Pós-NAB Show 2025 debate novas fronteiras na monetização do conteúdo audiovisual

Este painel analisou os modelos emergentes de geração de receita e como essas estratégias vêm sendo adaptadas ao contexto brasileiro.

O NAB Show 2025 evidenciou uma mudança de paradigma na forma como o conteúdo audiovisual é monetizado e distribuído, impulsionado por dados, plataformas digitais e novas experiências de consumo. Moderado por Carlos Octavio de Alexandre Queiroz, Vice-Presidente da SET, com a participação de Julieta Nogueira, Head of Business, Latin America da Reuters; Emerson Luiz, Business Development Manager da Youcast; Cristiano Barbieri, Diretor Comercial para América Latina da Broadpeak; e Gustavo Dutra, Strategy BD Leader for M&E da AWS.

Julieta disse que usa as ferramentas de IA com ética, por isso, adquiriu a Image para usá-la em todos os nossos pilares “para ajudar os nossos clientes a economizar custos. Por isso, criamos a IA suíte com uma equipe de 70 pessoas desenvolvendo tecnologias que são testadas, com incentivo de utilização de ferramentas de IA que possam ser úteis para os nossos jornalistas e clientes, trabalhando de uma forma que o cliente possa trabalhar e encontrar de forma rápida o conteúdo, mas utilizando recursos que o ajudem de forma ética”.

Dutra disse que a AWS tem uma ideia interessante da televisão. Para ele, a DTV+ considera que o mais visto significa mais custo de CDN, e que “o broadband deve ficar no conteúdo opcional”. Com respeito à IA, disse que “ela está presente em todas as áreas de produção de conteúdo, com foco no engament para conteúdo esportivo”. Ele demonstrou “uma solução que gamefica um conteúdo em real-time, que é jogada para um sistema, permite flexibilizar os direitos de conteúdo e ângulos de transmissão com uma aplicação de IA Generativa com vídeo 360, com experiências que nos ajudam a somar e entregar conteúdos aos consumidores”, permitindo, assim, “granularizar o conteúdo, segmentar com os perfis dos expectadores e assim ser mais preciso na inclusão de anúncios”.

A seguir, Cristiano Barbieri falou de novos modelos de monetização. Ele enfatizou que é importante entender que o anúncio não pode ser algo que atrapalhe a experiência do consumidor. “Hoje, trabalhamos com soluções de IA que podem definir os momentos nos quais é melhor inserir a publicidade, e explicou que se trabalha com  formatos de publicidade avançada, e deu dois exemplos: um de formatos de publicidade não linear, “uma publicidade Overlay, PIP, Pause TV e L-shape/L-banner” que “trás uma vantagem que abre a possibilidade de monetizar onde antes não se fazia, e, ainda, reter consumidores com formatos no intrusivos que mantém a media de usuários”. Por outro lado, falou de um exemplo de interatividade, o “shoppable Ads Market”, que permite trazer para o mercado de CTVs o aumento do impacto da campanha, que passa do informativo para o modelo de conversão, que pode ser até com compra com o controle remoto”.

Gustavo Dutra da AWS disse que uma forma de aumentar a eficiência da publicidade passa por usar um media player que tem como motor o Generative AI Media Planner, “o qual pode analisar a campanha em tempo real. Baseado nos usuários logados, o sistema irá recalibrando para ter um resultado mais otimizado”.

Emerson Luiz falou de Mobile for Broadcast, e disse que o conteúdo que se entregue para o móbile tem de receber um conteúdo diferente, e “com o uplink temos a possibilidade de entregar conteúdo customizado para o móbile, porque é complicado levar o conteúdo de TV para móbile diretamente. Por isso, temos de ter e entregar conteúdo para os dispositivos móveis”.

DTV+ e a monetização

Para Emerson Luiz, a monetização vai passar pelas emissoras tendo parceiros que ajudem no mapeamento de usuários, com “um primeiro levantamento para saber o que temos, e dessa forma saber o que entregar. Precisamos saber tratar as métricas, e como funcionam, para termos inteligência sobre dos dados, porque tecnologias já temos, o que falta é o primeiro”.

Barbieri disse que no broadcast e no broadband, há a possibilidade de regionalização e segmentação geográfica, por exemplo, “no esporte, segmentando e hiperpersonalizando”. Luiz disse que nos Estados Unidos já se pode segmentar por OTA em termos de publicidade e, assim, usar publicidade segmentada por streaming no OTT das emissoras.

O Pós-NAB Show 2025 teve como patrocinadores Ouro a CIS Group/BeTV, EiTV e SES. Patrocínio Prata da AWS, Broadpeak, Eutelsat Group, Reuters e Youcast. Patrocínio Bronze da SNews, Ideal Antenas, Mediastream, Showcase, Mirakulo, 2Live e Enensys. E contou com o apoio da MGE Broadcast.

Por Fernando Moura, em São Paulo