TV 3.0 potencializará experiência multiplataforma, mas terá desafios de implementação

Nova geração de TV amplia possibilidades para o usuário e de monetização para as empresas

Às vésperas da assinatura do Decreto da TV 3.0, também chamada de DTV+, o Congresso SET Expo 2025 destacou como essa nova geração de televisão – que combina transmissão terrestre com recursos de interatividade, imagem em 4K e som imersivo, por meio da integração do sinal ao acesso à internet – vai potencializar a experiência multiplataforma dos usuários. 

A mediadora Carolina Duca, Gerente Sênior de Tecnologia da TV Globo, destacou que a experiência multiplataforma já é realidade, mas as estratégias de distribuição são segmentadas. “O DTV+ vai transformar a distribuição, e a integração é essencial, mantendo o usuário no centro de todas as estratégias de conteúdo”, disse.

Prova de que os conteúdos multiplataforma já são realidade é o case da Geração Chiquititas, do SBT, sobre o fenômeno da novela infantojuvenil Chiquititas, de 1997. “O especial foi desenvolvido com foco nos canais FAST, streamings gratuitos que distribuem conteúdos com anúncios, com chamadas no SBT e simulcast no +SBT. Tivemos um caminhão itinerante, o Truckchitas, que foi gravando depoimentos de fãs pela cidade e subindo quase que em tempo real para a programação, chamando para a estreia do programa”, afirmou Fernando Bonifacio, Gerente de Desenvolvimento Digital do SBT.

O que muda?

Entre as possibilidades da nova geração de TV está a broadcast enhanced streaming channel, já usada nos Estados Unidos, exemplificou Robin Hérin, Diretor de Padronização da Ateme. O recurso permite a entrega de canais (ou telas) extras, com diferentes qualidades, a partir de uma única transmissão, ampliando as possibilidades de monetização, além de dar mais opções para o usuário.

Já Alexandre Hotz, diretor executivo de engenharia da SKY, se baseou na experiência da integração do DHT, sistema de TV por assinatura com transmissão através de satélite, com o streaming para elencar alguns desafios da integração das estratégias da TV 3.0. “Tínhamos um mindset de broadcast, mas precisamos nos integrar com o mundo de telecom, internet e TI. Isso trouxe um conhecimento muito grande, mas também uma necessidade de reestruturar, pensar em como desenvolver tecnologias e pessoas. Era um workflow totalmente diferente”, assinalou Hotz.

Ele destacou que no início dos anos 2010, não existia tanta preocupação com custos e receita, mas isso tem mudado com a queda no número de assinantes e crescimento da pirataria, criando mais uma pressão na adaptação. 

“A DTV+ integra tecnologia e necessidades de novos skills, com benefícios da broadband. Precisamos pensar em como, eventualmente, emissoras pequenas ou operações DTH menores vão lidar com essa revolução diante da necessidade de novas tecnologias, talentos e mudanças nas operações”, completou Hotz.