Satélites apostam no IP para manter relevância na distribuição de sinal
Setor destaca robustez, integração com novas tecnologias e oportunidades de monetização para garantir qualidade e expansão do serviço.Integração com redes híbridas, LEO e TV 3.0 amplia resiliência, reduz latência e abre novas frentes de monetização no setor.
Representantes da indústria dos satélites conversaram sobre as vantagens do equipamento, se comparados a outras tecnologias para a distribuição de sinal, e levaram exemplos adotados na América Latina visando atingir cada vez mais domicílios, mantendo a qualidade do sinal e resiliência operacional. O painel abordou ainda oportunidades para publicidade que devem ajudar a reduzir o custo operacional da tecnologia.
No início do painel, Esdras Miranda, Diretor de Tecnologia e Operações do Grupo de Comunicação Jangadeiro e membro do conselho e representante Regional da SET, disse que, para os acionistas, presidentes e associações, o setor de radiodifusão tem o dever de fazer uma TV 3.0 inclusiva, e explicou que, para isso, o setor conta com a contribuição do 5G, mesmo que existam esforços para mixar tecnologias. “Frente a um grande evento esportivo, como a Copa do Mundo, temos que entregar um sinal sem delay, e é só com essa junção de tecnologias que isso é possível”, disse. Para isso, “colegas e parceiros estão combinando tecnologias em cerca de 600 terminais pelo país com fibra, conectividade, baixa latência e altíssima resiliência”, continuou.

Fabio Alencar
VP Vendas Regional Latam, SES
O painel, intitulado “Satélites e Conectividade: impulsionando a nova era da distribuição audiovisual com capilaridade, resiliência e eficiência”, contou com a participação de Fabio Alencar, VP de vendas da regional Latam da SES e J. Ignacio González-Núñez, vice-presidente sênior de vendas de mídia para as Américas na Eutelsat. Miranda explicou que hoje o fornecedor não vende só o megahertz, pois o satélite funciona como um hub de serviço. E que, com a transição da TV para o 3.0, o setor tem a sua independência como o grande diferencial.
“A faixa GEO continua, assim como a banda C, que usamos muito no Brasil, mas isso não impede que desenvolvamos novos serviços usando KO e enfrentando novos desafios que vão surgir”, disse Alencar. Isso porque, para o executivo, o público ainda vai ser crítico na implantação da TV 3.0. e, por mais que a tecnologia terrestre aumente, a infraestrutura ainda vai ser um desafio para chegar com qualidade em alguns lugares do país. “Sou defensor das novas tecnologias mas, para chegar no lar das pessoas precisa de satélite”, afirmou.

J. Ignacio González-Núñez
Vice-Presidente Sênior de Vendas de Mídia para as Américas
González-Núñez detalhou aos participantes que, para andar junto com a tecnologia, a Eutelsat trabalha hoje com a transmissão de vídeo na constelação de via LEO, iniciada há um ano. “E, junto a tantos parceiros que nos ajudaram, não estamos mais em fase de teste, mas sim de operação”, afirmou. O especialista explicou que, nesse modelo, a transmissão é feita para clientes B2B e independe de outras redes de comunicação e pois, além de trazer um deploy rápido em qualquer cenário, possui contato entre múltiplos terminais. “Não é só conectividade, é solução para vídeo.”
Os especialistas disseram ainda que a indústria está apostando na convergência do IP com broadcast para o futuro. “Não é a única solução, mas é a nossa visão de como ser mais eficiente e levar quantidade de serviços e experiência pro usuário na ponta, o mais parecido com a TV 3.0 também em dispositivos móveis com alta qualidade”, afirmou o executivo da SES.
Para não ficar na teoria, a SES apresentou um resumo da abordagem híbrida, o DVN-NIP, implementado no México através do IP nativo com integração direta entre CDN e Cloud, entregando uma opção confiável aos telespectadores.
Outra dificuldade enfrentada pelo setor é sobre a monetização baseada em propaganda, que visa rentabilizar num ambiente em que o usuário não paga nada para usar. Como provedor de soluções, o satélite aposta também na integração de vários novos parceiros coletando dados para chegarmos a uma entrega com melhor custo-benefício, “Vender propaganda é uma forma de aumentar participação desse segmento e captar um mercado altamente positivo. Como a Carolina Duca comentou no painel de ontem, sobre as Bets no Brasil, eu penso: e se uma bet se interessar em patrocinar a expansão e levar mais sinal para outros lugares?”, perguntou Alencar.
O consenso, entretanto, é de que seria melhor ter o mesmo produto no mundo inteiro, “mas cada mercado exige uma característica diferente e, por isso temos a perspectiva de fragmentar as tecnologias, onde cada parte funciona como um bloco de montar e cada local tenha o seu objeto construído conforme desejo do cliente”, finalizou o executivo da SES.