Estação experimental de TV 3.0 inaugurada em Brasília

Infraestrutura instalada na Torre de TV do Distrito Federal, a estação marca o início da fase de validação tecnológica da nova geração para os canais da Capital Federal e reforça a integração entre televisão aberta e ambiente digital, que começará a ter transmissões comerciais em junho próximo durante a Copa do Mundo em São Paulo e Rio de Janeiro.

Luana Bravo (SET), Octavio Pieranti (Anatel), Ministro Frederico de Siqueira Filho (MCom), e Paulo Henrique Castro (SET)/ Foto: Peter Neylon/MCom

Com a presença da SET, o Ministério das Comunicações, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) lançaram, nesta terça-feira (14), a estação de testes da TV 3.0, em Brasília (DF), “marco estratégico para a implantação da nova geração da radiodifusão no país”, afirmou o Ministro Frederico de Siqueira Filho.

Instalada na Torre de TV da capital federal, a estação experimental viabiliza o início das transmissões em caráter técnico da TV 3.0, com previsão de envio dos primeiros sinais já em 2026. A implantação da infraestrutura representa um avanço relevante na modernização da televisão aberta no Brasil, ao estabelecer as bases para um modelo mais robusto, integrado à internet e alinhado às tendências internacionais de evolução tecnológica do setor.

“Mais do que um equipamento, esta estação representa um passo concreto rumo a uma transformação profunda na forma como a televisão é produzida, distribuída e consumida pelos brasileiros. Ela permitirá demonstrar, na prática, como essa tecnologia funciona em um ambiente real. Aqui, vamos testar soluções, validar modelos e preparar o caminho para a implementação da TV 3.0 em todo o Brasil”, disse o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.

A operação da estação foi autorizada pela Anatel e contará com o uso compartilhado pela EBC e pela Rede Legislativa — formada pelas TVs Câmara e Senado — com o objetivo de demonstrar o funcionamento da tecnologia em condições semelhantes às de uma operação comercial. Nesta fase inicial, será transmitido conteúdo já produzido no padrão conhecido como TV 2.5, utilizando a nova faixa de canais destinada ao ecossistema da TV 3.0, como o canal 253, permitindo testes graduais de compatibilidade e desempenho.

Segundo a presidenta da EBC, Antonia Pellegrino, a TV 3.0 inaugura um novo ciclo para a comunicação pública e amplia de forma significativa o horizonte de possibilidades editoriais e tecnológicas. “A TV 3.0 oferece mais do que ampliar as possibilidades de interação, localização e organização de conteúdo no âmbito da TV aberta. Trata-se de uma ferramenta democrática para e pela cidadania”, afirma.

Do ponto de vista técnico, a estação é composta por um transmissor em formato de rack — similar aos utilizados em ambientes de datacenter — instalado no subsolo da Torre de TV e interligado à antena posicionada na própria estrutura. Os equipamentos foram implementados pela Seja Digital, no âmbito de um projeto financiado com recursos do edital do 4G e conduzido pelo GIRED, grupo instituído pela Anatel para coordenar o processo de digitalização da TV no Brasil, com participação direta do Ministério das Comunicações.

“Esta estação, especificamente, será a porta de entrada para a EBC e para a rede legislativa na TV 3.0, em um momento absolutamente singular da história em que a comunicação pública vive sua maior expansão de todos os tempos. Essa estação é fruto de um projeto aprovado e implementado pelo GIRED, grupo do qual participam as organizações aqui presentes: Ministério das Comunicações, Anatel, radiodifusão privada, radiodifusão pública e prestadoras de telecomunicações. Todas essas organizações participam do GIRED, um grupo que hoje tenho a honra de presidir”, disse o conselheiro da Anatel, Octavio Pieranti.

A SET esteve representada pelo presidente, Paulo Henrique Castro e pela diretora geral da entidade, Luana Bravo. O presidente disse à reportagem que “mais do que um experimento técnico, a estação representa uma etapa estruturante para a validação de modelos operacionais, arquiteturas de rede e aplicações interativas associadas à TV 3.0”, e explicou que a nova geração da televisão aberta deverá proporcionar avanços como interatividade avançada, personalização de conteúdo, segmentação regionalizada e significativa evolução na qualidade de áudio e vídeo.

Por Fernando Moura