SET Centro-Oeste: Experiência do usuário será decisiva para o sucesso da TV 3.0
O keynote de Leandro Gejfinbein percorreu a evolução da experiência audiovisual, do cinema à era digital, e destacou como a combinação entre interatividade, simplicidade de uso e novos padrões de interface será determinante para o sucesso da DTV+ e da TV 3.0 na construção de relevância e engajamento com o público.

Foto: Abelardo Mendes Jr / SET
O Keynote final do SET Centro-Oeste, foi ministrado por Leandro Gejfinbein, Diretor de UX da Globo e coordenador do Grupo de UX da SET com: “DTV + e o futuro da experiência da TV”. Gejfinbein analisou a TV 3.0 e os novos desafios da televisão aberta híbrida com a chegada da DTV+. Gejfinbein destacou que “é preciso ampliar o conceito de experiência e como ela é importante para que o DTV+ possa fazer história”. Ele iniciou abordando o cinema como inovação tecnológica que se apropriou de outras experiências, como o teatro, para a projeção em tela grande, “propondo uma imersão muito grande” e fazendo com que a inovação criasse “uma linguagem”.
Segundo ele, a chegada da TV transformou a experiência, que saiu das salas de exibição para o ambiente doméstico, com um “compartilhamento familiar”, levando o público a interagir com um novo dispositivo de interface simples, inicialmente com poucos comandos. Com a televisão, surgiu a grade de programação, “que organiza a vida e o cotidiano das pessoas”.
Posteriormente, destacou o surgimento do controle remoto, “que apenas permitia mudar de canal e mexer no áudio”, mas que deu mais autonomia ao telespectador, eliminando a necessidade de se levantar para trocar de canal.
O keynote avançou para a TV por assinatura e o EPG, que trouxeram “a explosão de possibilidades, com uma infinidade de canais com programação e conteúdo para pessoas específicas”, seguidos pela conveniência do videocassete, ainda que com “um problema seríssimo de gestão e gerenciamento de controle remoto, com um controle de valor que esbarrou no design de interface”.
Na sequência, abordou a “Revolução digital”, destacando três marcos principais. O primeiro foi o YouTube, em 2005, que trouxe a promessa de democratização do conteúdo, “onde qualquer um pode ser um produtor, um distribuidor e audiência simultaneamente”, consolidando a web 2.0 e colocando o usuário no centro da experiência.
- Leandro Gejfinbein, Diretor de UX da Globo e coordenador do Grupo de UX da SET
- Leandro Gejfinbein, Diretor de UX da Globo e coordenador do Grupo de UX da SET
O segundo fenômeno foi a Netflix, marcada pela “abundância quase infinita, com acesso a tudo o que eu quiser em todos os dispositivos, a qualquer hora”, além da introdução de recursos como o autoplay, que aproximaram a experiência da lógica da TV. Por fim, citou o TikTok, que promoveu uma mudança significativa ao colocar “o vídeo no centro do fenômeno”, com conteúdos curtos, verticais e alinhados ao consumo mobile. Em síntese, afirmou que se trata do “vídeo como o centro de um fenômeno social”.
Ele destacou que, ao longo de quase 130 anos, o audiovisual evoluiu em diferentes dimensões: de coletivo a individual; de programado a sob demanda; de passivo a interativo; e de uma experiência contida ao audiovisual para uma experiência expandida. “Todas essas coisas convivem, e isso talvez seja o mais importante”, afirmou.
Interface da DTV+
Gejfinbein destacou que a DTV+ surge como um novo momento da TV interativa, “um conceito que não é novo”, lembrando tentativas anteriores que “não funcionaram” por limitações tecnológicas. Segundo ele, o desafio agora é construir “um padrão robusto e escalável, um ecossistema de parceiros e um movimento da indústria”.

Leandro Gejfinbein, Diretor de UX da Globo e coordenador do Grupo de UX da SET
Sobre a interface, afirmou que o principal desafio é “harmonizar a experiência com as novidades que estão surgindo sem se sobrepor”, com “foco em camadas com o mínimo ruído” e “simplicidade de acesso com proeminência baixa”, considerando que o telespectador interage principalmente por meio do controle remoto.
O coordenador do GT de UX da SET explicou que a interface deve surgir quando o usuário “acorda a interface”, destacando que o mais importante é “a experiência como conjunto mais amplo de atributos”, ou seja, a materialização da proposta de valor baseada em contexto e reconhecimento; disponibilidade e consistência; e familiaridade e conveniência.
Segundo ele, “para ter percepção de produto” é necessário que a interface esteja sempre disponível quando o telespectador desejar. “Em um dos testes feitos na Globo vimos que há um cansaço de usar o celular para absolutamente tudo”.
Sobre familiaridade, sugeriu que poderia haver “um framework que seja igual para todas as emissoras”, facilitando a adaptação do público ao novo padrão. Outro ponto destacado foi a regionalização e o protagonismo do consumidor, incluindo possibilidades de compra e a confiança nas marcas das emissoras na aquisição de produtos exibidos.
Por fim, afirmou que a DTV+ tem potencial para integrar todos esses atributos, “trazendo o valor do conjunto, o que traz a força da experiência”. Segundo ele, “o conjunto de possibilidades de interatividade faz a diferença”, já que “a experiência é o todo, trazendo valor e sentido, criando hábito e relevância na vida das pessoas com pertencimento”. E concluiu: “se formos capazes de fazer isso acontecer, poderemos mudar a história”.
Por Fernando Moura (Reportagem) e Fernanda Vio (Edição)

