IA pode entrar na sala de aula

Matéria do NY Times afirma que gigantes da tecnologia investem pesado para levar inteligência artificial ao ensino básico e superior, mas especialistas ainda questionam os reais benefícios pedagógicos.

Evan Gorelick afirmou, recentemente, em matéria publicada no jornal norte-americano que a presença da inteligência artificial nas salas de aula está deixando de ser uma possibilidade futura para se tornar uma realidade presente. Segundo ele, a Microsoft e OpenAI anunciaram recentemente um investimento milionário em um programa de capacitação de professores para o uso de IA no ensino. A proposta é ambiciosa: ajudar docentes com correção de provas, planejamento de aulas e até redação de cartas de recomendação. Ao mesmo tempo, as empresas afirmam que preparar os alunos para o uso da inteligência artificial será essencial para o mercado de trabalho do futuro.

Desde a perspectiva de Gorelick, essa ofensiva das big techs nas escolas segue uma estratégia antiga, mas adaptada à nova era digital: oferecer tecnologia a preços reduzidos ou gratuitamente para criar uma base de usuários cativos desde cedo. Em períodos de provas, por exemplo, plataformas como ChatGPT são oferecidas com descontos para estudantes. A lógica é simples — conquistar hoje os clientes fiéis de amanhã. No entanto, ainda há poucas evidências concretas de que os chatbots realmente ajudam os alunos a aprender melhor.

Apesar das dúvidas, explica Gorelick, o uso de IA na educação tem avançado. Uma pesquisa nacional mostrou que quase metade dos distritos escolares norte-americanos já oferecia treinamento em A.I. para professores até o último outono — o dobro do ano anterior. Exemplos práticos se multiplicam: em Washington, alunos do ensino médio usaram o Google Gemini para pesquisas e redação; em Newark, um sistema da Khan Academy organizou grupos de estudo com base no desempenho dos estudantes. Universidades como a Duke e a de Maryland desenvolveram seus próprios bots, enquanto a rede California State University fechou um contrato de US$ 17 milhões com a OpenAI para oferecer ChatGPT a mais de 460 mil alunos.

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