Liberato





