SET Nordeste analisa a infraestrutura da cadeia audiovisual

O painel “O Futuro do Conteúdo e a Distribuição: Conectando Produção, Distribuição Inteligente, Infraestrutura e Monetização”, analisou como em um mercado de atenção disputada, qual o futuro do conteúdo audiovisual? 

O debate abordou as estratégias que conectam os três pilares do sucesso: a excelência na produção de conteúdo, a eficiência na distribuição com infraestrutura escalável e a inteligência na entrega por meio de novos modelos de monetização.  

 

Moderado por Ronald Almeida, gerente Técnico Engenharia do Grupo de Comunicação O POVO, diretor de Relações Externas da ACERT, e representante regional da SET Nordeste; o painel teve a participação de Adriano Arruda, Diretor Cinematográfico da AGA Produções; Fabio Angelini, Diretor Comercial para o Brasil/América Latina do Grupo Pinnacle e embaixador da Blackmagic Design no Brasil; Marcelo Guerra, Americas Sr. Solutions Engineer da Uplynk; e Bruno Pessoa, Regional Sales Manager da EVS.

O primeiro a falar foi Angelini, que destacou que, nos últimos anos, a infraestrutura da indústria audiovisual mudou muito, com diversas marcas transformando suas formas de produção. Ele explicou o desenvolvimento tecnológico da Blackmagic e como o mercado evoluiu. “Trouxemos a Ursa Cine 17K 65 a Fortaleza a melhor câmera do mundo, mas é importante entender que se pode realizar uma produção com recursos broadcast para transmitir como streaming com qualidade de cinema”.

O Diretor Comercial para o Brasil/América Latina do Grupo Pinnacle continuou sua fala, acrescentando que a Blackmagic trabalha “compartilhando colaborações tanto ao vivo como na rede, e que hoje as câmeras e os celulares trabalham juntos”. Em seguida, exibiu o Blackmagic Camera App, um aplicativo para celular que transforma o dispositivo em uma câmera capaz de ser acoplada ao Blackmagic Camera ProDock, convertendo o celular em um equipamento com conexões profissionais.

Na sequência, Bruno Pessoa, da EVS, abordou o tema “impacto da IA em produções ao vivo”, destacando a importância dos Data Centers no Brasil e no mundo e como eles influenciam a produção ao vivo. Para exemplificar, utilizou as transmissões da F1, descrevendo a forma de produção e a criação, a partir de 2024, da solução “XtraMotion”, que, a partir dos frames existentes, permite gerar super slow motion usando câmeras comuns, como drones e câmeras tradicionais. “A tecnologia funciona com a interpolação de frames com frame-rate , abertura e distância focal específica”.

Pessoa explicou que as soluções baseadas em software não necessariamente precisam de outros devices — “o que há que fazer é treinar o machine learning”. Um exemplo é um zoom digital inteligente para “close” vertical, que permite mostrar eventos não captados originalmente. Outro exemplo foi o “feito cinemático”, uma “solução de exibição simultânea” que cria efeitos e looks cinematográficos a partir de qualquer câmera. Finalizando, falou sobre a IA utilizada no VAR, com “tracking rápido” para traçar linhas automáticas durante as transmissões.

Marcelo Guerra, Americas Sr. Solutions Engineer da Uplynk, apresentou o tema “monetização da grade linear ao fluxo personalizado” e discutiu como tornar o broadcast mais rentável, considerando as possibilidades de personalização oferecidas pela TV 3.0. Segundo ele, “a publicidade não precisa ser 1-1 para sempre, mas já é possível exibir comerciais exclusivos de forma pessoal para alguns clientes”. Ele explicou a implantação do SSAI, um formato de comercial inserido no streaming de vídeo via backend, o que dificulta bloqueios e gera um aumento de impressões de até +15%.

Guerra detalhou ainda os modelos de monetização não clássicos e contextuais, nos quais se “minimiza a interrupção”, exemplificando com Pause Ads, Banners em L, Product Placement e inserção de publicidade com “Hiper-personalização generativa onde o IA cria e edita o anúncio em tempo real, integrando contextuais, como o clima ou o horário do dia, no comercial”.O último a falar foi Adriano Arruda, que exibiu um vídeo para mostrar como alguns eventos regionais se transformaram em produtos nacionais, distribuídos por emissoras de alcance nacional. “Utilizamos toda a cadeia na prática, com uma solução regional, em um mundo que não tem mais distância”.

O SET Nordeste tem como patrocinadores a Alliance, Atlantis (Videodata), Canon, Eutesalt Group, Mediastream, Speedcast, Sony e Youcast. Conta com apoio de Blackmagic (Broadmedia e Pinnacle), NeoID, SM Facilities, Showcase e Teletronix; e apoio institucional de Jangadeiro, O Povo, Grupo Cidade de Comunicação, Sistema Verdes Mares, ABERT, ABRATEL, ASTRAL e ACERT.

Por Fernando Moura e Fernanda Vio