Rádio conectado assume protagonismo nos carros digitais
SET Expo debate como inovações no setor automotivo estão redefinindo a forma de ouvir rádio, com dados, visual e integração digital
Com o avanço das tecnologias digitais e a popularização dos veículos conectados, o rádio tradicional — sobretudo o FM analógico — ganha possibilidades de reinvenção. Esse foi o foco do painel “O Rádio Conectado e a Experiência Digital do Ouvinte”, que reuniu especialistas internacionais no último dia do Congresso SET Expo, para apresentar cases e soluções que reposicionam o rádio no ambiente digital e móvel.
Moderado por Marco Túlio Nascimento, conselheiro da SET e diretor da ZYDigital/Guia Rádio, o painel trouxe as experiências de Yann Legarson, CEO da Radioplayer Worldwide, e Fabián Zamarrón Moreno, gerente sênior de desenvolvimento de negócios para América Latina da Xperi Corporation, empresa responsável por tecnologias como DTS AutoStage e HD Radio.
Logo na abertura, Marco Túlio contextualizou a importância do tema. “Há mais de 20 anos testamos o rádio digital no Brasil, mas os testes mostraram limitações na cobertura. Hoje, com os celulares e os carros conectados, o ouvinte já consome informações pela internet. O rádio precisa incorporar metadados, elementos visuais e outras funcionalidades para manter-se relevante”, afirmou.
Ele também destacou que o rádio conectado não depende exclusivamente de um padrão digital, podendo funcionar com receptores analógicos por meio de aplicativos e plataformas integradas.
Yann Legarson apresentou a evolução do Radioplayer, uma plataforma colaborativa entre emissoras de rádio de diversos países que unifica conteúdo em um ecossistema digital acessível por carros conectados e dispositivos móveis.
Criada em 2012, a Radioplayer já está integrada a sistemas de infotainment de 17 montadoras, incluindo Renault, Volkswagen, Audi, BMW, Stellantis, BYD e Xpeng. Segundo Legarson, a Renault anunciou que, a partir de 1º de novembro de 2025, todos os veículos da marca no Brasil, sairão de fábrica com a solução pré-instalada. Isso representa uma cobertura de cerca de 40% da frota brasileira.
Ele também disse que o objetivo é garantir que o rádio continue visível e acessível nos painéis modernos, que hoje priorizam interfaces como Spotify e YouTube. “Se o rádio não oferecer uma experiência digital comparável, corre o risco de desaparecer do painel em poucos anos”, alertou.
Como exemplo, citou a funcionalidade híbrida da plataforma, que permite a transição automática entre FM e streaming IP. “Se você estiver ouvindo a Rádio Disney em São Paulo e sair da área de cobertura, o sistema muda automaticamente para o streaming, mantendo a experiência contínua.”
DTS AutoStage: interatividade e dados em tempo real
Na sequência, Fabián Zamarrón detalhou as soluções da Xperi Corporation, incluindo o DTS AutoStage, plataforma híbrida gratuita que une transmissão linear com conectividade IP, permitindo integração com metadados, informações sobre artistas, capas de álbuns, letras e muito mais.
“O rádio foi, por décadas, o principal meio de entretenimento nos veículos. Mas com os novos painéis digitais, encontrar o botão do rádio tornou-se difícil. Queremos devolver o destaque ao rádio, mas com recursos à altura da era digital”, explicou.
Fabián também apresentou o Broadcaster Portal, ferramenta que permite às emissoras controlar o que aparece nos dashboards dos carros: logotipo, slogan, descrição da programação e links para redes sociais e streaming. Além disso, a plataforma entrega dados analíticos em tempo real, permitindo que o radiodifusor saiba quem está ouvindo, onde está a audiência (por localização),quando a estação é mais ouvida (horários de pico), como estão ouvindo (FM, IP, apps) e o que estão ouvindo (conteúdos mais populares).
“Com essas informações, o rádio deixa de depender apenas de pesquisas para justificar sua audiência. Agora é possível mostrar dados reais para os anunciantes e melhorar a programação com base em comportamentos reais de consumo”, afirmou.
O painel reforçou que o rádio conectado não é apenas uma tendência, mas uma realidade em expansão — com potencial para ampliar a relevância do meio ao incorporar recursos típicos do ambiente digital: personalização, interatividade e dados.
Para Marco Túlio, a principal mensagem foi clara: “O rádio não precisa esperar por um novo padrão de transmissão digital. Ele pode evoluir agora, com as ferramentas disponíveis, e oferecer experiências mais completas ao ouvinte.”