SET Nordeste: Keynote, Raymundo Barros, vislumbra o caminho da TV 3.0 até à Copa de 2026

O CTO de Tecnologia da Globo e presidente do Fórum SBTVD, Raymundo Barros, apresentou o keynote “DTV+: O Brasil conectado ao futuro. Rumo à Copa de 2026″. Nesse contexto, falou sobre a “DTV+ Estratégia de implantação” e anunciou que a Globo lançará duas estações de TV 3.0 em 2026 — uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo.

Raymundo Barros afirmou que “mais de 100 milhões de pessoas são impactadas pela TV aberta diariamente no Brasil. É a mídia presente em mais de 94% dos domicílios do país e 68% dos domicílios tem um televisor conectado na antena e na internet”.

O executivo destacou que, nos seus 75 anos, a TV, sempre manteve o mesmo modelo de negócio, que operava “em cima de mídia avulsa, patrocínio e branded content“, que ainda hoje são as três grandes formas de monetização. No entanto, com a TV 3.0, “todos os modelos de negócio que tornaram o entorno digital rentável passam a estar à nossa disposição”.

Barros comentou que, na TV 3.0, haverá uma “integração nativa na casa do telespectador”, avançando para “convergência entre ambientes em toda a cadeia”, com um ecossistema de TV com antena indoor, proporcionando “uma experiência seamless (Broadcast/Broadband)” e interação direta com o espectador.

Segundo ele, “na TV 3.0 a programação é a que mais muda, porque ela passa a ser um gestora de experiências”. E reforçou que “as novas TVs terão que automaticamente fazer um scan dos canais e instalar todos os ícones das emissoras abertas, dando proeminência à TV aberta”. Ele ainda explicou a hipersegmentação geográfica, a nova forma de mensuração de audiência, o T-commerce dentro de uma publicidade integrada e o DAI (Inserção Dinâmica de Anúncios).

Do projeto TV 3.0 ao decreto

O presidente do Fórum SBTVD explicou o processo iniciado em 2020 e que chegou a 2023, quando se definiram os requisitos e se realizou o alinhamento entre governo, radiodifusão e indústria. 

Neste momento, foram atribuídos os trabalhos de especificação técnica, definida a marca e, em agosto de 2025, foi assinado o decreto “dando as bases legais da TV 3.0. Hoje estamos ultimando as normas com a ABNT para que no início de dezembro deste ano tenhamos as normas definitivas”.

Falando sobre o decreto, Barros afirmou que nele se adotou “a camada física ATSC 3.0 com inovações brasileiras. A televisão baseada em aplicativos e acesso direto a DTV+, além de uma nova faixa de frequências para DTV+”, que terá 12 novos canais. Assim, explicou que a TV 3.0 brasileira tem “um padrão diferente” do norte-americano. “Temos um padrão no qual 30% das tecnologias são americanas, o 70% restante é de todo o mundo, com componentes tecnológicos globais”.

Tecnologias

Barros falou sobre as novas tecnologias, destacando a arquitetura de tecnologia DTV+ com “conteúdo em 4K e controle dos objetos de áudio na produção de conteúdo”. Ele explicou que o foco passa pelo EMS (Experience Management System), um gerenciador de experiências que permite “gerenciar aplicações interativas” a partir da integração com sistemas e plataformas digitais.

O executivo também abordou a camada física, com “maior eficiência espectral e energética através do MIMO”, e afirmou que “dados passam a ser uma disciplina fundamental”, na qual haverá feedback das experiências em tempo real e metrificação do uso da jornada do usuário na TV.

O CTO da Globo falou ainda sobre o core de rede para a operação da DTV+ que tem como premissas a elasticidade, escalabilidade, otimização e um modelo de contratação sob demanda.

Outro destaque foram as estações-piloto, nas quais “praticamente toda a camada de transporte é DASH/Route, com uma super integração entre o que entregamos pelo ar e o que entregamos pela internet”. Barros apresentou o centro exibidor das estações experimentais da Penna e do Sumaré, no Rio de Janeiro, que estarão em operação até março de 2026. Ele explicou que a estação da Igreja da Penna transmite com segmentação geográfica.

Também mencionou as estações-piloto Seja Digital em São Paulo, com os canais 7 e 8: “usamos como ecossistema como imensos laboratórios. As estações são laboratórios de aceleração para a experiência DTV+. É muito importante que fabricantes e emissoras aproveitem as estações para experimentar”.

A jornada para a Copa de 2026

Barros analisou ainda a agenda regulatória para o DTV+, incluindo a destinação de canais adicionais para DTV+, atos de requisitos com características técnicas das estações DTV+ e a portaria da TV 3.0 com diretrizes e regramento da consignação de canais DTV+.

Ele afirmou que, no início de 2026, a Globo deverá estar em testes, em maio, com um canal em São Paulo e outro no Rio de Janeiro, e cobrir todo o PNT (principais 15 cidades do Brasil), incluindo Fortaleza, até 2028, “cobrindo a metade do país em 5 anos, e o resto no ritmo que as linhas de investimento ofereçam”.

A estação de São Paulo contará com dois transmissores no TX Av. Paulista (21 kW), que chegarão a 5,7 milhões de domicílios (81%), alcançando uma população de 15,2 milhões (80%). No Rio de Janeiro, haverá pequenas estações — uma no TX Sumaré (21 kW) e outra no TX Igreja da Penna (2 kW) — para alcançar “domicílios cobertos 3,0 MM (68%) e uma população 7,6 MM (67%)”.

Barros anunciou ainda que, em março de 2026, sairá do ar a estação experimental e entrará em operação a estação definitiva do Rio de Janeiro, e lembrou que, em janeiro de 2026, entrará no ar a estação experimental de Brasília.

O SET Nordeste tem como patrocinadores a Alliance, Atlantis (Videodata), Canon, Eutesalt Group, Mediastream, Speedcast, Sony e Youcast. Conta com apoio de Blackmagic (Broadmedia e Pinnacle), NeoID, SM Facilities, Showcase e Teletronix; e apoio institucional de Jangadeiro, O Povo, Grupo Cidade de Comunicação, Sistema Verdes Mares, ABERT, ABRATEL, ASTRAL e ACERT.

Por Fernando Moura e Fernanda Vio