GT de 5G-6G discute, na sua primeira reunião, integração com TV digital, sustentabilidade e capacitação profissional

O GT realizou na última sexta-feira a primeira reunião do GT com a participação de mais de 2 dezenas de profissionais. Na reunião tiveram destaque temas como o FWA integrado a DTV+ e os cases da Globo no Carnaval 2025, contribuição da EBU e Stockcar.

Na reunião inaugural do Grupo de Trabalho 5G/6G – Tecnologias de Conectividade Avançada, especialistas destacaram o papel estratégico da convergência entre redes móveis e broadcasting, com foco em inovações como o ATSC 3.0 e o 5G Broadcast. Na sua primeira reunião com o objetivo de fomentar a integração entre as tecnologias emergentes 5G e 6G e o setor de mídia, a proposta foi analisar o mercado, as tecnologias atuais e futuras, além de estimular a sinergia entre redes móveis e televisão digital, sobretudo com o padrão ATSC 3.0.

Participantes do setor acadêmico, tecnológico e da indústria de mídia debateram sobre o cenário brasileiro, desafios técnicos, casos práticos e estratégias para potencializar as oportunidades de inovação. “O 5G Broadcast representa uma grande oportunidade para ampliar a experiência do espectador por meio de interatividade e conteúdo personalizado”, destacou Francisco, ao falar sobre a evolução da TV digital no país.

Um dos pontos debatidos foi a necessidade de delimitar claramente as funções do padrão ATSC 3.0 e do 5G. “É importante dividir as aplicações já cobertas pelo ATSC 3.0 e as demandas específicas que o 5G pode atender, principalmente no consumo móvel e redes privativas”, sugeriu João Bandolz.

Ana Eliza Faria e Lima, coordenadora do GT e  Gerente Sênior do Regulatório de Tecnologia da Globo, reforçou essa visão: “Precisamos definir o foco para atender as necessidades reais do mercado, seja no consumo fixo ou móvel”. A sustentabilidade e a capacitação profissional também estiveram no centro da discussão. Fabio Pereira da SET alertou: “O declínio no interesse por carreiras de engenharia representa um desafio para a evolução sustentável do setor e a necessidade da reciclagem de conhecimentos dos atuais profissionais e dos que irão entrar no mercado também”. Pela sua vez, Francisco Martins Portelinha Júnior, também coordenador do GT e professor e Gerente de Pesquisa Inovação e Desenvolvimento do Inatel. complementou: “A crescente complexidade técnica exige profissionais multidisciplinares com habilidades em telecomunicações, programação e sistemas integrados”. Outro aspecto fundamental foi a preocupação com o meio ambiente e a segurança digital. “Precisamos integrar sustentabilidade e segurança cibernética como focos transversais no desenvolvimento das novas tecnologias”, afirmou Fernando Lopez.

Entre as principais propostas, destacou-se a inclusão das operadoras no GT. “A participação das operadoras, como a TIM, ampliará a cooperação entre indústria de telecomunicações e broadcasting”, sugeriu Fernando Gomes de Oliveira. Além disso, Clayton enfatizou a necessidade de explorar casos práticos: “Essa troca de experiências permite avaliar a viabilidade técnica e entender custos, segurança e retorno de investimento”. Os participantes também defenderam que o grupo inicie desde já os estudos sobre o 6G, afirmando que o 6G trará avanços significativos em latência e densidade, aspectos críticos para experiências imersivas e novos serviços multimídia.

Integração entre 5G e TV Digital
Foram discutidos os casos de uso onde o 5G pode complementar a infraestrutura de broadcasting tradicional. Um dos participantes sugeriu dividir claramente as aplicações já cobertas pelo ATSC 3.0 e as demandas específicas que o 5G pode atender, principalmente no consumo móvel e redes privativas. Ana ressaltou a importância de definir o foco para atender as necessidades reais do mercado, seja no consumo fixo ou móvel. Por outro lado, Fernando Gomes de Oliveira apresentou complementos relevantes sobre a conectividade dos dispositivos SmarTV via FWA e o papel do 5G na complementação da DTV Plus, enfatizando que a colaboração com operadoras seria estratégica para o desenvolvimento do tema.

Casos Práticos e Produção Remota via 5G

Clayton Rodrigues da TV Globo, apresentou um caso prático, o Carnaval 2025 na Marquês de Sapucai, no Rio de Janeiro com 5 G: “Utilizamos uma rede 5G privada para produção remota durante o Carnaval, o que ampliou a capacidade produtiva e flexibilizou as operações”. Segundo ele, essa experiência é um exemplo concreto das possibilidades abertas pela nova tecnologia.

Rodrigues  relatou o uso prático de uma rede 5G privada para produção remota durante o Carnaval, exemplificando o potencial da tecnologia para ampliar a capacidade produtiva e flexibilizar operações. Essa experiência prática é vista como uma referência importante para o grupo, pois traz lições sobre desafios técnicos, custos, resultados e oportunidades para a expansão de soluções semelhantes em outras aplicações de mídia. A integração entre inovação tecnológica e sustentabilidade operacional foi ressaltada como um aspecto crucial.

A próxima reunião do GT está agendada para o dia 27 de junho. Até lá, o GT terá a missão de estruturar os focos prioritários das próximas discussões, formalizar convites às operadoras e organizar a apresentação de casos práticos nacionais e internacionais. Como concluiu Francisco: “A colaboração contínua e a definição de prioridades são essenciais para consolidarmos um ecossistema tecnológico robusto, sustentável e inovador para o setor audiovisual brasileiro”.

Para mais informações, acesse: https://set.org.br/gt-5g-6g-tecnologias-de-conectividade-avancada/

Por Fernando Moura e Fabio Pereira, em São Paulo