PayTV Fórum: Mercado de “conteúdos audiovisuais” volta a crescer

Se realizou de 12 a 13 de agosto, em São Paulo, o PayTV Fórum, evento que reúne anualmente o mercado de PayTV , um setor que vem experimentando profundas mudanças provocadas pelas novas formas de consumo audiovisual. No encontro, percebeu-se um clima de estabilidade da indústria e indícios de retomada com um modelo diferente ao pré-pandemia.

Foto: Marcos Mesquita/Divulgação

A 7ª edição do PayTV Fórum, encontro que discute as transformações, oportunidades e novos cenários na oferta de conteúdos da nova TV por assinatura e a evolução dos modelos tradicionais, com foco no posicionamento dos canais, programadores e operadores, se realizou nesta segunda e terça-feira (12 e 13/8) em São Paulo. Entre os destaques do evento, a transformação da indústria, que cada vez mais, avança para estratégias de distribuição multiplataforma, mas não apenas próprias, senão em superbundle, o que ocorre após diversas tentativas das empresas e alguns desencontros com os desejos do consumidor. Afinal, a indústria afirma que é um mercado de “conteúdos audiovisuais”.

Assim, numa etapa na que o consumidor é rei e, o conteúdo, rei das plataformas, parece que a ideia de ter muitas aplicações OTT na TV conectada gerou um desconforto nos consumidores o que está provocando uma re-acomodação do mercado, não já com as características anteriores da TV por assinatura (PayTV) com grandes operadoras de telecomunicações dominando o cenário, mas sim com estratégias de entrega de conteúdo conjunto, em combos por exemplo, que facilitem a navegação e descoberta de conteúdo pelos consumidores. A venda passa a ser de “conteúdos” e não de canais ou plataformas. A curadoria de conteúdo parece voltar a ser importante, e nesse panorama, se vislumbra um aquecimento do mercado, não já com PayTV e plataformas de streaming em guerra de preço e consumidores, mas sim com estratégias convergentes, que integrem produtos e serviços, e tornem transparente a demanda do consumidor, e claro, baixem o preço dos pacotes. Ainda, e não pouco relevante, a ideia de que voltar a empacotar conteúdos é uma opção válida e que pode ganhar consumidores.

Globo volta a crescer

Entre os destaques do evento, a entrevista com Paulo Marinho, Presidente da Globo, quem participou pela primeira vez, e disse em São Paulo, que a Globo após a sua mudança organizacional e empresarial vivem um bom momento. “Tivemos um ano passado bastante positivo, como pode ser visto em vários cases (…) tivemos um primeiro trimestre muito forte, crescemos em receita líquida, em 12 % em relação ao ano passado, acho que é um indicador muito sólido e tivemos o melhor resultado em publicidade no primeiro trimestre dos últimos 10 anos”.

Foto: Marcos Mesquita/Divulgação

Segundo ele “mudamos a direção da curva. Quando vemos o número total de assuntos da Globo, começamos a ver um crescimento”, e explicou que houve re-acomodações. “No início da pandemia houve um apoio rápido do streaming com investimentos muito fortes. Todo mundo andava por aí com suas ofertas proprietárias e todos começaram a perder muito dinheiro. E houve um reequilíbrio com mais cuidado na alocação de investimentos e tal”.

De fato, Paulo Marinho disse que a Globo errou “um pouco no nível de investimentos”, mas que isso foi corrigido. “Investímos mais de cinco (5) mil milhões por ano em conteúdos e tecnologia e continuamos nessa direção. Só uma questão de maior equilíbrio, porque acho que temos apostado muito na combinação do portfólio da Globo.Também temos feito investimentos casados, vitrines diferentes e tal, fortalecendo o ecossistema Globo como tudo. E temos conseguido manter os canais fortes, relevantes, o Globoplay, crescendo também com muita consistência”.

DTH e TVRO

Outro dos temas de destaque foi “o futuro do DTH”, numa palestra protagonizada por Fábio Alencar, VP regional de vendas enterprise e cloud da SES e Sergio Antonio Ribeiro, VP de vendas e operações da Sky. Nela parece ter ficado claro que o satélite continua sendo relevante no ecossistema audiovisual e que a TVRO além de ser um sucesso pelo avanço da instalação de antenas de recepção em banda Ku, pode ser uma oportunidade para estas empresas.

Para Fabio Alencar disse que  “o DTH continua importante no país”, e que se bem o mercado de DTH sofreu com a queda do PayTV, no geral, no Brasil o serviço de DTH é e será importante. “O sucesso do Siga Antenado com a TVRO, mostra isso. Hoje chegamos a mais de 9 milhões de aparelhos instalados, chegando a mais de 10 milhões nos próximos meses, é com certeza um canal para levar conteúdo”.

Foto: Fernando Moura

Em termos de oportunidades, a SES aposta no Brasil, disse o executivo, mas está claro que houve um impacto, porque  “o satélite entra como custo fixo, por isso estamos trabalhando em formas novas para interagir com nossos parceiros para encontrar novas formas de receitas, com formas novas e mais flexíveis”. Ainda disse, que acredita que “aparecerão novos modelos de negócios” que de alguma forma reposicionem e atualizem o mercado.

Por outro lado, disse Sergio Ribeiro, “a quantidade de pessoas que vão ter banda Ku na sua casa mostra a força do DTH”, mas “há que revisitar os clientes, por isso temos a nova parabólica, com os canais abertos, e a possibilidade de adquirir o modelo pago”.

Para Alencar o crescimento da TVRO tem de ser visto, “não devemos criar problemas”, por isso, a posição satelital , explicou, “não deve ser regulada, ficando presa em uma posição. A TVRO não precisa ficar sem opção para o cliente”.

Pirataria

Outro tema abordado em diversas oportunidades e com pedidos de apoio e luta constante por executivos como Rodrigo Marques, VP de estratégia e operação da Claro, e Gustavo Fonseca, presidente da Sky, que disse que o combate a pirataria é essencial, e afirmou que “o aumento impositivo e regulatório, precisamos ter cuidado para não aumentar a quantidade de impostos sobre quem está regulado”, e com isso, ainda, gerar mais problemas com a pirataria.

Foto: Fernando Moura

Nesse contexto, Artur Coimbra, conselheiro da Anatel, realizou “um balanço do combate à pirataria” no Brasil, disse que a Agência tem trabalhado em conjunto coma  Receita Federal para combater a pirataria e que espera no futuro poder contar com a colaboração da Ancine, para assim, continuar no combate a TV boxes não homologadas e bloqueio de sites e apps com conteúdo irregular. Coimbra espera a inclusão no SisComex da Receita e a operacionalização de novas responsabilidades da Ancine contra pirataria.

Ele disse que além destes procedimentos é necessário tornar o “ecossistema instável para os piratas e os consumidores”, mas as ações têm de continuar. O laboratório antipirataria da Anatel, explicou, está bem dimensionado, “temos 22 servidores dedicados espalhados pelo Brasil, que trabalham em todo o País”, pelo que o ideal não é crescer o número, “a nossa ideia é robotizar a operação”, porque ainda “trabalhamos de uma forma muito artesanal no processo de varredura. Precisamos automatizar o processo, tanto de varrimento, como de envio de informações para as operadoras para que realizem o bloqueio”.

Por Fernando Moura, em São Paulo