Reuters, Google e CUEZ mostram como a IA já transforma a produção de mídia
Durante painel no SET Expo 2025, especialistas apresentaram soluções práticas que combinam inovação tecnológica com responsabilidade editorial
A inteligência artificial já é parte integrante do dia a dia das empresas de mídia, como ficou claro no painel “IA na Produção: Automação, Verificação, Arquivamento e Gestão de Assets”, realizado nesta segunda-feira (18) durante o SET Expo 2025, em São Paulo. Representantes da Reuters, Google Cloud e CUEZ apresentaram soluções concretas que demonstram como a tecnologia vem acelerando processos, otimizando fluxos e abrindo novas possibilidades de monetização no setor.
Abrindo a sessão, Brad Haynes, da Reuters, foi categórico ao afirmar que, para a agência, a inteligência artificial é uma aliada do jornalismo, nunca uma substituta. Com 175 anos de história, a Reuters mantém seus compromissos com a independência editorial, a imparcialidade e a transparência mesmo ao adotar ferramentas de ponta. Toda produção com IA passa por supervisão humana, e os profissionais da redação testam as tecnologias em um laboratório próprio. A empresa investe anualmente cerca de US$ 200 milhões em inovação, apostando em sistemas como GPT, Claude e LLaMA para ampliar a produtividade sem comprometer a credibilidade.
Na sequência, Rodrigo Pereira da Silva, do Google Cloud, apresentou a plataforma Vertex AI Visual House, que utiliza inteligência artificial para organizar grandes volumes de conteúdo audiovisual. O sistema foi desenvolvido após uma provocação feita por um executivo da Fox Sports: era mais fácil encontrar vídeos no YouTube do que nos próprios arquivos internos. A solução permite buscas contextuais e precisas a partir de “embeds”, vetores que traduzem imagens e vídeos em dados analisáveis, oferecendo uma camada adicional de inteligência sem substituir os sistemas já existentes. A proposta é otimizar o uso dos acervos, gerar valor comercial e ampliar o alcance do conteúdo em áreas como publicidade, redes sociais e marketing.
Encerrando o painel, Aaron Nuytemans, da CUEZ, destacou a necessidade de automatizar redações que operam em múltiplas plataformas ao mesmo tempo. Ele apresentou um sistema de arquitetura aberta que conecta diferentes ferramentas e cria fluxos personalizados para acelerar a produção. O destaque ficou por conta de um “agente orquestrador” desenvolvido com o Google, capaz de coordenar diversas etapas editoriais com comandos simples em linguagem natural. O sistema transforma uma notícia básica em um pacote multimídia completo, com roteiro, imagens, vídeos e gráficos, tornando o processo mais ágil e escalável.
O debate deixou claro que a inteligência artificial já ocupa posição estratégica nas redações e bastidores da produção de mídia. Longe de substituir profissionais, a tecnologia vem para potencializar talentos, reduzir gargalos operacionais e expandir o alcance do conteúdo jornalístico em uma indústria cada vez mais exigente e multiplataforma.