Rádio completou 105 anos
O 15 de junho de 1920 aconteceu a primeira transmissão pública de rádio com a transmissão da soprano australiana Dame Nellie Melba, a lendária “Rouxinol Australiano”.
No dia 15 de junho de 1920, a rádio ganhou voz. Pela primeira vez, ondas de rádio foram usadas para transmitir não apenas sinais em código Morse, mas também música ao vivo, com a potência suficiente para cruzar fronteiras. Vale lembrar, que Guglielmo Marconi desenvolveu o primeiro sistema de comunicação por rádio, usando um transmissor centelhador para enviar código Morse por longas distâncias em 1895. em 1920, a voz responsável por esse feito histórico foi a lendária soprano australiana Dame Nellie Melba, conhecida como o “Rouxinol Australiano”.

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A emissão aconteceu diretamente da fábrica da Marconi, em Chelmsford, no Reino Unido, dois anos e meio antes da fundação da BBC. O evento foi financiado pelo magnata da imprensa Lord Northcliffe, que ofereceu mil libras esterlinas à cantora para realizar a performance ao vivo — um valor expressivo para a época, destinado a garantir uma experiência sonora única para os ouvintes em toda a Europa.
O aparato técnico era imponente. Ao se deparar com a torre de transmissão de 137 metros, Melba teria exclamado, com humor: “Se pensa que vou subir lá acima, está redondamente enganado!”. O comentário bem-humorado marcou o clima de um evento que unia ousadia tecnológica e emoção artística.
O concerto, transmitido às 19h15, teve como primeiro tema “Home, Sweet Home” e foi registrado por técnicos franceses da Société Française Radio-électrique (SFR) em discos de cera — uma técnica pioneira na época. Embora essas gravações estejam provavelmente perdidas, são consideradas hoje o “Santo Graal” da história da rádio britânica, por seu valor documental e simbólico.
Aquela noite histórica transformou a rádio de uma curiosidade científica em um meio de entretenimento de massas, capaz de emocionar e unir continentes pela música. Foi o prenúncio de uma nova era: o século da comunicação havia começado, com uma ária que ecoou muito além das paredes da Marconi.
Por Fernando Moura, em São Paulo