Nota de Pesar: Salomão Ésper morre aos 95 anos

Ícone do radialismo morre em São Paulo neste sábado e foi despedido por amigos e familiares na tarde deste domingo (16/3) em São Paulo.

Ésper trabalhou no Grupo Bandeirantes de Comunicação por seis décadas marcando a vida de ouvintes de várias gerações. Filho de pais sírios, Salomão nasceu no dia 26 de outubro de 1929 em Santa Rita do Passa Quatro, interior de São Paulo. Desde muito novo se interessou pelo rádio, que dava os seus primeiros passos na época, e aos 19 anos (1948) começou a sua carreira na Rádio Cruzeiro do Sul, como locutor. Mais tarde, em 1952, foi contratado pela Rádio América, do Grupo Bandeirantes e onde esteve por sete décadas (1948-2019).

Salomão era advogado de profissão, se formou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco da Universidade de São Paulo (USP), mas dedicou a sua vida ao rádio onde fez de tudo, de programa de calouros a uma curiosa participação em um filme interpretando um speaker.

Em entrevista à SET, Luis Fernando Magliocca, colega de profissão de Ésper disse que “há situações na vida que são difíceis de entender. A morte é uma delas. Todos sabemos que é assim, mas, talvez por egoísmo, relutamos em aceitar”.

Magliocca explicou ainda que Salomão foi “um grande profissional, completo, eclético, figura pública exposta por mais de 70 anos na mídia, como o Salomão, partiu deixando um legado maravilhoso. A geração de agora pode nunca ter ouvido falar dele, mas, com certeza, seus pais escutavam o Jornal Gente ao levá-los para a escola. Quem teve a sorte de trabalhar com o Salomão sabe o quanto aprendeu e como era bom compartilhar as conversas fora do ar. Quem teve a felicidade de ser ouvinte dele, trabalhar com ele e ser amigo até o último momento de vida, como eu, não deveria ter do que reclamar, mas, fica um grande vazio: como poderei continuar bebendo dessa fonte?”.

Pela sua parte, o professor Elmo Francfort, diretor do MBRTV (Museu Brasileiro de Rádio e Televisão” disse: Nos deixou Salomão Ésper. Foram 95 anos bem vividos desse radialista que, desde os tempos da Rádio América, foi uma referência na história do Grupo Bandeirantes. Salomão ainda passou antes por outras emissoras, como a Cruzeiro do Sul, Piratininga e foi presença constante, principalmente, na Rádio e TV Bandeirantes. Corinthiano, o filho mais notável de Santa Rita do Passa Quatro (SP) foi, acima de tudo, GENTE – nome do radiojornal que por décadas esteve a frente na RB ao lado de seu amigo inseparável: José Paulo de Andrade, que tomaram a missão de dar continuidade do horário do tradicional O Trabuco, de Vicente Leporace, falecido naquele 1978. Quem conheceu Salomão Ésper com certeza teve o privilégio de ter por perto um ser humano do alto do melhor bom humor, preocupado com a saúde de todos a seu redor, principalmente pelo bem estar e a boa informação para que todos vivessem felizes. O homem dos “Rs” corretos, inteligência que marcou a história de todos nós, radiodifusores”.

 

Francfort disse, ainda, que Salomão Ésper “foi ele mestre de cerimônia da inauguração da TV Bandeirantes, em 1967, e realizador da última entrevista de Elis Regina, em 1982, no Jogo da Verdade, programa que comandava na TV Cultura. A nós coube o privilégio de sua última entrevista, no depoimento realizado para o acervo do MBRTV em 2024. Acima de tudo cabe ainda todas as homenagens não ao Salomão Ésper, profissional, mas a nosso amigo do peito e sempre incentivador. Vá em paz, Salomão, há muitas histórias para contar agora num estúdio que o receberá na esfera celestial, no ansioso reencontro ao teu amigo Zé Paulo. Fica nossa solidariedade a todo Grupo Bandeirantes, aos colegas, familiares e fãs do nosso eterno Salomão”.

 


Homenagem da SET em 2019

No ano de 2019 Salomão  deixou de participar do no programa “Rádio Lívre”, na Rádio Bandeirantes, e em agosto, recebeu uma sentida homenagem da SET. O GT de Rádio da SET  homenageou Salomão Ésper, um dos maiores nomes do rádio do país durante o do dia do Rádio no SET EXPO 2019. A reportagem da Revista da SET reportou na altura que a cerimônia, em uma sala cheia do Expo Center Norte, “com muitas pessoas de pé que receberam o mestre tinha começado com a homenagem do, então, diretor geral da Rede Bandeirantes, Rodrigo Neves, também presidente da Aesp (Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo), que se emocionou ao “receber um verdadeiro ícone do rádio, que influenciou gerações de profissionais.

Ésper subiu ao palco na companhia de Carlos Fini, naquele momento, presidente da SET. Salomão agradeceu “com o seu típico bom humor” e disse: “Eu esperava que a minha cabeça estivesse melhor do que os meus quadris”, se referindo a dificuldade de se locomover e o fato de que fará um tratamento para aliviar as dores. “O rádio oferece a nós emoções infindas. Desde o primeiro dia até o encerramento da carreira. Muito obrigado. Estou muito comovido com mais essa manifestação de apoio e solidariedade”, afirmou o radialista. Direcionando o olhar para a plateia, Fini disse a Salomão: “quantas pessoas estão aqui que você influenciou?”

Ao finalizar o seu agradecimento, Salomão Ésper citou uma anedota sobre um famoso cantor sertanejo que foi convidado para um churrasco, e o autor do convite pediu para que ele levasse o seu violão. Porém, o músico argumentou: “mas o meu violão não come churrasco”. “Como ninguém pediu para que eu trouxesse o  meu violão, eu  me despeço por aqui”, brincou o radialista, sendo aplaudido de pé pelos colegas presentes no auditório.

Pesar

A diretoria da SET e os seus associados se solidarizam com a família e oferece os seus votos de pesar à ela e todos os amigos, desejando a paz e o conforto. Salve Salomão, a rádio brasileira sentirá a sua falta!

 

Por Fernando Moura e Olímpio Franco