Abotts debate o streaming no Brasil

A Associação Brasileira de OTT e Streaming (Abotts) lançou, em São Paulo, oStreaming Academy, um espaço para debater Distribuição de Conteúdo, Monetização de Plataformas, Tecnologias de Streaming, Pirataria e Desafios Legais.

A Abotts realizou recentemente o Streaming Academy, um programa de capacitação para o setor de OTT e streaming para fornecer a profissionais da área ferramentas e conhecimento para acompanhar as mudanças tecnológicas e de mercado, áreas como conteúdo, distribuição e monetização. O primeiro evento presencial do programa aconteceu em novembro, na recém-inaugurada Casa Abotts, em São Paulo.

O Streaming Academy é um programa contínuo de capacitação que combina cursos presenciais e online, com O programa também incluirá o conteúdo do Grupo de Trabalho sobre FAST (Free Ad-Supported Streaming Television), liderado pela Diretoria de Plataformas da Abotts, que aprofundará discussões sobre essa tendência crescente no mercado de streaming.

No primeiro painel,”Advanced advertising: estratégias para maximizar a monetização do seu app”, Cristiano Barbieri, Sales Director LATAM da Broadpeak ressaltou que o mercado de conteúdo de vídeo no Brasil é extremamente diverso, abrangendo tanto grandes produções de massa quanto nichos específicos. Nesse cenário, plataformas completas, como a representada por ele, oferecem soluções que cobrem desde a distribuição do conteúdo até sua monetização de forma eficaz.

Entretanto, Fábio Saad, Head de Digital na BETC Havas destacou a relevância de apresentar métricas de audiência para plataformas como a ConectTV, especialmente em um cenário onde marcas ainda possuem dúvidas sobre como se promover neste novo formato de consumo de mídia. Ele ressaltou o estudo da Kantar sobre Cross Media, que comparou dados de audiência entre TV aberta, plataformas de streaming e YouTube.

Segundo Fabio, existem dois perfis principais de compradores de ConectTV. O primeiro enxerga a CTV como a evolução natural da televisão, embasado por dados do YouTube, que mostram que a maior parte dos acessos à plataforma já ocorre por TVs conectadas. Diante disso, Fábio sugere que o YouTube deveria repensar seu posicionamento, atuando mais como uma “televisão” e menos como uma rede social.

 

 

No painel “Evolução das Plataformas: Reinventando a Experiência do Usuário”, Leonardo de Pontes, Head de produto, operações e inovação em streaming do +SBT,  apresentou a recém-lançada plataforma de streaming gratuita +SBT, que é sustentada por anúncios e prioriza uma experiência de publicidade não invasiva. A estratégia da plataforma é evitar interrupções que possam prejudicar a interação do usuário com o conteúdo, garantindo um equilíbrio entre propaganda e entretenimento.

Segundo Pontes, esse cuidado é essencial para manter a audiência nas plataformas de streaming, especialmente em um mercado tão competitivo. A experiência do usuário deve estar no centro das decisões estratégicas, já que abordagens invasivas podem afastar os espectadores.

Os painelistas também discutiram a tendência de crescimento dos canais FAST (Free Ad-Supported Streaming TV) para o próximo ano. Esse modelo oferece acesso gratuito a conteúdos de qualidade, financiados por anúncios, e está ganhando força como uma alternativa viável e atrativa para provedores e consumidores no mercado de streaming.

Mudando o foco, no painel, “Devices em Disputa: Quem Controla o Futuro das Telas?”, Yvan Cabral, sócio fundador da Vivensis, compartilhou sua experiência na venda e instalação de antenas e setups box em áreas rurais, focando em pequenos municípios. Ele destacou a importância de oferecer equipamentos robustos, acessíveis e com suporte técnico próximo aos clientes, garantindo eficiência e atendimento de qualidade.

Na parte da tarde, o tema foi a TV 3.0. No painel “TV 3.0 x PayTV x Streaming:  Como fica o modelo de negócio?”, o debate foi interessante e ficou claro que a TV híbrida é uma ferramenta que pode ser um sucesso, mas que os riscos são grandes e devem ser considerados.

A tarde aqueceu com o debate sobre pirataria, um assunto cada vez mais importante na agenda.  No painel “Guerra Digital: Estratégias Contra a Pirataria no Streaming”, moderado por Alexandre Freire, conselheiro e Anatel e encarregado na Agência da luta contra a pirataria, Ana Souza, diretora de Relações Estratégicas da ACE LATAM, apresentou casos de pirataria na América Latina, destacando a complexidade do problema. Ela relatou situações onde provedores “piratas” oferecem assinaturas ilegais para acessar conteúdos de operadoras oficiais, muitas vezes sem que os assinantes saibam da ilegalidade. Um exemplo marcante foi a descoberta de um headend “pirata” em um condomínio fechado, equipado com várias antenas para recepção de sinais de satélite, distribuídos ilegalmente por assinatura. Esse esquema possuía até contratos impressos com os clientes

Finalmente, no painel: “Conteúdo em Xeque: Navegando entre janelas, lucro e streaming”, Carlito Camargo, Vice-Presidente da TV Cultura, apontou que um dos maiores problemas das TVs abertas é tentar imitar a líder em audiência. Segundo ele, isso não é viável, pois nem todas as emissoras têm o orçamento da líder. O foco, para Camargo, deve estar na qualidade da produção, especialmente no roteiro, que deve contar uma história envolvente e gerar engajamento com o público. Independentemente de ser em plataformas digitais ou na TV aberta, o mais importante é colocar o espectador em primeiro plano. A busca por qualidade no conteúdo, ao invés de imitar modelos caros, é importante para cativar a audiência e garantir a relevância no mercado, disse Camargo.

Por Fabio Augusto Pereira, em São Paulo. Edição de Fernando Moura