IA orquestra nova era da produção audiovisual
Agentes inteligentes automatizam workflows, aceleram processos e exigem requalificação urgente dos profissionais do setor, em um ecossistema onde a IA redefine a produção audiovisual e exigirá que profissionais se atualizem para se manterem no mercado
O painel Produção e IA: novos workflows, agentes inteligentes e a orquestração da próxima geração audiovisual, discutiu a realidade da IA na criação de conteúdo audiovisual e a transição na maneira de fazer conteúdo baseada em workflows automatizados por agentes inteligentes.

Fernando Bonifacio (Boni) Gerente de Desenvolvimebro Digital, SBT
“O que estamos vendo aqui na feira é o que existe hoje no mercado. Estamos caminhando do workflow manual para o automatizado na indústria da mídia e entretenimento. Isso quer dizer que a IA deixou de ser uma ferramenta para ser parte do processo, e os profissionais precisam acompanhar essa evolução”, explicou o moderador do painel Gerente de Desenvolvimento Digital do SBT, Fernando Bonifacio (Boni).
Boni também conversou com Gustavo Dutra, líder de estratégia e desenvolvimento de negócios para a vertical de Media, Entertainment, Games & Sports na AWS, e Victor Méndez, sales director for Latin America da Dolby, sobre as possibilidades de enriquecer o engajamento do espectador com as novas possibilidades que a IA permite na experiência de consumo de conteúdo televisivo, e questionou se a adoção de agentes inteligentes não é “trocar seis por meia dúzia para as empresas”.
“Estamos trocando um agente manual por um agente digital, isso não é mais hype, é realidade, mas será que estes agentes estão oferecendo melhor otimização de tempo e financeiro?”, perguntou à mesa. Para Dutra, já é possível mensurar essa mudança, e o que vem sendo observado é uma celeridade nos processos que antes poderiam demorar meses para serem feitos, deixando os profissionais livres para exercer outras funções.

Gustavo Dutra
Líder de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios para a vertical de Media, Entretainment, Games & Sports na AWS.
“O que temos em media supply é uma tropa de agentes que estão fazendo a integração robusta de ponta a ponta do sistema, o que antes podia ser muito frágil. Ela classifica o acervo, faz a taxonomia com diferentes métricas e dimensões, e depois unifica os resultados com as principais LLMs do mundo, possibilitando uma operação orquestrada com uma eficiência enorme na operação e distribuição.”
Victor Méndez, diretor de vendas para América Latina da Dolby, explicou que na empresa existe a proposta de um grande ecossistema orquestrado não só por metadados, mas também por diferentes algoritmos, concedendo acesso a um cenário complexo e desafiador que mescla HDR, áudio imersivo e outras tecnologias.
O executivo da AWS explicou que a empresa está trabalhando em parceria com a Dolby em conteúdo legado de esportes, gerando oportunidade de novos documentários e produtos ao fazer uma espécie de restauração em vídeos antigos de Fórmula 1, Hockey, NFL (Liga de futebol americano) e futebol, por exemplo.
“Você sai de uma corrida de F1 dos anos 1950, com baixa qualidade de áudio e vídeo, e entrega um produto pronto para ser consumido até numa tela de iphone em escala com Dolby video”, exemplificou. Agora o desafio é usar a IA para melhorar o conteúdo não só em upscale e conversão mas em media service, code, transcode com dolby embarcado.

Victor Méndez
Sales Director for Latin America – Dolby
“Estamos felizes pelo que o Brasil conquistou em termos de experiência para o consumidor, pois tudo culmina na melhor experiência para o espectador. E não estamos falando apenas em modernizar o box, mas a criação de conteúdo relevante. Ontem no painel de rádio foi falado sobre o modelo híbrido. A Dolby poderia entrar com o som veicular, por exemplo”, disse.
Para enriquecer ainda mais a experiência de ver TV, o modelo proposto para a TV 3.0 faz uma análise contextual do programa, horário em que ele passa e quem assiste, e faz uma combinação desses interesses para entregar o conteúdo de maneira assertiva. Com mais garantia na eficiência da entrega de conteúdo ao público-alvo, Dutra reforça que o espaço publicitário na mídia digital se valoriza: “o espaço fica mais caro porque o anunciante sabe que o seu comercial ou publicidade vai aparecer para o público dele”, disse.
Os participantes reforçaram que iniciativas assim são um dos motivos para se atualizar sempre sobre o comportamento do consumidor, e que foi a partir de estudos desta natureza que o áudio se mostrou ser tão importante quanto o vídeo para o streaming, e foi inclusive priorizado na maioria dos casos. “Quando um vídeo trava no streaming, ele trava o vídeo e não o áudio. Isso porque, para o ser-humano, é mais importante continuar ouvindo do que assistindo, uma vez que o áudio permite entender melhor o contexto quando executado sozinho”, explicou Dutra.
O painel encerrou com a provocação de que podemos entender que toda data será entregue com uma segmentação proveniente da hiperpersonalização, que só é possível com a IA, e que poderá ser gerada no mobile, TV, ou o device que estiver tiver conectado, e para isso, é preciso que os profissionais do mercado se atualizem no assunto para se manterem competitivos. ”Temos diversas iniciativas de workshops oferecidos pelas empresas, certificação gratuita na internet, basta aproveitar”, disse Dutra. Tanto moderador, quanto plateia e o executivo da AWS concordam.