Chatbot do Washington Post já recebeu “dezenas de milhões” de perguntas, diz executivo da Arc XP
Ferramenta de IA desenvolvida pela plataforma do jornal ajuda a personalizar conteúdo e revelar novos interesses do público, afirmou Matthew Monahan em conferência em Londres.

Fonte: Canva
O uso de inteligência artificial no jornalismo está transformando a forma como o público se relaciona com as notícias, e os veículos devem “usar a IA para engajar suas audiências e entregar o que elas realmente esperam”. A afirmação foi feita por Matthew Monahan, presidente da Arc XP, durante a Future of Media Technology Conference, promovida pela Press Gazette em Londres.
Monahan destacou que o avanço da inteligência artificial está atingindo “diretamente onde os modelos tradicionais de negócios da mídia se sustentam”. Segundo ele, “o que chama a atenção não é a queda de dez a quinze por cento que vemos nas referências vindas de mecanismos de busca globalmente, mas a redução do tráfego direto de jovens audiências”, o que, em sua visão, representa o maior desafio para os editores de notícias.
Criada em 2015 dentro do Washington Post, empresa pertencente a Jeff Bezos, a Arc XP se descreve como “não apenas um CMS, mas um motor de crescimento de mídia movido por IA”. A plataforma é utilizada por mais de 2.500 sites em todo o mundo e tem sido essencial na personalização e no engajamento de leitores, especialmente com a criação de ferramentas interativas.
Entre as inovações citadas por Monahan está o chatbot Ask The Post, desenvolvido pela Arc XP, que desde 2016 vem extraindo conteúdos específicos de reportagens textuais do jornal. Segundo o executivo, o robô conversacional já recebeu “dezenas de milhões” de perguntas de usuários, e os dados coletados têm orientado a redação em novas direções — “coisas que não esperávamos, temas sobre os quais não tínhamos feito matérias e ângulos que a redação ainda não havia considerado”.
Para Monahan, o chatbot está “produzindo um novo tipo de experiência passiva, uma experiência hiperpersonalizada, interativa, mas ainda fundamentalmente baseada no nosso próprio jornalismo”. Ele defendeu que esse tipo de inovação representa o futuro da mídia, em que a inteligência artificial e o jornalismo de qualidade caminham juntos para oferecer conteúdos mais relevantes e próximos das expectativas dos leitores.
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