Workshop destaca automação e governança de dados para mídia
Pesquisador Márcio Carneiro dos Santos apresenta aplicações práticas de assistentes personalizados e processos automatizados em empresas de comunicação, com foco em eficiência, curadoria e responsabilidade
Encerrando a programação da sala 4 no segundo dia de SET Expo 2025, um workshop técnico e direto ao ponto, voltado a gestores e profissionais de mídia que buscam transformar rotinas com tecnologia e dados. Intitulado “IA Generativa na Prática: Assistentes, Governança e Automação para Empresas de Mídia”, o encontro foi conduzido por Márcio Carneiro dos Santos, coordenador do Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial da SET e pesquisador do Núcleo de Inteligência de Dados da UFMA.
Durante a oficina, Márcio compartilhou experiências aplicadas de desenvolvimento de assistentes personalizados, automações e fluxos de curadoria digital, voltadas para as necessidades do jornalismo, comunicação corporativa e broadcast. A proposta não foi apresentar promessas futuristas, mas sim demonstrar o que já pode ser feito com segurança e eficiência. “Você pode estabelecer canais para ler tudo o que quiser: Google Trends, redes sociais, feeds de notícias, resumos automáticos. Eu posso configurar esse sistema para vasculhar fontes e alimentar uma pauta de forma inteligente”, explicou. Segundo ele, o grande desafio é sair do uso pessoal e improvisado da tecnologia para uma adoção estratégica dentro das organizações. Com bom humor, criticou o uso desorganizado de ferramentas tecnológicas no ambiente corporativo. “É como o WhatsApp nas empresas: ninguém sabe se indivíduo está vendendo ou namorando. E agora acontece o mesmo com essas soluções digitais. Todo mundo usa, mas ninguém foi treinado.”
Márcio defendeu o uso da automação especialmente para tarefas repetitivas e de baixa complexidade, que tomam tempo das equipes. “Se você quer saber se vale a pena automatizar, olhe para o seu dia: o que ocupa tempo e não exige criatividade? Ali está a oportunidade.” Ao falar sobre os riscos, foi direto: “Essas soluções exigem preparação e entendimento. Uma palavra mal colocada pode causar um dano enorme a uma marca.”
Além disso, mostrou como sistemas podem ser usados para sumarização de conteúdo, conversão em áudio, e organização de pautas e arquivos, tudo de forma integrada. Alertou, no entanto, que o uso irresponsável dessas ferramentas pode colocar empresas em risco — especialmente quando se trata de imagem pública, comunicação institucional e ética editorial. “Essas ferramentas não foram feitas pra serem precisas, e sim para reorganizar conteúdo. Elas funcionam muito bem para isso, mas não substituem o papel do jornalista ou do pesquisador. Ainda precisamos do humano para validar, revisar e dar sentido ao que está sendo feito”, afirmou.
O workshop foi encerrado com um recado claro: a automação pode ser uma grande aliada das empresas de mídia, desde que usada com planejamento, cuidado e senso crítico. “Não adianta plugar e sair usando. Tem que pensar, entender o processo e estruturar bem o uso. A tecnologia é uma ferramenta, somos nós quem damos direção a ela.”