SET Nordeste debate o futuro do mercado audiovisual

Executivos dos principais meios de comunicação do Ceará analisam o estado da arte da mídia audiovisual com ênfase na TV 3.0.

O painel de encerramento do SET Nordeste foi um painel executivo: “Atualidade e o Futuro do Mercado Audiovisual em Debate”. O debate, moderado por Isabela Martin, Diretora de Jornalismo da Jangadeiro, contou com a participação de João Dummar Neto, Presidente Executivo do Grupo de Comunicação O POVO; Milton Turolla, Diretor Executivo do Sistema Jangadeiro de Comunicação; Edson Ferreira, Diretor-Geral do Grupo Cidade de Comunicação (TV Cidade); e Alex Magalhães, Diretor Comercial do Sistema Verdes Mares. A mesa discutiu a atualidade e o futuro da radiodifusão, explorando inovação tecnológica, sustentabilidade, formatos emergentes e novas dinâmicas de mercado que desafiam e ampliam as fronteiras do setor em um cenário de intensa convergência midiática.

Alex Magalhães, da afiliada da Globo no Ceará, disse que “é necessário criar novos modelos de negócio para financiar a TV 3.0”, e destacou a importância de estar próximo do Estado para avançar, mas alertou que “precisamos que seja um processo mais rápido que o de implantação da TV Digital, sabendo que vamos acertar e errar”.

Para Milton Turolla, a TV 3.0 promete hoje o que a TV Digital prometia com o Ginga, e agora “precisamos entregar mais rápido”. Ele reforçou que o investimento é grande, “mas tenho dúvidas do retorno. Eu não vejo tantas aberturas agora em termos publicitários. O bolo é o mesmo, mas hoje a publicidade foi dividida. Na TV 3.0 vamos fragmentar o bolo, será um aprendizado bastante difícil. Sei que vamos aprender, mas tenho a dúvida se o público está apto para receber tanta interferência na tela”.

Já João Dummar Neto, do jornal O Povo, afirmou que a empresa completa 100 anos nos próximos meses. “Nós vivenciamos muito a transformação, a mutação, a metamorfose, mas a ideia central é que o maior ativo que temos é a credibilidade e a informação”, destacou. Ele explicou que “o prazo de transformação é cada vez mais curto”. Dummar Neto ressaltou que é preciso testar, “por o dinheiro no bolso e vamos ter de pagar caro para testar”. E concluiu: “O que sabemos é que o bolo publicitário é o mesmo”.

Outro ponto debatido foi a disputa por verbas e a “isonomia regulatória”, além de como as empresas de conteúdo podem se unir para oferecer “uma visão muito clara” sobre os negócios das companhias nacionais e internacionais. Também foi discutida a necessidade de novos perfis profissionais nas emissoras.

Para Edson Ferreira, da TV Cidade, a questão central é “quem vai pagar essa conta” e como a junção do broadcast e do broadband “vai sair cara”. Ele afirmou que ainda não sabe como pagar, “mas é necessária”. Segundo Ferreira, “temos de ter uma multidisciplinaridade de conteúdos”.

 

“As nossas empresas precisam mudar os profissionais. Temos de incentivar as universidades para criar novos perfis com energia e sensibilidade para este projeto. Precisamos mudar porque todo o conteúdo terá de ser lançado ao ar e ter rapidez para mudar, com um profissional mais antenado, mais conectado. A TV 3.0 vai chegar em lugares que não imaginamos, mudou a cabeça. Então não dá para pegar a escola antiga e seguir assim”, disse Dummar Neto.

O SET Nordeste teve como patrocinadores a Alliance, Atlantis (Videodata), Canon, Eutesalt Group, Mediastream, Speedcast, Sony e Youcast. Conta com apoio de Blackmagic (Broadmedia e Pinnacle), NeoID, SM Facilities, Showcase e Teletronix; e apoio institucional de Jangadeiro, O Povo, Grupo Cidade de Comunicação, Sistema Verdes Mares, ABERT, ABRATEL, ASTRAL e ACERT.

Por Fernando Moura e Fernanda Vio